Cena

Mundo da cultura se despede da jornalista Carmelinda Guimarães

14/07/2025 Gustavo Klein
reprodução/tv brasil

Morreu, aos 80 anos, a professora aposentada da EMAC-UFG, jornalista e crítica teatral Carmelinda Soares Guimarães. Reconhecida por seu rigor intelectual e sua dedicação ao ensino e à crítica, Carmelinda construiu uma trajetória marcada pela seriedade e pelo compromisso com a arte.

Editora de Carmelinda durante muitos anos, a jornalista Ivani Cardoso lamentou a partida da colega. “Fui durante muitos anos editora de Cultura e Variedade de A Tribuna. Ela mandava críticas, matérias ou entrevistas sobre teatro para seu espaço semanal, sem falhar. Pedia sugestões de pauta com humildade, trazia pessoas e montagens interessantes com o olhar curioso e apaixonado pelo teatro. Eu admirava, além de todo o conhecimento e atualização constantes, o seu jeito delicado e otimista de ser. Estava sempre sorrindo, elegante e interessada pelo jornal, pela cidade e sua gente”.

Nascida em 18 de setembro de 1944, em Santos, formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Santos, mas encontrou no teatro sua grande vocação. Concluiu mestrado e doutorado em Artes Cênicas pela USP, além de um pós-doutorado em Roma, e fez da pesquisa e da crítica teatral um espaço de reflexão sobre a sociedade e a cultura.

Na Universidade Federal de Goiás, onde lecionou por mais de duas décadas, Carmelinda ministrou disciplinas como História do Teatro, teatro inglês, francês e grego e também Crítica Teatral, além da Dramaturgia Feminina no Brasil. Foi referência para diversas gerações de estudantes, que encontraram em suas aulas não apenas conteúdo técnico, mas também incentivo à reflexão crítica e ao aprofundamento estético.

Como crítica teatral, publicou no Estado de S. Paulo, A Tribuna (Santos), Visão e em veículos internacionais na Espanha, França, Cuba e Suécia. Membro da APCA, também atuou como subeditora do suplemento literário do Estadão, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas na área.

Em entrevista ao programa Provocações, conduzido por Antônio Abujamra, Carmelinda reiterou sua defesa de um teatro comprometido com a realidade e com questões sociais. Falou da importância da dramaturgia feminina no Brasil e destacou a necessidade de pensar a cena como espaço de reflexão e transformação.

A UFG lamentou oficialmente sua morte, informando que o velório ocorre na Santa Casa de Santos. A causa do falecimento não foi divulgada.

Carmelinda deixa um legado que inclui dezenas de teses orientadas, livros organizados — entre eles, estudos sobre Antunes Filho e Miguel Jorge — e uma biblioteca em Goiânia batizada com seu nome, reunindo parte significativa de sua produção e pesquisa.

Com sua partida, o teatro brasileiro perde uma intelectual comprometida, cuja contribuição seguirá inspirando pesquisadores, artistas e estudantes em todo o país. O corpo de Carmelinda Guimarães foi cremado em Santos no último sábado.