
O Roxy Dinner Show, em Copacabana, no Rio de Janeiro, foi considerado um dos melhores lugares do mundo para visitar em 2025 pela Revista Time. É um espaço inaugurado há seis meses que com bina gastronomia sofisticada e entretenimento de alta qualidade, que tem à frente do restaurante o santista Caio Silva, 35 anos, chef executivo com um currículo com muitas experiências nacionais e internacionais em hotéis e restaurantes. Formado em gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo, se especializou em Culinária Mediterrânea pela Les Roches School of Hotel Management, na Espanha, além de pós-graduação em Gestão de Alimentos e Bebidas pelo SENAC. Atuou em restaurantes como o Waldorf Astoria. em New Orleans, D.O.M e La Mar Cebicheria Peruana em São Paulo, Costa Cruzeiros na Itália e o Hilton Hotel em Orlando. Durante sete anos na Bahia trabalhou como chef no Campo Bahia Villas & Spa e no Banzé Restaurante. Passou pelo Hilton Porto Alegre, além de participar e dar apoio na abertura do Hilton Santa Marta na Colômbia, realizar forças-tarefas no Hilton Garden Inn em Montevidéu e no Hilton Conference Center em Trinidad, no Caribe. Confira sua entre vista e a receita especial que selecionou para nossos leitores:
Santos ainda tem espaço na sua agenda corrida?
Nasci e morei em Santos até os 17 anos de idade, quando sai para fazer faculdade em São Paulo e logo comecei a vida de cozinheiro viajante. Voltei dos Estados Unidos e ficou sete anos na Bahia, ficou dois anos e meio no Sul e agora estou no Rio de Janeiro. A família e meus melhores amigos, dos tempos do Colégio Objetivo, continuam em Santos. Pelo menos uma vez por ano volto para a cidade e sempre falamos por mensagens. Apesar de santista e de ter jogado muito futebol na praia, sou corinthiano.
Como surgiu a vocação?
Sempre gostei de cozinhar desde pequeno, com dez anos eu já ousava fazer uma lasanha, um bife à parmegiana acompanhava minha mãe na cozinha aos domingos. Foram muitas influências, como minha avó, um tio de origem italiana, eu ia pegando referências. Quando resolvia fazer uma festa em casa, na adolescência, combinava que eu cozinharia e os amigos cuidavam da organização e da limpeza, era uma forma de fugir da louça. Cuidava dos churrascos, da comida nos finais de semana em cidades próximas do Litoral e até fazia paella, ainda bem jovem. Gosto de praia, mas nunca fui surfista, só aproveitava e jogava futebol no Canal 6, área em que eu crescei.
Foi fácil escolher a profissão?
Sempre tive essa aptidão de cozinhar, até nas festas de família, mas na hora de escolher a profissão ainda fiquei na dúvida entre profissões mais tradicionais, como Administração ou Relações Institucionais, também gostava de aprender outras línguas e me interessava por outras consultas. Eu vi que Gastronomia era uma faculdade rápida e teria a oportunidade de viajar e conhecer o mundo. Comecei a faculdade, pesquisei intercâmbios e no primeiro semestre já fui viajar para um curso na Espanha. Depois fiz um intercâmbio em Nova Orleans, nos Estados Unidos. Trabalhei em navio de cruzeiro, era terceiro cozinheiro.
E como foi essa experiência embarcado?
Foi uma excelente escola, e depois disso tudo fica mais fácil. Preparar refeições para 5 mil pessoas é desafiador. Não acho que voltaria para esse tipo de trabalho, pois exige abrir mão de muitas coisas. A rotina é intensa, com jornadas de 12 a 14 horas por dia e muito pouco tempo para explorar os lugares. Conheci a França, Espanha e Itália, mas o trabalho não me permitia aproveitar. A cozinha do navio era a maior em que trabalhei, com 300 cozinheiros. Quando deixei o navio, senti que estava mais seguro para seguir na minha carreira.
O que vale mais nas viagens e nos lugares novos?
O contato com diferentes culturas, temperos e modos de preparar os alimentos. As referências que você absorve em cada lugar moldam o tipo de chef que você se tornará. Morar na Bahia, por exemplo, me proporcionou o contato com ingredientes que nunca havia visto antes. Aprendi muito lá e, por isso, adoraria voltar. Foi também onde conheci minha esposa, Mariana.
Você tem uma especialidade?
Minha especialidade é a culinária mediterrânea. Sempre gostei de massas e carnes, especialmente da parte quente da cozinha. Também preparo bem frutos do mar e risotos. A culinária mediterrânea é diversificada e equilibrada, combinando peixes, massas, carnes e vegetais, o que permite variações saborosas e saudáveis.
Como é o Roxy, onde chefia o restaurante no Rio?
O Roxy Dinner Show é uma casa de shows com restaurante, idealizada há dois anos por Alexandre Acyoli. Fui convidado para comandar a cozinha. O Roxy, um cinema fundado em 1938, foi reaberto após a pandemia e agora oferece um espetáculo fixo chamado “Aquele Abraço”, dirigido por Abel Gomes. O musical celebra a pluralidade da cultura brasileira, com números de boi bumbá, axé, sertanejo e Carnaval. O menu é inspirado na comida brasileira contemporânea, em sintonia com o espetáculo.
O que é mais importante para um chef?
Relacionamento é fundamental. A liderança sobre a equipe é crucial, especialmente em um ambiente tão intenso como o de um restaurante que atende de 400 a 500 pessoas por noite. Durante o dia, o trabalho é mais tranquilo, com a preparação das refeições e a organização do serviço. Mas, na hora do movimento, é pura adrenalina. Para lidar com isso, é essencial ter controle, organização e habilidades de comunicação. A gestão e o controle financeiro também são essenciais, pois lidamos com materiais perecíveis. Atualmente, minha principal função é na gestão, embora também participe das degustações e do planejamento do trabalho.
Com tantas viagens, qual o melhor aprendizado?
O maior aprendizado foi perceber a importância da gestão. Cozinhar, hoje em dia, é também saber como lidar com pessoas. Controlar os relacionamentos com clientes e colaboradores não é tarefa fácil, é preciso ter jogo de cintura. Fui aprendendo sobre hospitalidade ao longo do tempo. Minha primeira viagem internacional, para a Espanha, aos 18 anos, foi marcante. Ali começou meu desejo de crescer profissionalmente, e desde então não parei mais de buscar novos desafios.
Qual o prato preferido? E restaurante em Santos?
Meu prato preferido é lasanha. Em Santos, tenho boas memórias do restaurante Mal Del Plata, onde comia peixe com camarão e linguado. Também gostava dos restaurantes Van Gogh e Liliana.
Quem cozinha em casa?
Sou eu quem cozinha em casa. Mariana, minha esposa, é mineira, mas se criou na Bahia e não tem muita habilidade na cozinha, embora a pipoca dela seja melhor que a minha. Gosto de cozinhar à vontade em casa, aproveitando para ser criativo. O melhor programa é ficar em casa, vendo séries. Como estou sempre me atualizando, momentos assim são ótimos para desconectar da rotina profissional.

