Cena

Escola de artes santista estreia no Festival de Teatro Musical de Joinville

10/07/2025 Isabela Marangoni
Jota Erre

Pela primeira vez, Santos será representada no Festival de Teatro Musical de Joinville – iniciativa inédita dentro do tradicional Festival Internacional de Dança, considerado um dos mais prestigiados do mundo. Entre os dias 28 e 31 de julho, quem leva o nome da cidade ao palco é a Com Passos – Núcleo Artístico, companhia local que nasceu com a vocação de contar histórias por meio do movimento e da interpretação.

Fundada há oito anos pela bailarina e professora Carol Assumpção, a escola surgiu do desejo de unir três paixões que sempre a moveram: dança, música e teatro. “Eu já dava aula de balé em outro lugar e tinha alunas incríveis — uma cantava bem, outra estudava teatro, outra era professora de artes plásticas — e eu sentia que não conseguia avançar com elas em apenas uma hora de aula por semana”, relembra.

Foi assim que nasceu o que ela chama de “laboratório de criação”: ensaios improvisados, primeiro na recepção do consultório do pai, depois em sua casa e na casa de uma das alunas. Dessa experiência informal, surgiu o grupo que mais tarde receberia o nome Com Passos – Núcleo Artístico. “O ‘Com Passos’ vem dos compassos musicais, dos passos da dança, e da ideia de que, com os nossos próprios passos, a gente chega onde quiser. E ‘núcleo artístico’ porque a intenção sempre foi reunir todas as artes cênicas”.

Com o tempo, o improviso deu lugar à estrutura. A escola foi oficialmente fundada, inicialmente com foco maior na dança. Em seguida, vieram as aulas de teatro, de canto e, em 2023, o tão sonhado curso de teatro musical. “Sempre fui apaixonada por teatro musical. Fiz teatro dos 13 aos 18 anos. Meu último ano foi com Grease, e desde então a sementinha do musical foi plantada”, diz Carol. “Mesmo com minha formação em dança desde os três anos, eu sempre quis ser atriz”.

O primeiro projeto do curso foi ousado: montar um musical autoral inspirado no filme Elementos, da Pixar. “A gente criou letras, mesmo com pouca experiência em canto ou composição. Mas o retorno do público foi tão bom que sentimos que estávamos no caminho certo.” No ano seguinte, veio o divisor de águas: uma adaptação de O Mágico de Oz, com cenas cantadas e atuadas ao vivo, envolvendo também as turmas de dança. “Foi aí que entendemos o que realmente era e como fazer um musical”.

A profissionalização do curso ganhou fôlego em 2024, com a chegada de um professor de canto especializado em teatro musical, vindo de São Paulo. A formação passou a ser aberta também ao público externo, consolidando a proposta pedagógica da escola. E, com isso, surgiu uma nova meta: participar do Festival de Joinville. “É como um selo de qualidade. Estar nesse festival é o sonho de qualquer artista da dança ou do teatro. E a gente conseguiu”, comemora Carol. “É o sonho de todo bailarino, de todo artista, pisar naquele palco”.

Por ser a primeira escola da Baixada Santista a integrar a categoria de teatro musical no evento, o sentimento é de orgulho – e de responsabilidade. “Acho que a ficha ainda nem caiu”, admite. “É uma visibilidade muito grande. E saber que, até onde sabemos, somos os únicos da Baixada no teatro musical, dá uma responsabilidade enorme”.

A preparação foi intensa. Como as inscrições exigiam vídeos curtos com grupos reduzidos, o elenco precisou ser adaptado. Para a competição, o grupo apresentará quatro cenas: a música Corações Infelizes, com a personagem Úrsula, de A Pequena Sereia, interpretada por uma aluna de 47 anos; uma cena teatral e musical de Beetlejuice, com uma dupla de 35 e 15 anos; um solo de Cabaré, apresentado pela professora de teatro; e um quarteto jovem performando Lady Marmalade, de Moulin Rouge. “Foi tudo montado em um mês. Uma verdadeira maratona criativa. Agora estamos nos preparando intensamente para o dia da apresentação”.

Mesmo antes da estreia, a conquista já movimenta os corredores da escola. “Só o fato de termos sido selecionados já animou muito os alunos. Mesmo que a gente não traga colocação, isso mostra a força dos nossos professores, o empenho dos alunos, e dá um gás enorme para todo mundo”, afirma. “Teatro musical não é só em São Paulo. A Baixada tem muito talento. Talvez, com isso, a gente mostre para quem sonha com essa carreira que dá para ficar aqui e estudar aqui, sem precisar ir para longe”.

Até o final de julho, a escola vive a correria dos ensaios, da logística e dos ajustes finais, mas com a certeza de estar trilhando um caminho significativo. “Mesmo que a gente não ganhe nada, só de estar lá mostra que a gente tem força, dedicação, professores capacitados e alunos comprometidos. Já está todo mundo com mais garra, mais orgulho de ser Com Passos”.