
Um passeio pelo Centro Histórico de Santos ganha novos contornos neste sábado (31), às 9 horas, com o Foto CineTour – Cinema na Paisagem da XV. A experiência propõe uma imersão cultural e sensorial pela Rua XV de Novembro – a primeira Cinelândia da cidade –, conduzida pelo fotojornalista, cineasta e guia turístico Eduardo Ricci. O ponto de encontro é a esquina da Rua XV com a Praça dos Andradas.
Idealizado a partir do Mapa CineAfetivo — projeto que Ricci começou a desenvolver em 2018 — o tour convida o público a enxergar o cinema ‘na pele da cidade’, revelado nas fachadas, portas, janelas e gradis que guardam memórias. “A Rua XV de Novembro concentra muitas dessas camadas. É uma via marcada tanto pelo poder do café quanto pela presença cinematográfica, um território simbólico e histórico, que nos convida a refletir sobre a própria ideia de República e de civilização, e como essas ideias moldaram – e ainda moldam – o espaço urbano”, explica.
Com duração de duas horas e meia, o percurso explora uma rua que, no início do século XX, foi tanto a capital econômica do café quanto epicentro de uma efervescente cena cinematográfica. A proposta é redescobrir esse território por meio dos sentidos — visão, audição, tato, olfato e paladar — e revelar sua potência narrativa.
O roteiro, resultado de anos de pesquisa e caminhadas, conecta o cinema e o café não apenas como expressões culturais, mas como dispositivos de dominação, despertar e resistência. “O café é uma bebida que estimula o corpo e foi fundamental para o avanço da Revolução Industrial. Já o cinema nos embriaga com imagens e fantasias, moldando imaginários”, diz Ricci.
A escolha da Rua XV de Novembro é estratégica. Ali, o cinema de rua floresceu com salas como o Cine Moderno, Cine Bijou, Cine Paramount e o Politeama, na Praça Rui Barbosa. Ao mesmo tempo, a região abrigava a antiga Bolsa Oficial do Café — hoje museu — símbolo da riqueza cafeeira e da centralização do poder econômico. “O próprio prédio da Bolsa é um cinema em si, com sua arquitetura grandiosa e simbólica”, afirma Ricci. “A proposta é que os participantes fotografem a experiência do cinema e da cultura do café em uma rua que nem é tão extensa, mas carrega uma história monumental”, resume. Mais do que registrar imagens, o convite é ampliar os sentidos e provocar o olhar.
Segundo o idealizador, o Foto CineTour vai além da preservação da memória cultural: busca ressignificá-la. “Por que vemos tantos símbolos greco-romanos na arquitetura e tão poucas referências indígenas ou afro-brasileiras? Que histórias essa rua ainda guarda, prontas para serem contadas por outros olhares?”, questiona.
Durante o trajeto, cada parada — muitas em esquinas e encruzilhadas simbólicas — se transforma em ponto de escuta, contemplação e descoberta. “A gente vai ouvir o trem ao longe, sentir o cheiro do café, perceber as texturas da arquitetura, provar sabores nas cafeterias. É uma caminhada entre os sentidos, onde fotografia e cinema se entrelaçam na paisagem”, define Ricci.
A participação do público é parte essencial da experiência. “Faço provocações que estimulam novas percepções. Mesmo quem passa pela Rua XV todos os dias costuma se surpreender: ‘Nunca tinha reparado nisso’. É exatamente esse o objetivo — despertar olhares adormecidos, reconectar as pessoas com o cotidiano da cidade”, diz.
A trajetória multifacetada de Ricci — que une jornalismo, cinema e turismo — se reflete no caráter híbrido do passeio. “Sempre me interessei pelas entrelinhas do mundo. A fotografia e o cinema revelam sutilezas, tornam o invisível visível. E o papel de guia me permite estruturar essa experiência como uma viagem pela imagem, pela cidade e pela memória”, conclui.
As inscrições para a caminhada podem ser realizadas até sexta-feira (30) pelo site, no valor de R$ 58,00, via PIX para a chave [email protected] (Eduardo de Jesus Ricci).


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