Saúde e Sociedade

Nem sempre o melhor lugar é o hospital

01/10/2021
Nem sempre o melhor lugar é o hospital | Jornal da Orla

Quando se está doente, em alguns casos, sim. Foi aí que o professor de medicina perguntou a seus jovens alunos ao iniciarem a faculdade. Qual o melhor lugar para estar um doente? Todos responderam: o hospital. Nem sempre, respondeu, para surpresa dos futuros médicos. 

 

Se a doença é aguda e exige intervenção de profissionais de saúde, o melhor que temos a fazer é procurar atendimento hospitalar. Mas, já pensaram o quanto o hospital é um ambiente contaminado? E não poderia ser diferente. Se as pessoas doentes estão lá, o lugar também está doente. 

 

Em função disso, OMS (Organização Mundial de Saúde) e o MS (Ministério da Saúde) têm protocolos muito bem delineados para diminuir o risco de infecção hospitalar. 

 

Associados a novas técnicas cirúrgicas e demais tipos de tratamento médico, o tempo de hospitalização decresce dia a dia. Hoje, conhecemos essas infecções pela sigla IRAS (Infecção Relacionadas à Assistência Médica). Exemplos são as que acontecem devido a um ato cirúrgico, as pneumonias hospitalares, as infecções do trato urinário associadas a cateter, além das adquiridas do próprio ambiente, como as infecções virais. 

 

Para reduzir o risco de IRAS, os hospitais são obrigados a constituir a CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar), responsável por promover ações de prevenção, além de monitorar casos graves e definir medidas de controle.

 

Por mais cuidado e controle que se tenha, os riscos continuam a existir. Sabendo disso, o tempo de internação hospitalar é sempre uma preocupação da equipe de saúde; ao contrário do que muitos pensam, pois se sentem mais seguros estando em regime de internação. Não faz muito tempo, a realização de uma colecistectomia – retirada da vesícula –, em geral por cálculo, exigia a permanência do doente no hospital por uma semana, período em que era obrigado a ficar com sonda nasogástrica para drenagem da bile. 

 

Os mais velhos devem lembrar de um algum caso acontecido na família e não me deixam mentir. Hoje, grande parte desses doentes chega ao hospital pela manhã, se submete à cirurgia e são liberados à tarde. Um tremendo avanço devido à maior segurança oferecida pelas drogas anestésicas, à técnica cirúrgica, como a videolaparoscopia e a preocupação, sempre presente, de evitar as infecções hospitalares. 

 

Nestas últimas décadas, também se consolidou o serviço de internação hospitalar. Lembro de ter sido testemunha da implantação do PID (Programa de Internação Domiciliar), resultado da genialidade do então secretário de saúde, e depois prefeito, David Capistrano da Costa Filho, sempre visionário. 

 

De início, os céticos tentaram vencê-lo. Como negar aos doentes a possibilidade de serem tratados em um hospital, resmungavam. Mas, o objetivo é levar a equipe multiprofissional de saúde à casa das pessoas que necessitam de assistência, insumos e equipamentos, fazendo com que os doentes fiquem menos tempo internados. 

 

Além da diminuição do risco de infecção, promover um contato mais próximo com a família no seu lar, é fator relevante para a recuperação do paciente que se sente acolhido. Estão indicados para serem assistidos em casa aqueles pacientes clinicamente estáveis, que necessitam complementar o tratamento sob supervisão de profissionais de saúde; os que fazem uso de medicação injetável, que necessitam de curativos mais complexos; portadores de doença crônica, que são portadores de processos infecciosos prolongados e os que exigem cuidados paliativos. 

 

O melhor é estar em casa, sempre que possível.