Os espanhóis e os mexicanos têm uma frase que resume um período de adversidade, de coisas ruins, que acontece com uma pessoa: “mala suerte” (toc, toc, toc, três vezes na madeira). Pois é.
Talvez a expressão possa ser utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro, que vê seu sonho de reeleição cada dia mais distante.
Segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, de vários institutos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria Bolsonaro no segundo turno por ampla vantagem.
Ainda existe a possibilidade de Lula ganhar no primeiro turno.
A rejeição ao governo Bolsonaro já passa de 60%.
O quadro pode mudar?
Pode, afinal a história mostra que a política é como uma nuvem. As coisas mudam muito rápido.
Mas com sua notória capacidade de não conseguir raciocinar de forma inteligente, Bolsonaro pode pensar e dizer que a culpa é da Globolixo, da imprensa comunista…
De fato, no curralzinho montado na porta do palácio, onde fala diariamente com seus seguidores, Bolsonaro é aclamado: “mito!”, “mito!”, “mito!”.
Provavelmente os gritos de “mito” e suas espetaculares motociatas pelo país lhe passem a falsa sensação de que é um líder amado pela grande maioria do povo brasileiro.
Bolsonaro tem sim uma legião de seguidores que o adoram.
São milhões, mas eles são minoria e, portanto, incapazes, neste momento, de lhe garantir um segundo mandato.
O Brasil é um país estranho.
Milhares de eleitores votaram em Bolsonaro para tirar o PT do poder, mas acabaram decepcionados com a forma como o presidente governa.
Incrível, não?
Mas muita gente que estava com raiva do PT, e votou no atual presidente, é capaz agora de votar em Lula para tirar… Bolsonaro.
Diante de tudo que estamos vendo, na política, no STF, no Congresso, é bastante provável que até Freud tivesse dificuldades de entender o que se passa no Brasil.
Na Capital da República, com seus luxos e privilégios, todos eles vivem um mundo paralelo. Literalmente, para eles, a vida é bela.
O fato é que a “mala suerte” de Bolsonaro é responsabilidade dele mesmo.
A Globolixo, como ele costuma dizer, não tem nada a ver com isso.
Vamos aos fatos:
Bolsonaro perdeu uma grande chance de, após a eleição, pacificar o país.
Ao contrário, dobrou a aposta na radicalização e isso provocou um efeito colateral devastador na sociedade.
Aumentou a violência, dividiu famílias, destruiu amizades de anos.
Conheço muitas pessoas que se gostavam e hoje não se falam mais por causa de política.
Na esfera administrativa, ao se negar a comprar vacinas que lhe foram oferecidas em 2020, por simplesmente acreditar na chamada imunidade de rebanho, e ao negar a ciência, Bolsonaro contribuiu para que o Brasil fosse o segundo país do mundo com mais mortes pela Covid-19.
Cientistas afirmam que entre 200 mil a 400 mil vidas teriam sido poupadas se o governo tivesse trabalhado corretamente no combate à pandemia.
A cena de Bolsonaro tirando a máscara de uma criança é o registro para a história de sua gigantesca ignorância.
Ofensas a jornalistas, ameaças à democracia, palavrões, negacionismo, desprezo às diferenças, tudo isso revela que Bolsonaro jamais esteve à altura do cargo para o qual foi eleito.
E tem a carestia para tirar o sono de Bolsonaro.
Preços do gás, energia elétrica, gasolina, carne, remédios etc explodiram.
É a maldita inflação de volta.
Os pobres passam fome, a classe média sofre, enquanto os milionários e os bancos faturam alto com a pandemia.
Não bastasse, agora surgem com força denúncias de que Bolsonaro poderia estar envolvido em casos de corrupção.
O tempo dirá até onde são verdadeiras. Melhor aguardar.
Mas é fato que a “mala suerte” de Bolsonaro não é obra do destino.
O presidente tem-se revelado aquele sujeito que faz questão de atravessar a rua para escorregar na casca de banana.