
O Brasil tem um verdadeiro “tesouro perdido” dentro do sistema financeiro. Mais de R$ 9 bilhões estão esquecidos nos bancos brasileiros esperando para serem resgatados. Os dados do Banco Central (BC) mostram que 42 milhões de pessoas físicas (R$ 7 bilhões) e 4,3 milhões de empresas (R$ 2,2 bilhões) têm dinheiro parado nas instituições financeiras. Os montantes têm dono, mas foram esquecido ou deixados de lado por desinteresse nos pequenos valores individuais. Quase 90% das quantias não passam de R$ 100. Outros 10% ficam entre R$ 100 e R$ 1.000. Os valores superiores a mil reiais representam menos de 2% do total.
Para o economista Ricardo Rodil há algumas questões que contribuem para que as pessoas tenham deixado o dinheiro nos bancos. Uma das principais é a troca de emprego. “Quando se muda de emprego, a nova empresa pode mudar o depósito do salário para outra instituição financeira. Se no banco anterior a pessoa mantinha um saldo pequeno, ela acaba esquecendo daquela conta”, comenta.
Ele também aponta outro fator possível: o envelhecimento da população. “Não é uma coisa incomum. As pessoas têm diversas contas ao longo da vida. Não são todos que têm isso devidamente anotado ou memorizado. Isso é normal. Com o tempo, é possível que tenham perdido dados ou somente esquecido de contas que usavam antigamente”, observa.
CONSCIENTIZAÇÃO
Para o especialista, um dos principais obstáculos para a recuperação desses valores é a falta de interesse por esse tipo de informação. “A imprensa faz seu papel, mas muitas vezes, matérias mais densas e que tratem de assuntos financeiros são deixadas de lados pelo brasileiro médio. Muitas pessoas só leem as manchetes”, diz. “Além disso, hoje, o uso excessivo de multiplas telas, muitas vezes mais confundem do que informam”, comenta
GOLPES
A existência dos recursos esquecidos também atrai criminosos que se aproveitam da situação para aplicar golpes. O alerta, de acordo com o Banco Central, é que o órgão nunca entra em contato por telefone ou WhatsApp com a população, e o sistema é totalmente gratuito. “Se em algum momento a pessoa tiver contato com algum site ou pessoas que oferecem intermediação cobrando taxa, já é um alerta. Pode parar por aí, porque seguramente não é do Banco Central”, explica Rodil.
CLAREZA
Apesar de várias notícias veiculadas sobre o assunto, entre muitas pessoas ainda não há total clareza sobre o dinheiro esquecido. É o caso do barbeiro, residente em Santos, Lucas Henrique Souza. “Não sabia deste número tão alto. Na verdade, ouvi alguma coisa de algum cliente, mas não ficou claro. Não sabia que as pessoas deixavam dinheiro no banco. Eu até gostaria de ter algo ‘esquecido’ no banco, mas não tenho”, brincou.
Já o segurança, Maurício Nunes Santos, morador da Zona Noroeste, afirmou saber dos R$ 9 bilhões, mas não sabia que poderia consultar valores. Segundo ele, até já teve um caso na família: “Não é que ficou esquecido. Na época, a informação é que estava retido. Quando a minha mãe faleceu, há alguns anos, ficou um dinheirinho no banco, mas era pouca coisa. Mas vou procurar saber se é possível sacar”, destacou.
COMO CONSULTAR
A consulta é gratuita e para verificar se possui dinheiro esquecido, é necessário acessar o site oficial https://valoresareceber.bcb.gov.br/. O sistema permite consultas tanto para pessoas vivas quanto para verificar recursos de pessoas falecidas. O ‘Valores a Receber’ é o serviço do BC para consultar se há dinheiro deixado de lado em algum banco e também em consórcios ou outras instituições, como as corretoras de valores.
Caso haja, o sistema mostra como resgatar os valores. É preciso ter conta gov.br, nível prata ou ouro. A criação da conta gov.br é gratuita e quem ainda não possui pode fazer o cadastro pelo site: https://sso.acesso.gov.br/.
Para solicitar valores de falecidos, há indicação no site: “Valores a receber de pessoa falecida”. É só aceitar o termo solicitado. Em seguida, informe CPF e data de nascimento da pessoa falecida. É preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para acessar os dados.


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