Saúde e Sociedade

Céu azul

05/11/2021
Céu azul | Jornal da Orla

 Neste mês de novembro, espero voltarmos a ver o céu azul novamente. Há quanto tempo estamos nesse chove e não molha, faz frio e nada de sol. Penso naquele sol de “respeito” que caracteriza nosso lugar e nos deixa mais alegres. E reclamando. Sim, é sempre a mesma coisa, se chove, reclamamos; se tem estiagem, reclamamos. Talvez, o que mais os funcionários do serviço de meteorologia recebam é xingamento. Verdadeiras mães de juiz de futebol! 

Que a justiça seja feita. O serviço de meteorologia brasileiro melhorou muito. Mas, o que fazer se esse tempo está cada vez mais louco?! 

Não é à toa que está acontecendo a COP-26. A Conferência das Partes da Convenção-Quadro nas Nações Unida sobre as Mudanças Climáticas, acontece em Glasgow, na Escócia, reunindo representantes de 196 países signatários do Acordo de Paris. O nome da conferência é extenso e complicado, a importância do tema e o debate também. 

Além do debate técnico, certamente, as questões políticas falarão mais alto. Imaginem a China sendo o terceiro maior país do mundo em extensão territorial e o mais populoso com mais 1,3 bilhão de habitantes? Eles são o 3º PIB (Produto Interno Bruto) do mundo, somente superado pelo Japão e EUA. 

A China consome 21% de toda a energia produzida no mundo. De onde iriam tirar tanta energia para sustentar tamanha economia? Natural que fosse do carvão – eles possuem uma das maiores reservas de carvão do mundo, de onde vêm 70% da energia nacional. 

Associado ao uso do petróleo e do gás natural também em grande escala, o país é o maior emissor de CO2. Com isso, as grandes cidades vivem, principalmente, no inverno, debaixo de uma grande fumaça, produzida pelas termelétricas e pela queima de petróleo pelos automóveis, caminhões, ônibus e carros de passeio. O resultado disso é que, segundo o Banco Mundial, na China estão 20 das 30 cidades mais poluídas do mundo. E, ao contrário do que podíamos imaginar, os chineses já são habituados ao uso de máscara faz tempo. Com a poluição do ar, produz-se mais secreção respiratória, por isso não é raro vê-los raspando a garganta, seja lá onde estiverem. Um pouco constrangedor. Das primeiras vezes que testemunhei essas cenas indescritíveis, imaginei a falta de educação e o desalinho social dos chineses. Só então fui entender por que tanta raspação de garganta. Justificável, mas desagradável.

Mas, dos males, este é pior. O excesso de gases de efeito estufa, como já citado, o Dióxido de Carbono, o Metano e Óxido Nitroso, dentre outros, absorvem parte da radiação infravermelha emitida pelo sol e refletida para a superfície da terra, dificultando o escape deste calor para o espaço. Com a formação dessa estufa, o resultado é o aumento da temperatura global com aceleração da elevação do nível do mar, derretimento do gelo nos polos e o surgimento de eventos climáticos extremos; frio intenso e prologado, ventanias atípicas e inundações.

O mundo científico quer estipular o máximo de aquecimento global acumulado em 1,5°C, como um objetivo factível para mitigar os prejuízos naturais já em curso.

O Brasil é o sétimo país que mais emite gases de feito estufa, nem tanto por sua industrialização cuja participação na economia só decresce, mas mais pelas queimadas na Amazônia. Como de resto por aqui, a expansão de energia renovável ainda está engatinhando, apesar de metade de nossa matriz energética vir de usinas hidrelétricas, uma fonte limpa.

Com o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas chegando ao limite, as termelétricas a gás natural surgem como opção imediata, apesar de seu custo ambiental e financeiro ser bem maior.

As expectativas não são das melhores. Chegamos no limite. Os recursos planetários estão se exaurindo. Participar deste debate só pelo noticiário da TV é muito pouco para nós que temos a capacidade de fazermos escolhas.

O céu azul depende da eliminação dos pratinhos de isopor e outros descartáveis. Comecemos por aí.