Longevidade

Santa Casa de Santos é o único “hospital amigo do idoso” da região

05/07/2025 Alceu Nader
Santa Casa de Santos é o único “hospital amigo do idoso” da região | Jornal da Orla

Instituição implantou dezenas de práticas e condutas para os cerca de 4.500 colaboradores

“Reformar uma construção é simples. Basta cobrir, tocar a obra e tirar o tapume quando ela acabar para se ver o resultado. Reformar pessoas é bem diferente – e bem mais complicado. Para a reforma acontecer, a pessoa tem de estar convencida a mudar e a aprender continuamente. E isso pode levar tempo”.

Assim, Marcia Torelli de Castro, coordenadora de Qualidade e Segurança do Paciente, traduz a revolução sem pá de pedreiro, nem cheiro de tinta, que vem acontecendo nos bastidores da Santa Casa de Misericórdia de Santos, o hospital mais antigo do Brasil (1543). Torelli, mais a assessora da Diretoria Técnica, Rosana Tomaz, e a gerente da equipe multidisciplinar, Alessandra Conceição, formam o trio que leva, para todos os cerca de 4.500 colaboradores do hospital, dezenas de novas condutas e práticas que a Santa Casa está implantando há pouco mais de ano. A reforma mal começou. Dos três anos previstos, um já foi cumprido e reconhecido: a instituição recebeu a primeira das três estrelas que completam a certificação Plena da Santa Casa como “Instituição Amiga do Idoso”.

O certificado foi criado em 2012, durante o governo de Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República, com a observação de que a concessão do certificado não era “um processo burocráticos da esfera administrativa ou certificação de qualidade”, nem criava fonte nova fonte de obtenção de recursos ou ressarcimento de despesas.

Receberia a comanda de “Amigo do Idoso” o hospital que implantasse um processo de trabalho integrado, integral, multidisciplinar e contínuo, seguindo os preceitos das boas práticas da geriatria e da gerontologia”. Sua criação, explica a apresentação do governo da época, teve como base “pilares da OMS” (Organização Mundial da Saúde) para proporcionar um “envelhecimento ativo e responder aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ONU) para a Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030”.

Desde abril do ano passado, todos os funcionários da Santa Casa de Santos, do segurança aa portaria ao médico, incluindo os acompanhantes dos hospitalizados, estão sendo orientados para mudar e se aprimorar. A missão não é fácil. A Santa Casa, um dos maiores contratadores de mão de obra especializada de toda a Baixada Santista, é o maior hospital da região, com 420 leitos, 75% dos quais voltados para o atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O tempo consumido para se obter a certificação Plena, e o empenho da diretoria do hospital em apostar na mudança, são evidências de que não se trata apenas de marketing. O programa a ser cumprido é extenso, misturando gestão, governança, qualidade, segurança, pesquisa, sustentabilidade e humanização. Poucos hospitais de excelência de São Paulo, como o Hospital do Câncer de São Paulo e o Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade de Campinas), chegaram lá. Hoje, a Santa Casa de Santos é a única instituição “Amiga do Idoso” de toda a Baixada Santista.

“Isso não quer dizer que seremos uma instituição especializada em atender idosos”, alerta Alessandra Conceição. “Estaremos, sim, melhor preparados do que qualquer outra instituição da região para atender à crescente parcela de pessoas idosas na população”.

Evolução
As mudanças de atuação e comportamento dos novos procedimentos não se limitam apenas aos profissionais que trabalham na Santa Casa. Parentes e acompanhantes também estão sendo envolvidos. Segundo o plano, autorizado pelo provedor da Santa Casa, Ariovaldo Provinciano, e conduzido pelo diretor-técnico do hospital, Alex Macedo, médico-pneumologista, e pelo vice-diretor-clínico, Eloi Moccellin, médico-urologista, toda a “reforma” compreende um responsável de cada área, tanto técnica quanto operacional, para atuar como multiplicador das informações da mudança para todos os integrantes de suas equipes.

Quanto aos acompanhantes e parentes, um exemplo prático de mudança já acontece no momento da troca de curativos ou do banho da pessoa internada. Em muitos hospitais, predomina a interação solitária entre o enfermeiro e o paciente, com o acompanhante sendo convidado a se retirar do quarto. Na Santa Casa, não mais. O acompanhante ou parente é chamado para assistir ao procedimento e a ouvir as instruções que a enfermeira ou enfermeiro tiver para transmitir. Dessa forma, a pessoa internada será mais bem atendida quando voltar para casa.