Colunistas Saúde e Sociedade

Meio e fim do Ambiente

16/11/2021
Meio e fim do Ambiente | Jornal da Orla

Ecologia, para alguns, ainda soa como algo distante da rotina das cidades, como se o meio ambiente fosse, tão somente, um tema de interesse das zonas de mata, especialmente da floresta amazônica. Para outros, um catastrofismo, de fim de mundo, que não nos atingirá. 

Mas o tempo não para. Somos quase 8 bilhões de humanos no planeta e o Brasil já acumula 215 milhões de habitantes, sendo o sexto país mais populoso do mundo. Nasce, em média, 6.000 brasileirinhos por dia. É muita gente para ser feliz, para se alimentar, estudar, se utilizar do sistema de saúde, frequentar as escolas e usar os transportes. Os recursos para tanto são retirados do meio onde vivemos, o planeta terra; desde o petróleo do subsolo e das profundezas do mar, aos alimentos cultivados no solo e a água servida. E, mais que isso, além de extrairmos essas riquezas, de modo quase compulsivo, produzimos outros tantos produtos artificialmente, cujos resíduos são deixados no entorno onde vivemos. Usamos a natureza e produzimos lixo, orgânico e inorgânico, natural e artificial. Alguma outra espécie animal faz isso? 

A pergunta que não calar, mas que fingimos não ouvir é, por que agimos assim, de forma tão predatória? 

Graças ao estudo da genética, sabemos que os homo sapiens são descendentes de uma mulher africana que viveu há 200 mil anos – a “Mama África”, cantada por Xico Cesar. 

Nômades, os humanos pré-históricos eram caçadores -coletores, ou seja, viviam da caça, pesca e da coleta de alimentos; e, somente por volta de 10 mil anos atrás, aprendeu a plantar. Com a agricultura, os povos não precisavam mais sair em busca de alimentos quando esses se esgotavam. A vida era organizada em tribos e não existia propriedade, paternidade ou Estado. Não existia obesidade. As pessoas só comiam o necessário para a sobrevivência  e não eram sedentárias. 

Quando o ser humano se fixou em um território, sua evolução mudou. Plantou, esperou a planta crescer. Colheu mais do que precisava, acumulou. O excesso de produção fez surgirem as trocas, a posse, a maternidade, e o Estado para proteger a propriedade e os proprietários. Surgiram as técnicas de venda, o individualismo, a ambição, as guerras, a destruição. E o conforto. As artes e todas as formas de comunicação se ampliaram. Passamos a viver mais tempo, e com mais qualidade individual de vida. No entanto, o que precisamos saber é, por quanto tempo nossa espécie sobreviverá para se manter o nível de consumo atual e a correspondente produção de resíduos? Quem abrirá mão deste modelo de desenvolvimento baseado na espoliação da natureza e do homem?

Não tenho a resposta, mas o dever de provocá-la.