Saúde e Sociedade

Autorremediação

22/10/2021
Autorremediação | Jornal da Orla

Se é uma dor de cabeça banal que nos incomoda, o remédio é um comprimido de analgésico. Mas se a dor é de cotovelo, a conversa é outra.  Não me refiro à epicondilite, também chamada de cotovelo do tenista, aquela dorzinha aguda causada pela sobrecarga articular; mas ao sofrimento causado pelas traições amorosas, rejeições e despedidas. Para esta dor, o remédio é outro. Temos até estilo musical próprio, o samba-canção, do grande mestre compositor Lupicínio Rodrigues, nascido há 105 anos e ainda vivo na cultura brasileira. Sua composição “Nervos de Aço”, é sim, um verdadeiro remédio para quem quer afogar as mágoas. 

“Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Nos braços de um tipo qualquer?”

Ou ainda outra que ficou muito famosa na voz de Caetano Veloso: “Felicidade”.

“Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora”

Já para quem é santista, de nascimento ou adoção, como eu, não precisa ir longe. Basta saber que esta é a terra de Lucio Cardim. Pois é, filho ingrato, “tú não” sabe quem foi o Lucio Cardim? Artista famoso, compositor, entre outros, do samba-canção “Matriz e filial”, gravada por Jamelão; grande Jamelão, puxador de samba da Mangueira, e regravada por Simone, na década de 1970?

Como dizem os músicos, “lá para as tantas, a música diz assim”: 

“Quem sou eu
Pra sufocar a solidão da sua boca
Que hoje diz que é matriz e quase louca
Quando brigamos diz que é a filial
Afinal
Se amar demais passou a ser o meu defeito
É bem possível que eu não tenha mais direito
De ser matriz por ter somente amor pra dar
Afinal”

Pois é. Essa música também é um grande remédio para quem está na “fossa”, ou como dizem hoje, estar na “bad”.

Mas você deve estar pensando, a coluna é sobre saúde (!), e eu respondo, quer coisa mais saudável que música, conhecimento e cultura? Esses são os verdadeiros remédios para a alma. 

Para o brasileiro — que dizem: “de médico e louco, tem de tudo um pouco” —, sendo considerado campeão mundial em automedicação, sugiro desviar o foco, cuidar da saúde mental e se “autorremediar”. Nosso povo, conhecido mundialmente pela espontaneidade, também teremos formado verdadeiros “doutores da alegria”.