
A cena cultural santista ganha um novo capítulo com a estreia do Fest Cine Rock in Brasil, evento que une música ao vivo, memória histórica e produção audiovisual para valorizar o rock local e nacional, neste domingo (27). A programação acontece no Rusbé Bar (Av. Mal. Deodoro, 49, Gonzaga), a partir das 16 horas, com ingressos a R$ 20.
Mais que um festival, o evento marca o lançamento de um projeto-piloto de documentário em cinco partes, que pretende mapear a trajetória do rock na Baixada Santista como espelho e motor da cena brasileira. A primeira etapa é a exibição de um curta-metragem inédito, que resgata a relação da cidade com o desenvolvimento do gênero no país, através de registros históricos e depoimentos de músicos veteranos e novos talentos. “O Fest Cine Rock in Brasil é um braço de um projeto maior, que busca rastrear os valores do rock local, regional e nacional”, explica o cineasta e idealizador Antonio Muñoz.
Para ele, Santos teve um papel crucial, principalmente por conta do Porto, que trazia Long Play importados antes de chegarem oficialmente ao Brasil. “Isso gerou uma efervescência cultural única”.
O curta apresentado destaca momentos marcantes da cena santista, como o primeiro e o último show da Legião Urbana no estado de São Paulo, ambos realizados na cidade, e o cenário fervilhante das chamadas “bocas”, casas noturnas onde DJs e bandas tinham acesso privilegiado a sons do exterior. “Esse curta é uma pérola. Ele já dá a noção do que vem por aí. Tem recortes de jornais e depoimentos de gente que viveu isso”, afirma o produtor cultural e também idealizador Jasper Lopes.
A proposta do festival é conectar gerações e mostrar que o rock santista continua pulsante. A programação musical traz nomes consagrados, como a lendária Vulcano — que já teve o Sepultura como banda de abertura — e artistas em ascensão, como 2K90 e Sereno da Meia-Noite, além de grupos como Music Box, Vinil 13 e o cantor Murilo Lima, ex-vocalista do Capital Inicial. “O objetivo é justamente esse: unir gerações, estilos e histórias. Mostrar que o rock daqui tem passado, presente e muito futuro”, destaca Jasper. “E isso tudo vai ser gravado. O material vai virar portfólio para entrar em novas leis de incentivo e dar continuidade ao projeto maior”.
Mais do que entretenimento, o evento propõe uma reflexão sobre o papel do rock como expressão cultural e política. “O rock foi divisor de águas. Nos anos 60, era uma rebelião cultural. Moldou moda, comportamento, espiritualidade, causas sociais. Foi resistência — no apartheid, no Live Aid, na ecologia. É um movimento que vai além do entretenimento”, avalia Antonio.
Homenagens especiais também fazem parte da noite, com tributos a Rita Lee, Ozzy Osbourne e Johnny Hansen, ícone do rock eletrônico santista.
Além dos shows e da exibição do curta, o evento terá participações especiais como Laert Sarrumor (ex-Língua de Trapo), Angel (ex-Vulcano) e integrantes do Medusa Trio, que presta tributo ao rock nacional dos anos 1970.
Os ingressos custam R$ 20 e estarão à venda na porta do Rusbé Bar. Toda a arrecadação será destinada à cobertura dos custos de estrutura e gravação do evento, que integrará o material do documentário. “Essa noite é só o começo”, reforça Antonio. “Queremos criar um movimento contínuo de valorização dos nossos artistas. Que o Brasil veja o rock da Baixada com o respeito que ele merece. É um resgate, mas também um renascimento”.



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