Economia

Infraestrutura e financiamento impulsionam mercado imobiliário

22/07/2025 Mariana Nerome
Fernando Yokota

O mercado imobiliário da Baixada Santista se prepara para um segundo semestre promissor, impulsionado por investimentos estruturantes e novas modalidades de financiamentos, que ampliam o acesso à casa própria na região, graças à quarta faixa do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Essa declaração foi feita pelo presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECI-SP), José Augusto Viana Neto.

Segundo o levantamento da entidade, com 118 imobiliárias das nove cidades da região, houve um movimento de ajuste em junho, criando condições favoráveis para a retomada nos próximos meses, visto que, o mercado apresentou desaceleração durante o mês, com as vendas recuando 34,93% em comparação a maio, enquanto as locações tiveram queda de 11,52%.

“Os juros estão muito altos, estão trazendo dificuldade para que as pessoas tenham acesso aos imóveis. A economia tem endurecido um pouco também. A taxa de juros está fazendo uma diferença”, afirmou Viana Neto.

MINHA CASA, MINHA VIDA

A criação da quarta faixa do programa habitacional, implementada em maio deste ano, financia imóveis de até R$ 500 mil com entrada de 20%, juros de 10% ao ano e prazo de 35 anos.

“A prestação tende a ficar no valor do aluguel ou até mais baixa. Nossa expectativa é que essa modalidade possa dar melhor resultado no segundo semestre. Este valor engloba 85% do mercado e atende famílias com renda de R$ 8.600 até R$ 12 mil por mês “, destaca o presidente do CRECISP.

A modalidade atende diretamente ao perfil de demanda da região, focada em imóveis até R$ 500 mil, faixa que concentra boa partes das transações na Baixada Santista. A medida ainda substitui mudanças restritivas de agosto de 2024, quando o teto da terceira faixa caiu de R$ 350 mil para
R$ 270 mil e a entrada subiu de 20% para 50%.

INFRAESTRUTURA

Os investimentos em infraestrutura regional vão aquecer o setor, segundo José Augusto. O programa de macrodrenagem, que beneficia os municípios da região, vai prevenir os alagamentos crônicos e valorizar as áreas residenciais anteriormente vulneráveis.

A expansão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) complementará os projetos de mobilidade urbana, aumentando a conectividade regional e a atratividade de novos empreendimentos.

“Temos inúmeros anúncios de novos shopping centers na região, a questão do aeroporto regional, o túnel Santos-Guarujá e a atenção maior ao pré-sal. Esses investimentos têm o viés de movimentar o mercado imobiliário”.

DADOS

Nas vendas, casas e apartamentos se dividem equilibradamente (44% e 56%), com preferência por imóveis de dois dormitórios e área útil entre 50 e 100 metros quadrados.

A Caixa Econômica Federal mantém posição de destaque no financiamento, respondendo por 45,7% das operações, enquanto outros bancos participam com 14,3%. Pagamentos à vista representam 25,7% das transações, sinalizando solidez financeira dos compradores.

No segmento locatício, a faixa entre R$ 1.500 e R$ 3 mil concentra a preferência dos inquilinos, com distribuição territorial que abrange periferia (49%), centro (27%) e bairros nobres (24%).

BS DEBATE

A Baixada Santista receberá na próxima terça-feira (29), a partir das 14 horas, na sede da Associação Comercial de Santos (ACS), localizada na Rua Quinze de Novembro, 137 – Centro, o segundo encontro do BS Debate. O tema desta edição será “Urbanismo”. O encontro é fruto de uma parceria entre o Jornal da Orla, a Record Litoral e Vale e a Associação Comercial de Santos.