Cena

O sucesso do passeio com histórias de terror pelo Centro Histórico de Santos

17/06/2025 Isabela Marangoni
Dino Menezes/Divulgação

Você gosta de histórias de terror? E se essas histórias ganhassem vida enquanto você caminha pelas ruas do Centro de Santos? Na última sexta-feira 13 — data já cercada por mistérios e superstições — me aventurei em uma experiência no mínimo arrepiante e participei da 14ª edição do passeio assombrado. Criada pelo cineasta e escritor Dino Menezes, a caminhada é inspirada em seu livro Contos de Terror e Lendas Macabras da Ilha de Santos e convida o público a mergulhar nas histórias sombrias que habitam o imaginário da cidade.

Coincidência ou não, o dia só aumentou o interesse e a expectativa do público, que se reuniu no Valongo. Nas ruas antigas, entre casarões centenários e becos quase esquecidos, embarcamos em uma experiência imersiva repleta de suspense, unindo relatos verídicos e histórias que beiram o inexplicável.

UMA NOITE DE MISTÉRIOS E HISTÓRIAS

Logo no início, Dino explicou os protocolos de segurança. Guardas municipais acompanharam o grupo durante todo o percurso, garantindo tranquilidade para mergulhar nas histórias. A narrativa começou em frente ao Museu Pelé, com a origem histórica da sexta-feira 13 — remetendo à prisão dos cavaleiros templários pelo rei Filipe IV da França, em 1307 — e seguiu traçando paralelos surpreendentes com o descobrimento do Brasil e a Ordem de Cristo.

O CASO DE MARIA FEA

Uma das histórias mais impactantes foi a de Maria Fea. Em 1928, ela foi assassinada pelo marido, Giuseppe Pistone, que tentou embarcar seu corpo — grávida — dentro de uma mala recheada de pó de arroz, com destino à Europa. A mala caiu no Porto de Santos, revelando o crime. Enterrada no Cemitério da Filosofia, Maria Fea é considerada uma santa popular, com moradores deixando flores e pedidos em seu túmulo.

O ESPECTRO DE JOSÉ BONIFÁCIO

No passeio, a Casa de José Bonifácio, Patriarca da Independência, também é palco de relatos de aparições. Dino compartilhou uma lenda: um suposto romance entre Bonifácio e uma funcionária, que teria gerado um filho. “Temos alguém de uns 50 anos chamado José Bonifácio Jr.”, brincou Dino durante a história.

OS FANTASMAS DA PREFEITURA

O ponto alto da caminhada foi a visita à sede da Prefeitura, um edifício carregado de histórias e conhecido por seus relatos arrepiantes de assombrações. O clima era de suspense quando Marina Minna (@minnargb), criadora de conteúdo especializada em narrativas de horror, compartilhou um caso perturbador: durante um passeio escolar em 2014, uma jovem santista teria ouvido seu nome ecoar dentro do prédio — sem que houvesse ninguém por perto — e, pouco depois, avistado uma mulher pálida, vestida de branco, que a seguia silenciosamente pelos corredores. “Recebi esse relato recentemente, e até hoje a aparição continua fazendo parte da vida dela”, contou. Marina ainda reforçou um conselho que dá aos seguidores: jamais responda quando achar que ouviu seu nome sendo chamado — pode ser uma entidade, e nem sempre é fácil mandá-la embora depois.

A tradicional votação ‘quem acredita em fantasmas’ ficou dividia entre céticos e crentes. Preciso dizer que os crentes ganharam? Dino ainda brincou “no dia em que os céticos vencerem, eu paro de fazer o passeio”.

No final, o grupo seguiu até a escadaria da Prefeitura para o tradicional registro coletivo. “Vamos tirar uma bela foto todos juntos. Quem sabe não aparece alguém a mais na imagem”, disse.

UM ESPETÁCULO QUE CRESCE A CADA EDIÇÃO

O passeio assombrado é uma experiência cultural que brinca com o medo, estimula a imaginação e valoriza as memórias e lendas urbanas, muitas vezes esquecidas ou marginalizadas pela historiografia oficial.

Com ingressos esgotando em minutos, a procura só cresce. Mais do que entretenimento, o evento é um gesto de resistência e valorização da memória urbana, provocando a sensibilidade coletiva. “Foi uma alegria estar aqui com tanta gente caminhando por uma cidade rica em histórias”, afirmou Dino no final.

O sucesso do passeio está no equilíbrio entre o lúdico e o assustador, a realidade e a imaginação. Para quem gosta de uma boa história — e de sentir aquele frio na espinha — é uma experiência imperdível. E, posso garantir, depois dele, você nunca mais verá Santos da mesma forma. Se tiver interesse em viver essa experiência, fique de olho nas redes sociais do escritor @dinomenezes.