Cena

Vitórias em Cannes fazem de 2025 o melhor ano do cinema brasileiro

26/05/2025 Gustavo Klein
Divulgação

O cinema brasileiro vive em 2025 um de seus momentos mais memoráveis. No último sábado no Festival de Cannes, O Agente Secreto conquistou dois dos principais prêmios: Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho. O filme, ainda inédito no Brasil, é ambientado nos anos 1970, em plena ditadura militar, e acompanha a trajetória de um professor que deixa São Paulo para escapar de um passado sombrio. Ele se muda para Recife, buscando anonimato, mas encontra uma cidade marcada pela opressão, onde suas memórias e segredos voltam à tona.

A atuação de Moura foi celebrada como uma das mais poderosas do festival, e a direção de Kleber Mendonça reafirmou sua posição como um dos grandes nomes do cinema internacional. A recepção crítica tem sido unânime: trata-se de uma obra densa, politicamente incisiva e esteticamente precisa.

O sucesso de O Agente Secreto se soma a outra grande vitória brasileira em 2025. Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional. O drama, também situado durante a ditadura militar, traz uma narrativa profundamente humana sobre memória, resistência e relações familiares marcadas pelo trauma político. Fernanda Torres, em atuação consagradora, também venceu, em janeiro, o Globo de Ouro de Melhor Atriz, tornando-se o rosto simbólico desse novo momento do cinema nacional.

­­Nas bilheteiras, os resultados impressionam: Ainda Estou Aqui ultrapassou 7 milhões de espectadores no Brasil e arrecadou mais de R$ 95 milhões mundialmente. Já O Agente Secreto, antes mesmo de estrear, foi vendido para dezenas de países e deve se tornar um dos maiores lançamentos nacionais da década.

Sucesso de crítica e nas premiações e sucesso, também, nas bilheterias. Para além dos prêmios, filmes como O Auto da Compadecida 2, continuação do grande sucesso de Guel Arraes, o drama Vitória (com Fernanda Montenegro), Homem com H, biografia de Ney Matogrosso e até o infantil Chico Bento mostram que o público, quando o cinema deixa de ser feito para nichos ou segmentos intelectuais e passa a dialogar com a maioria da população, consome e adora as produções feitas por aqui. Que a boa fase continue, que não retrocedamos nem um milímetro e que o cinema brasileiro se descubra uma indústria de fato, capaz de fazer, com qualidade e sem medo de ser popular, todos os gêneros e para todos os públicos.