
Em comemoração aos 130 anos do cinema, a Universidade Católica de Santos (UniSantos) será palco do lançamento oficial da programação do 11º Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos, no dia 12 de junho, a partir das 18 horas. Com entrada gratuita e aberto ao público, o evento contará com um café de boas-vindas e show da banda 2K90, que interpreta trilhas sonoras marcantes dos anos 1980, 1990 e 2000.
Neste ano, o festival acontece de 24 de junho a 2 de julho e ocupará mais de dez espaços culturais da cidade, como a Cinemateca, Sesc Santos, Instituto Arte no Dique, Lagoa da Saudade, escolas públicas, praças e outros locais para democratizar o acesso ao cinema e formar novas plateias.
O tema da edição ‘Histórias que ecoam, lições que permanecem’ ressalta a importância de preservar a memória de artistas e episódios marcantes da história, não apenas para homenageá-los, mas também para evitar que certos erros se repitam. A proposta é promover um mergulho nas potências e fragilidades da sociedade contemporânea, valorizando criadores que costumam ficar à margem da grande mídia, celebrando a memória cultural e incentivando reflexões sobre os rumos do cinema brasileiro. “A ideia do tema surgiu justamente de reconhecer tanto as conquistas quanto os desafios da sociedade. Dar visibilidade a artistas que nem sempre estão sob os holofotes, mas que são essenciais”, explica André Azenha, cineasta e idealizador do festival.
A programação contempla desde longas-metragens nacionais inéditos até curtas universitários e produções locais, distribuídas entre sessões ao ar livre, viradas cinematográficas e mostras temáticas. O Cine Roxy exibe a mostra regional e recebe as estreias das novas mostras Universitária e Periférica – novidades na edição. “Criamos a mostra periférica para dar visibilidade a realizadores de áreas vulneráveis. E a universitária surge em um momento em que cursos como o da UniSantos estão formando novos cineastas. É uma porta de entrada para essa juventude”.
O Cine Arte Posto 4 sedia as mostras competitivas nacionais, além de retrospectivas e exibições de clássicos internacionais. Já a Mostra Humanidade, na Cinemateca, traz filmes com foco em cidadania e direitos humanos. No Sesc, haverá palestras, bate-papos e a Feira de Mídia Física. O Instituto Arte no Dique, além das sessões infantis, acolherá produções da periferia. Haverá ainda sessões acessíveis como o Cinema Azul (voltado ao público autista ou com sensibilidade sensorial), atividades em ONGs e apresentações para o público infantil em diversas regiões da cidade.
EXPOSIÇÃO ARTÍSTICA
Outra atração é a exposição ‘Ecos do Cinema Nacional – 20 Filmes na História do Santos Film Fest’, com cartazes de obras marcantes das edições anteriores reinterpretados por artistas da região sob curadoria da designer Márcia Okida, responsável também pela identidade visual desta edição.
O festival recebeu um número recorde de inscrições: foram 908 filmes, sendo cerca de 100 longas e mais de 800 curtas. A variedade e a qualidade das produções refletem a retomada do cinema brasileiro com o retorno dos incentivos culturais a partir de 2023. “É uma reconexão com o público, com a crítica, com os prêmios internacionais”, afirma Azenha.
HOMENAGEADOS
A cerimônia de abertura, no dia 24 de junho, no Cine Roxy, apresentará a pré-estreia do documentário ‘Chico Gomes: Triplo Domínio’, de Rodiney Assunção, que homenageia o músico santista criador de uma técnica inovadora para contrabaixo. Na mesma noite, Chico Gomes será imortalizado na Calçada da Fama do Roxy.
Entre os homenageados deste ano estão o próprio Rodiney Assunção, pelo seu trabalho documental em prol da memória regional; o cineasta Guilherme de Almeida Prado, conhecido por obras como “A Dama do Cine Shanghai” (1988); e a atriz Imara Reis, cujo trabalho atravessa mais de cinco décadas no teatro, cinema e TV. Ambos terão mostras retrospectivas no festival.
O centenário de Maurice Legeard, francês radicado em Santos que foi peça-chave para o desenvolvimento da cinefilia na cidade, também será lembrado. Criador da Cinemateca de Santos e do Clube de Cinema, Legeard ajudou a consolidar o pensamento crítico e o amor pelo cinema na região.
Outra homenagem importante será a Wanderley Camargo (Leyzão), fundador da FLIP Filmes e pioneiro do audiovisual na Baixada Santista. Com mais de 50 anos de atuação, ele teve papel fundamental na profissionalização do setor e na formação de gerações de realizadores.
O festival mantém viva a memória de três nomes fundamentais para o audiovisual santista: Toninho Campos, do Cine Roxy; Rubens Ewald Filho, crítico de renome internacional; e o já citado Maurice Legeard. “Se Santos tem hoje vocação cinematográfica, é porque ele começou lá atrás. Não pode ser esquecido”, destaca.
Os júris das mostras são formados por nomes de peso nas áreas de cinema, artes e educação. Entre eles, estão Jamer Guterres, Rogério Ferraraz, Márcia Okida, Delson Matos Gomes, a atriz Ondina Clais, entre outros.
Organizado pelo Instituto Cinezen Cultural, com direção de André Azenha e produção de Paula Azenha, o Santos Film Fest conta com apoio da Prefeitura de Santos, UniSantos, Sesc, Open House Idiomas, entre outros parceiros. “O festival nasceu do desejo de criar um espaço que acolhesse curtas, longas, filmes periféricos, universitários. E deu certo”, afirma Azenha.
A abertura promete um momento especial, com tapete vermelho, homenagens, venda de camisetas temáticas e encontros entre público e realizadores. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados no Cine Roxy, a partir das 18 horas do dia 24 de junho. “Sempre tem alguém que chora, que se emociona… E dali começa a maratona de nove dias de cinema pela cidade”, resume o criador do evento.
O encerramento, com a cerimônia de premiação, acontece no dia 2 de julho, na Open House Idiomas — escola decorada com murais do artista Waldemar Lopes que homenageiam clássicos do cinema.
SERVIÇO
Quando: 12 de junho, quinta-feira
Horário: 18 horas
Onde: Universidade Católica de Santos, Av. Conselheiro Nébias, 300 – Vila Matias
Entrada gratuita


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