
“Em nome de Deus!” “Pela minha família!” “Pelos meus filhos!” “Pelo meu cachorro!”
Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, os brasileiros (favoráveis ou contrários ao afastamento da presidente) ficaram estarrecidos com o (baixo) nível dos deputados federais que se apresentavam ao microfone para votar. Mas nenhum deles foi parar lá pelo poder divino: todos foram votados e eleitos pela população —o que indica o despreparo do eleitor para escolher seus representantes. O dia 7 de outubro é uma oportunidade para mudar esta situação mas, para isso, o cidadão precisa tomar algumas precauções.
O voto em candidatos a parlamentares (deputados estaduais, federais e senadores) de qualidade duvidosa é uma consequência direta do desinteresse dos cidadãos brasileiros pelo processo eleitoral, do desconhecimento das atribuições do Poder Legislativo e também ao fato de as disputas para o Poder Executivo (principalmente para presidente da República) atraírem mais atenção.

Mas episódios recentes comprovam a importância do Poder Legislativo, como o próprio impeachment de Dilma Rousseff e a aprovação de “pautas bomba” que inviabilizam um governo, ou de projetos que atendem setores específicos da sociedade, em prejuízo da grande maioria da população.
Eleitor não pode abrir mão do seu poder
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O cientista político Fernando Chagas destaca a importância de o eleitor brasileiro escolher seus candidatos ao Poder Legislativo com responsabilidade. “Apesar do descontentamento com os políticos, quem não votar simplesmente deixará que outros decidam o destino do país no seu lugar”, alerta.
Jornal da Orla – Independentemente da orientação ideológica (direita, centro, esquerda), o que o eleitor deve levar em consideração na hora de escolher um candidato ao Poder Legislativo?
Fernando Chagas- Inicialmente, o eleitor deve verificar o passado do candidato, avaliando, quando for o caso, as suas ações governamentais ou projetos legislativos e, obviamente, os efeitos de suas iniciativas. Depois, analisar as suas propostas eleitoras, para checar se elas são compatíveis com as funções de legislador e se são realistas, já que o parlamentar tem limitações constitucionais para legislar. É importante também pesquisar as ações e condenações judiciais dos candidatos, envolvendo a administração pública, para ter certeza de que o político merece o voto. Finalmente, comparar se as promessas do candidato são compatíveis com a sua vida pública, para o eleitor não se decepcionar com o comportamento do político no futuro, acreditando que jogou o voto fora.
JO- O que um candidato a deputado pode prometer e o que não pode?
Fernando Chagas- O candidato a deputado pode prometer que vai apresentar projetos de lei que não criem despesa para o governo, sendo viáveis propostas que aperfeiçoem as legislações existentes, como leis ambientais, de mobilidade urbana, de defesa do consumidor, de cultura e de esporte, dentre outras. O candidato ao Legislativo não pode, em nenhuma hipótese, prometer que vai construir escolas, hospitais, presídios e obras públicas em geral. Além disso, o postulante a uma cadeira da Câmara Federal não pode dizer que vai aumentar o salário mínimo, elevar o salário do servidor público, criar empregos, diminuir juros bancários e demais atribuições do Presidente do País. Nem dizer que vai acabar com a dívida pública.
JO – Muita gente diz que vai anular ou votar em branco para deputado. Quais as consequências disso?
Fernando Chagas- Apesar do descontentamento do povo brasileiro com a política e os políticos, se o eleitor não comparecer às urnas eletrônicas no dia 7 de outubro, para escolher um deputado como seu representante na Câmara Federal, ou ainda anular ou voto ou votar em branco, ele simplesmente deixará que outros decidam o destino do País no seu lugar. Se o cidadão pretende mudar o País, como mostram as pesquisas de intenção de voto, ele precisar votar em alguém, justamente para evitar que a situação continue como está. As mudanças econômica, social e política dependem dos votos dos brasileiros.
Tinder da política

Assim como há aplicativos e sites que ajudam a encontrar relacionamentos amorosos, também existem outros que ajudam o eleitor a definir seu voto. Confira alguns:
Tem meu voto- No site, o leitor responde a sete perguntas e depois recebe uma lista de candidatos que possuem mais afinidade às suas respostas.
Match eleitoral- O jornal Folha de S. Paulo também lançou o seu “site de relacionamentos” eleitor-candidato. Entre os temas questionados estão casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto, pena de morte, privatizações e reforma da Previdência.
Appoie– Aplicativo que mostra processos a que todos os políticos do país respondem
Me representa – Aplicativo que lista políticos pró-direitos humanos.
Quem me representa- Relaciona as votações de cada deputado, de acordo com o tema
Vota SP – Também lista afinidades entre o eleitor e os candidatos
Calculadora de Afinidade Eleitoral – Disponível no site, compara as posições políticas do eleitor com as dos candidatos a presidente.
Atlas político- Avalia o desempenho de parlamentares, em relação a assiduidade, relevância dos trabalhos e fidelidade partidária.
Porém, e sempre tem um porém, há sites que, a pretexto de ajudar a orientar o eleitor, busca na verdade “puxar a sardinha” para a brasa de alguns candidatos. O site www.politicos.org.br, por exemplo, dá notas altas apenas a políticos afinados com posições mais à direita do espectro político ou mesmo envolvidos em escândalos de corrupção.



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