PAELLA MEDITERRÂNEA (Rende 6 porções)
Ingredientes:
– 2 xícaras de arroz bomba (ou arbóreo, se preferir)
– 1 litro de caldo de peixe caseiro (feito com cabeças e espinhas)
– 300g de camarões grandes com casca
– 300g de mexilhões frescos
– 200g de lulas em anéis
– 200g de polvo cozido e fatiado
– 1 posta de peixe branco firme (robalo) em cubos
– 100g de linguiça curada espanhola (chorizo) em fatias finas
– 1 cebola roxa picada
– 2 dentes de alho picados
– 1 pimentão vermelho em tiras
– 1 pimentão amarelo em tiras
– 2 tomates maduros sem pele e sem sementes, picados
– 1 colher de chá de páprica defumada
– 1 colher de chá de açafrão espanhol (ou cúrcuma)
– Azeite de oliva extra virgem a gosto
– Sal marinho e pimenta-do-reino a gosto
– Salsinha fresca picada para finalizar
– Fatias de limão-siciliano para servir
Modo de Preparo:
1.Base de sabor mediterrânea:
Aqueça um fio generoso de azeite de oliva em uma paellera ou frigideira grande. Doure os camarões rapidamente e reserve. Em seguida, sele os cubos de peixe e o chorizo, retirando-os quando estiverem dourados.
2.Sofrito tradicional:
No mesmo azeite, refogue a cebola roxa e o alho até ficarem translúcidos. Acrescente os tomates picados e os pimentões, cozinhando até obter um molho encorpado. Adicione a páprica defumada e misture bem.
3.Arroz e caldo:
Incorpore o arroz bomba à panela, mexendo levemente para absorver os sabores do sofrito. Dissolva o açafrão no caldo de peixe quente e despeje na paellera, espalhando o arroz de maneira uniforme. Não mexa mais para garantir a formação da tradicional crosta no fundo, chamada socarrat.
4.Frutos do mar e finalização:
Quando o arroz estiver quase cozido (cerca de 15 minutos), distribua as lulas, os mexilhões e o polvo sobre a paella. Retorne os camarões e os cubos de peixe à panela, deixando cozinhar por mais 5 minutos.
5.Finalizando com frescor mediterrâneo:
Ajuste o sal e a pimenta, finalize com salsinha fresca e sirva com fatias de limão-siciliano, que realçam os sabores do prato.

A paella do Chef Caio Silva é uma verdadeira homenagem ao Mediterrâneo, trazendo equilíbrio entre tradição e sofisticação. Perfeita para reunir amigos e família ao redor da mesa, celebrando a boa gastronomia!
Serviço
Roxy Dinner Show
Endereço: R. Bolívar, 45 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ, 22060-001 / Tel.: (21) 3032-9130. Os ingressos devem ser comprados com antecedência, clique aqui.
Funcionamento: de quinta a domingo




Deixe um comentário