
Santos deu mais um passo rumo à inclusão com o início das atividades do Instituto Autismo Brasil, organização sem fins lucrativos voltada ao impacto social. A iniciativa foi destacada em um evento nessa sexta-feira, dia 6, na sede da entidade, na Avenida Senador Pinheiro Machado, na Vila Mathias, e reuniu famílias e amigos que celebraram esse marco com emoção e esperança.
Repleto de propósito e afeto, o Instituto reforça o compromisso pessoal e social de quem vivencia, na pele, os desafios de criar uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Fabíola Souza, idealizadora do projeto, é a presidente do Instituto e mãe de João Vitor, um menino autista não verbal, com nível 3 de suporte (severo).
Foi da experiência com o diagnóstico do filho que surgiu a inspiração para fundar o Instituto. “Mesmo com todos os privilégios — instrução, estabilidade financeira, apoio familiar — a gente sentiu o baque, o susto e a solidão. E se foi assim conosco, imaginamos o que enfrentam as famílias em situação de vulnerabilidade social”, afirma Fabíola.
O Instituto, que começa suas atividades pequeno, mas com sonhos grandes, propõe-se a atuar em quatro eixos principais: educação, empregabilidade, apoio familiar e acesso a tratamento especializado para autistas com maior necessidade de suporte. A missão é clara: construir uma rede de acolhimento para famílias frequentemente invisibilizadas pelas políticas públicas e pela crescente romantização do espectro.
SIMBOLISMO
A abertura da sede teve um simbolismo especial: aconteceu no dia do aniversário de 7 anos de João Vitor. Para Fabíola, o laudo com o diagnóstico do filho foi um divisor de águas. “Eu já vivi algumas viradas de chave, e a maternidade foi uma delas. Depois, veio a descoberta do autismo e o início da jornada de um maternar mais ativo. E agora, esta nova virada: poder contribuir para que outras mães recebam o apoio que eu não tive. Quero que elas encontrem suporte e que, juntas, possamos transformar nosso País, tornando a inclusão mais eficaz e real”, compartilha.
Sobre o início das atividades, ela destaca que este é apenas o primeiro passo de uma longa jornada. “É o pontapé inicial. Significa realmente começar a colocar os projetos em prática, mobilizar voluntários de todas as formas, reunir investidores e colaboradores, para que possamos fazer a diferença. Estou muito animada e já estamos em movimento”, afirmou.
Durante o discurso de abertura, Fabrício Julião, marido de Fabíola e CEO do Grupo Brasil Export, não conteve a emoção ao falar sobre o Instituto e sobre seu filho João Vitor. “Todos sabem o quanto eu sou apaixonado por ele, e vê-lo dando voz a uma causa tão importante é algo transformador”, declarou.
Fabrício também fez questão de reforçar a importância da inclusão, destacando o papel do Jornal da Orla nesse processo. “O Jornal da Orla é o jornal gratuito mais antigo que existe, com mais de 50 anos de história, e se tornou o único veículo de comunicação com uma editoria totalmente dedicada à inclusão. Nosso objetivo é levar essa mensagem a todo o País, já que o jornal é digital e acessível a famílias em qualquer lugar. O Instituto vai liderar essa missão de dar visibilidade à causa e exercer um papel fundamental na comunicação sobre inclusão”, afirmou.

OS PILARES
“Sem educação, não há transformação.” Este é um dos mantras de Fabíola. Por isso, o Instituto atuará em três frentes formativas: capacitação parental, com cursos gratuitos online e presenciais; formação de professores; e sensibilização de escolas e empresas para práticas reais de inclusão. “As escolas não sabem como agir. As famílias também não. Precisamos formar a sociedade para acolher essas crianças e seus familiares”, defende.
A empregabilidade é o coração do projeto. Um dos objetivos é preparar autistas — especialmente os de nível 1 de suporte (mais leve) — para o mercado de trabalho, além de incentivar o empreendedorismo materno e autista. “Temos que presumir capacidade, não deficiência. Com apoio, formação e acompanhamento, é possível incluir. E, quando a inserção formal não for viável, o empreendedorismo pode ser uma alternativa, tanto para os autistas quanto para suas mães, muitas vezes sobrecarregadas e sozinhas.”
O Instituto também oferecerá apoio psicológico, jurídico e social, e fará o mapeamento das principais demandas das famílias, ajudando-as a acessar seus direitos. A dor das mães é uma preocupação central. “Estamos vendo um aumento assustador no número de suicídios de mães de autistas. A ausência de perspectiva é tão profunda que muitas perdem até o direito de morrer, porque sabem que, se forem embora, não haverá ninguém para cuidar de seus filhos”, relata Fabíola.
Outro foco da atuação é a formação de parcerias com clínicas já existentes, garantindo acesso a tratamento especializado para autistas dos níveis 2 (moderado) e 3 (severo), com prioridade para famílias negras e em situação de vulnerabilidade. “São os mais invisíveis dentro da invisibilidade”, pontua.
UM PROBLEMA SOCIAL EM CURSO
Fabíola também chama atenção para um tema pouco discutido: o futuro dos autistas adultos. “Hoje há muita atenção à infância, mas ninguém está pensando no que será dessas crianças quando se tornarem adultas. Como vão viver? Onde vão trabalhar? Como serão inseridas na sociedade?”. Nesse sentido, a empregabilidade é vista como um eixo estratégico para a mudança social. “A sociedade precisa enxergar o potencial das pessoas com autismo, inclusive nos níveis 2 e 3 de suporte”, reforça.
Embora nascido em Santos, o Instituto Autismo Brasil tem vocação nacional, por meio de articulações com empresas e governos locais, com apoio do Grupo Brasil Export. “Queremos ser rede, não casa de acolhimento. Nossa ideia é articular, apoiar, formar e incluir”, resume.
Mesmo ciente dos desafios, Fabíola acredita na força do coletivo e na transformação gerada pela experiência prática. “A gente começa sonhando alto, mas com os pés no chão. Sabemos das limitações, mas acreditamos na mudança. É por nós, por nossos filhos e por tantas outras famílias que ainda estão no escuro.”
VISÃO DE FUTURO
O Instituto Autismo Brasil pretende se tornar uma referência nacional em inclusão e transformação social. “Nosso objetivo é capacitar, empoderar e abrir caminhos para que nenhuma família precise enfrentar o autismo profundo sozinha”, conclui.
O Instituto Autismo Brasil fica na Av. Senador Pinheiro Machado, nº 22, loja 24, conjunto 12. Para saber mais sobre as atividades e projetos da instituição, acesse o Instagram @institutoautismobrasil e o site.


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