Cena

Ilustrador santista mostra o poder da criatividade na Casa das Culturas

13/06/2025 Isabela Marangoni
Arquivo pessoal

A Casa das Culturas de Santos, localizada na Vila Nova, recebe amanhã (14), a oficina ‘Todos Sabem Desenhar’, comandada pelo artista gráfico e cartunista e ilustrador Sérgio Ribeiro Lemos, o Seri. Com entrada gratuita, a atividade começa às 14 horas e tem como objetivo desmistificar o desenho e incentivar a criatividade em qualquer idade.

Com décadas de experiência, Seri tem uma trajetória que começou de forma quase acidental. “Comecei a desenhar aos 16 anos, no curso de tradutor e intérprete da Escola Estadual Professor Primo Ferreira”, relembra. “Uma professora viu um desenho meu, gostou da forma como resolvi uma piada gráfica e me incentivou a mostrar meu trabalho para uma cooperativa de jornalistas que estava nascendo em Santos”.

UMA VIDA NA REDAÇÃO

Esse empurrão o levou até a redação do jornal Preto no Branco, produzido por uma cooperativa de jornalistas locais. “Quando entrei na redação, minha vida mudou. Era como se eu tivesse encontrado meu lugar no mundo. E desde então, nunca mais parei”.

Ao longo da carreira, Seri passou por veículos como Jornal Cidade de Santos, ligado à Folha de S. Paulo, o antigo Jornal da Orla, e atualmente atua no Diário do Grande ABC. “Faço charge, caricatura e também colaboro diariamente com o portal BS9 News. De segunda a segunda tem desenho novo no ar”, conta.

Paralelamente, Seri se dedica a oficinas que ajudam a desbloquear o potencial criativo de quem acredita não saber desenhar.

ALÉM DOS BONEQUINHOS DE PALITO

A oficina ‘Todos Sabem Desenhar’ é parte de um projeto maior do artista: provar que desenhar é uma habilidade universal, não um talento reservado a poucos. A proposta é voltada especialmente para quem diz só saber desenhar bonecos de palito — ou nem isso. “Desenho é só mais uma forma de comunicação. É o modo mais primitivo do ser humano se expressar. Toda criança desenha antes de aprender a falar ou escrever”, explica Seri.

A metodologia da oficina é simples: lápis, papel e imaginação. “Não se trata de fazer bonito, mas de se comunicar. O foco é tirar o medo, desbloquear. Trabalhamos em grupo, propomos desafios, e cada um expressa uma história só com traços”.

Um dos momentos favoritos do ilustrador durante as oficinas é quando os participantes desenham histórias pessoais, e os demais tentam decifrar o que foi representado. “É emocionante ver alguém que dizia não saber desenhar ser compreendido pelo outro. Isso gera uma catarse. Histórias vêm à tona, e as pessoas se conectam”.

CRIATIVIDADE COMO CURA

Apaixonado pelo tema, Seri está finalizando um livro sobre criatividade, com lançamento previsto para o segundo semestre. “Sempre me perguntei de onde vem a criatividade. No livro, exploro tanto a perspectiva científica quanto a vivência humana. A criatividade não é só para artistas — ela pode ser uma ferramenta de transformação e até de cura”.

Na obra, ele aborda inclusive casos reais. “Tem a história de uma mulher que superou um relacionamento abusivo ao redescobrir a criatividade. Não é nada místico. É ciência. Criar pode ser um processo terapêutico”.

MURAL DE PELÉ E CONSELHOS

Entre tantos projetos, um dos mais marcantes da carreira de Seri foi o mural em homenagem ao milésimo gol de Pelé, no Museu do Rei do Futebol. “Tinha acabado de ficar desempregado quando fui chamado para fazer um infográfico em forma de linha do tempo. O melhor foi estar com o Pelé. Ele já estava debilitado, mas a presença dele era incrível”.

Para quem deseja começar a desenhar na fase adulta, ele é direto. “Descubra onde você se sente mais à vontade — caricatura, cartoon, charge — e pratique. Pesquise, experimente. Eu sempre recomendo desenhar ao ar livre: observar a luz, captar a atmosfera e sentir o ambiente”.

Ele reforça também a importância de ultrapassar bloqueios. “Muita gente interrompe seus caminhos por causa dos próprios medos. Mas os obstáculos estão aí justamente para serem superados. Isso vale para tudo na vida”.

Sobre a oficina na Casa das Culturas de Santos, Seri deixa o convite. “Venha se divertir e descobrir que desenhar não é um bicho de sete cabeças. Quando a gente deixa fluir e para de se preocupar com o resultado, tudo fica mais leve. E o melhor: a atividade é gratuita e aberta para todas as idades”.