Economia

Governo publica norma para se adequar à realidade da saúde mental no trabalho

29/05/2025 Mariana Nerome
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O Governo Federal publicou, na segunda-feira (26), a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais. A decisão estará em vigência obrigatória em maio de 2026. Até lá, a nova regra terá caráter apenas orientativo, sem aplicação de multas por descumprimento, estabelecendo um período de adaptação. A nova NR-1 estabelece que as organizações devem identificar e controlar fatores que possam gerar adoecimento psicológico, como estresse, assédio, sobrecarga e ambientes de pressão.

Para a advogada, Andrea Ferro, o fato de haver um período de adaptação de um ano, reflete a percepção do governo sobre as dificuldades enfrentadas pelas empresas. “Entendo que o governo percebeu a dificuldade das empresas em se adequar às novas diretrizes trazidas com a NR-1 por conta das implicações diretas no sistema de avaliação de riscos, agora, com ênfase nas questões psicossociais, e evitou multar sem explicar como deveria ser feito”, explica a especialista.

A principal mudança trazida pela norma será a necessidade de as empresas avaliarem a saúde mental dos colaboradores, motivada pelo grande aumento de afastamentos junto ao INSS por doenças relacionadas ao trabalho. No entanto, segundo Andrea Ferro, ainda há indefinições práticas: “A NR-1 não especifica a forma de apuração e avaliação a ser usada, ainda não há um padrão definido”, diz.

URGÊNCIA

A especialista comportamental, Priscilia Queiroz, relata que a norma representa mais que uma obrigação legal – é um “aviso de consciência” sobre a urgência da saúde mental no ambiente corporativo.

“Isso não é mais assunto alternativo, é pauta urgente. A NR-1 reforça que o cuidado com o trabalhador não é só sobre capacete e EPI, mas também sobre o que acontece dentro da cabeça dos trabalhadores”, destaca.

Priscilla enfatiza que o adiamento não deve ser visto como licença para procrastinar ações essenciais. “O adiamento funciona como uma bomba-relógio emocional. A mente humana vai armazenando tudo aquilo que é adiado, mas com juros e correção emocional”, diz.

SINAIS DE ALERTA

A especialista comportamental destaca a importância de as empresas desenvolverem capacidade de identificar sinais precoces de estresse nos funcionários. “Os sinais estão aí, gritando nos gestos miúdos: atrasos frequentes, queda no brilho dos olhos, mudanças bruscas de humor, dificuldade de foco, cansaço excessivo, cinismo no discurso”, enumera.

Para os próprios trabalhadores, ela recomenda autopercepção: “Irritação desproporcional, falta de prazer no que antes fazia sentido, insônia ou sono demais, dificuldade de tomar decisões simples – tudo isso pode ser sinal de que a mente está dizendo que precisa de atenção”.

RECOMENDAÇÃO

A advogada Andrea Ferro ainda identifica os setores mais impactados pelas mudanças: “Os setores da saúde vem sofrendo com problemas de saúde mental pela carga horária de 12 horas de trabalho, os bancários pela imposição de metas, trabalhadores em sistema home office sem definição de horário de trabalho, entre outros. A ansiedade é o mal do século”.

Durante este período de “carência”, que vai até maio do próximo ano, Andrea recomenda às empresas: “Treinamento para equipes e gestores, dinâmicas de descompressão, reavaliação da forma de cobranças e supervisão de pessoas ligadas à saúde como terapeutas, psicólogos – pessoas hábeis a lidar com o novo cenário. E isso vale para todos, inclusive os gestores e gerentes”.