Cena

Fórum Santos Cultural defende modernização de biblioteca pública

27/06/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota

Com 479 anos de história, Santos ainda carece de uma biblioteca pública central à altura de sua importância cultural. A defesa por um novo espaço vem sendo liderada pelo Fórum Santos Cultural, coletivo fundado em 2004 pelo maestro e compositor Gilberto Mendes, um dos grandes nomes da música contemporânea brasileira, e pelo poeta Flávio Viegas Amoreira, atual presidente do Fórum e diretor da Casa das Culturas de Santos. “Idealizamos o Fórum para defender políticas públicas para a cultura de Santos. Continuo à frente dessa luta, que é coletiva, com artistas e agentes culturais da cidade”, afirma.

O debate pela criação de uma nova biblioteca – ou a modernização da que já existe – ganhou força durante a campanha eleitoral do atual prefeito Rogério Santos, que, segundo Flávio, acolheu propostas do Fórum em reuniões com mais de 150 participantes. “O prefeito se comprometeu, no programa de governo, a dotar a cidade de uma biblioteca modernizada, digitalizada, com acervo renovado e adequado à contemporaneidade”, destaca.

Hoje, a biblioteca municipal Alberto Sousa, fundada em 1929, funciona em um imóvel alugado na Praça José Bonifácio. “Ela já esteve em vários lugares: no prédio da Prefeitura, no Teatro Rosinha Mastrângelo, na Associação Predial na Amador Bueno… Agora está em um espaço pequeno e sem condições de atender adequadamente à população”, lamenta.

Para o Fórum, a cidade precisa de uma biblioteca viva e multifuncional. “Não basta ser um repositório de livros. Queremos uma biblioteca moderna, multimídia, com acessibilidade, wi-fi, acervo digitalizado, espaço para saraus, oficinas literárias, encontros culturais, musicais e artísticos”, defende. “Ela pode ser instalada num prédio da própria Prefeitura, desde que seja bem estruturada”.

Entre as sugestões apresentadas está o uso do terreno onde nasceu José Bonifácio ou uma eventual parceria com a Sociedade Humanitária, localizada na mesma praça. “Seria simbólico e estratégico”, afirma Flávio. “Mas o mais importante é garantir um local com estrutura para acolher o público, inclusive com acessibilidade para pessoas com deficiência”.

Além da infraestrutura, há também um déficit de representatividade no acervo. “Os escritores santistas contemporâneos, como José Roberto Torero e tantos outros, não têm exemplares disponíveis nas bibliotecas da cidade. Isso mostra o quanto nosso acervo está defasado”.

Apesar da ausência de uma resposta oficial até agora, Flávio destaca que o Fórum não está em oposição à Prefeitura. “Ao contrário. O prefeito já entendeu a importância dessa demanda. Agora é o momento da sociedade civil e da mídia fortalecerem esse movimento. A cidade já tem espaços como a Casa das Culturas, que está em plena atividade e vai receber oficinas da Cadeia Velha durante a reforma. Mas a biblioteca é uma necessidade específica, voltada à leitura, à pesquisa e ao conhecimento”.

O Fórum Santos Cultural segue atuante como coletivo independente, reunindo-se regularmente para discutir propostas e políticas públicas. Além de Flávio Viegas Amoreira na presidência, a coordenação conta com o vice-presidente José Geraldo Barbosa e o secretário-geral Lorenzo Luis F. G. Teixeira. “Nosso esforço é por uma biblioteca que seja símbolo da memória, da criação e do futuro de Santos”, conclui Flávio.