Inclusão

Abril Azul: Desmistificando o autismo para a conscientização

05/04/2025 Isabela Marangoni
Envato

O mês de abril é dedicado à campanha Abril Azul, uma ação mundial que tem como objetivo ampliar o conhecimento da sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, a campanha reforça a importância da inclusão e do respeito às pessoas autistas. O ponto alto dessa mobilização é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado no dia 2 de abril.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta áreas essenciais da comunicação e comportamento, modificando a forma como a pessoa interage com o mundo. Identificar precocemente o transtorno é fundamental, pois os sinais iniciais podem incluir dificuldades na interação social, como a falta de contato visual e a ausência de atenção compartilhada, além de atraso na comunicação verbal e não verbal, como gestos ou falta de intenção comunicativa.

A psicóloga Paola Buck Gianini esclarece que o TEA é um espectro porque apresenta diferentes níveis de comprometimento. “Quando o transtorno está associado à deficiência intelectual ou à ausência de linguagem, o suporte necessário é mais intenso”, explica. “No entanto, mesmo em casos sem deficiência intelectual, onde a pessoa pode ter altas habilidades, a rigidez nos comportamentos pode exigir grande apoio”. Ela destaca ainda que as abordagens terapêuticas devem ser baseadas em práticas científicas, como a Ciência Comportamental, a Terapia Cognitivo-Comportamental e a RFT (Teoria das Molduras Relacionais), todas recomendadas no tratamento do TEA.

A falta de informação sobre o transtorno, segundo Paola, continua sendo um dos maiores desafios para a inclusão social das pessoas com TEA. “O principal obstáculo que eles enfrentam é a escassez de políticas públicas adequadas, que atendam desde a estimulação precoce até a fase adulta”, afirma. “Além disso, o estigma em torno do diagnóstico e a ideia capacitista de que a pessoa com TEA precisa se adaptar ao ambiente para ser incluída são grandes barreiras.”

A JORNADA DE SELMA E LEANDRO

Selma Alves, mãe de Leandro Monteiro, um autista nível 1 de suporte, de 31 anos, compartilha sua experiência com o diagnóstico do filho. “O primeiro sinal de que algo precisava de mais atenção foi aos seis meses, quando ele não conseguia sentar sozinho”, recorda. Após diversas consultas e exames, o diagnóstico de TEA foi confirmado quando ele tinha 1 ano e 11 meses. “Na época, eu não sabia o que era o autismo. A médica me explicou e começamos as terapias na Casa da Esperança”, conta.

Durante toda a infância de Leandro, Selma foi rigorosa em manter a rotina de terapias, independentemente das dificuldades, seja com chuva ou calor intenso. “Eu estava sempre lá para garantir o melhor para ele”, diz. Atualmente, já adulto, Leandro ainda depende da mãe para muitas atividades cotidianas, mas ela enfatiza a importância do suporte terapêutico contínuo. “A terapia foi essencial para a qualidade de vida dele”, destaca.

Selma deixa um conselho para os pais que têm filhos com indícios de autismo: “Tenham paciência e busquem lugares que possam oferecer apoio terapêutico, como escolas, esportes e terapias. Isso fará toda a diferença”.

A LUTA DE MARIANA E DANIEL LUCAS

Mariana Molina, mãe de Daniel Lucas, de 9 anos, diagnosticado com TEA nível 1 de suporte e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), e de Maria Helena, de 6 anos, com suspeita de autismo ou síndrome de Down, compartilha como a agitação de Daniel levantou as primeiras suspeitas de autismo. “Ele corria pela casa desde pequeno. Aos seis meses começou a falar, mas aos sete, passou a esquecer palavras e quando fez 1 ano regrediu completamente”, conta. Só aos 4 anos Daniel começou a fazer terapias e, com o tempo, retomou seu desenvolvimento.

Mariana revela que o diagnóstico do filho mudou completamente sua rotina. “Eu precisei reorganizar minha vida em torno das terapias e consultas médicas. Ele precisa de acompanhamento de vários especialistas, o que exige tempo e dedicação constantes”, explica. Ela admite que, por vezes, a pressão é intensa, e a mãe chegou a enfrentar um princípio de depressão devido à sobrecarga emocional e física. “São muitas responsabilidades. A pressão é muito grande”, confessa.

Apesar das dificuldades, Mariana destaca a importância do apoio terapêutico. “O início foi muito difícil, chorei muito e me culpei, mas depois que aceitamos, fomos atrás de terapias que ajudaram muito no desenvolvimento dele”, lembra.