
A Cidade de Cubatão, que faz aniversário hoje, dá mais um passo significativo na valorização de sua cena literária com o lançamento da Revista Cuipatã, um projeto dedicado a promover um espaço de pensamento crítico, independente e de qualidade na Baixada Santista. Com o objetivo de fortalecer o debate cultural, a revista abre as inscrições para a primeira edição, que trará um dossiê especial sobre os 40 anos do incêndio da Vila Socó. Os textos poderão ser inscritos até o dia 25 de abril.
A revista será um ponto de convergência para textos que reflitam sobre as produções literárias, artísticas, filosóficas, culturais, políticas, estéticas, urbanas e ambientais de Cubatão e de toda a Baixada Santista, com edição dos escritores e professores cubatenses Douglas Gadelha, Marcio Gregório Sá e Milton Ricardo Jr.
Segundo os editores, a região é vibrante, com artistas publicando suas obras nas mais diversas linguagens, desde teatro, cinema e literatura até festivais de dança e concertos musicais. Apesar dessa efervescência artística, falta um espaço crítico para avaliação e reflexão dessas manifestações culturais. É nesse contexto que a Revista Cuipatã surge, com a proposta de ser um veículo impresso de qualidade que oferece uma plataforma para a discussão e publicação de textos literários e culturais relevantes.
Douglas Gadelha, um dos idealizadores, destaca que a revista nasceu da necessidade de criar um lugar de reflexão crítica. “Muitos escritores da nossa região não têm acesso a revistas literárias onde possam publicar, e essa falta de espaço também é um reflexo da ausência de um espaço de crítica. Nossa missão é preencher essa lacuna e, ao mesmo tempo, unir escritores iniciantes com autores consagrados, criando um veículo de pensamento impresso e de alta qualidade”.
O projeto, que é financiado exclusivamente com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Cubatão (Edital 04/2024), conta com a realização do coletivo literário Comuna Negra (Cubatão) e terá uma periodicidade semestral. Cada edição abordará acontecimentos, autores ou questões regionais de relevância, com a primeira edição focando no incêndio da Vila Socó, um dos maiores desastres na história da cidade.
Gadelha explica que a escolha do tema se deve ao impacto duradouro do incêndio, ocorrido em 1984, que afetou profundamente a comunidade cubatense e gerou repercussão nacional. “É uma tragédia que ainda precisa ser discutida. Ao longo desses 40 anos, houve mobilizações e até uma peça teatral sobre o assunto. Eu sou cubatense e vivi essa realidade; minha família também passou por esse drama. Esse é um tema que permite diversas interpretações – políticas, jurídicas, ambientais, além de abrir espaço para abordagens poéticas e musicais. O incêndio ainda é um assunto não resolvido, e é fundamental trazê-lo à tona de uma forma crítica”.
O coordenador editorial da revista é Ademir Demarchi, que completa dizendo que o objetivo principal é estimular a participação do público e fomentar um diálogo reflexivo sobre os temas abordados. “Queremos criar um espaço onde as pessoas possam se expressar e discutir de forma livre e profunda”.
Com uma sólida experiência editorial, Demarchi, fundador da revista de poesia Babel, destaca que o projeto se concentrará inicialmente em Cubatão e seu tema central. “O primeiro edital é focado na cidade, mas temos a intenção de expandir a discussão e fazer a revista crescer com o tempo.”
Em 2024, o coletivo de teatro 302 encenou a peça Vila Socó, atualizando a tragédia com uma leitura política e dramatúrgica. A Cuipatã reforça a importância de revisitar esse desastre nacional sob uma perspectiva intelectual e cultural, promovendo a reflexão crítica necessária sobre o ocorrido.
A revista convida artistas, pesquisadores, escritores, professores, ativistas, jornalistas e qualquer pessoa interessada em contribuir com textos sobre o tema a participar da chamada aberta. Podem se inscrever autores de qualquer região do Brasil, tanto os já publicados quanto os iniciantes.
Os textos podem ser submetidos em duas categorias: Ensaio e Literatura. Os ensaios serão voltados para o Dossiê Vila Socó e podem abordar a tragédia sob perspectivas críticas nas áreas de literatura, artes visuais, teatro, fotografia, poesia, filosofia, cultura, ciências sociais, política, direito, urbanismo e meio ambiente. Já no segmento literário, serão aceitos textos em prosa (crônicas, contos, resenhas, entrevistas) ou poesia, relacionados ou não ao tema central.
As obras devem ser inéditas e não podem ter sido publicadas em nenhum outro meio. Na categoria Ensaio, os textos devem ter entre três e sete páginas, enquanto Literatura tem como limite uma a cinco páginas.
Os envios devem ser feitos até 25 de abril, com inscrição gratuita através do formulário, que pode ser acessado pelo QR Code abaixo, preenchido corretamente.


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