Saúde e Sociedade

Agosto a gosto

13/08/2021
Agosto a gosto | Jornal da Orla

Dizem alguns supersticiosos que agosto é o mês do desgosto e do mau agouro. São lendas históricas, e, como tal, sem qualquer sentido, mas que fazem parte do folclore mundial desde os tempos da Roma antiga.

 

O mês tem seu nome grafado em função da constelação homônima, cujo aglomerado os romanos achavam que era um dragão cuspindo azar do céu, e não na forma de leão como de fato é.

 

O mês do cachorro louco. Lembro quando era menino. A essa altura do mês já tinha fugido de meia dúzia de cachorros, pois imaginávamos que eram grandes as chances de estarem acometidos de “raiva”. Essa lenda surgiu a partir da observação sobre o aumento de cadelas no cio devido ao clima deste período, o que deixam os cachorros machos, literalmente, loucos. Nada a haver, portanto, com a grave doença hidrofobia. 

 

Na política também não é diferente. Foi em agosto que foi deflagrada a 1ª Guerra Mundial; Adolf Hitler tornou-se Chefe de Estado da Alemanha e ganhou o título de “Führer”, o líder; e que os EUA bombardearam as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, matando, de imediato, 200 mil pessoas. 

 

Aqui no Brasil, colecionamos uma sucessão de fatos negativos e importantes em torno da presidência da República. Getúlio Vargas cometeu suicídio de fato em 24 de agosto de 1954 e Jânio Quadros, suicídio político ao renunciar em 25 de agosto de 1961. Eleito usando o símbolo de uma vassoura, “para varrer a corrupção do Brasil”, menos de um ano antes. Outro presidente, Juscelino Kubistchek, morreu em um acidente de carro no dia 22 de agosto de 1976 e, no mesmo mês de 1992, o presidente eleito Fernando Collor, o “Caçador de marajás”, foi à TV pedir apoio à população, sofrendo impedimento em seguida.

 

Santos foi palco de um momento trágico quando, em 13 de agosto de 2014, caiu o avião em que estava Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência do País. Ouro impedimento presidencial também aconteceu em agosto, desta vez em 2016; o Senado votou favorável à queda de Dilma Rousseff no dia 31.

 

Não foram poucos os fatos negativos que nos causam desgosto. Com certeza uma mera coincidência, pois também temos motivo para termos bom gosto. O “Agosto Dourado” é um deles, especialmente durante a primeira semana do mês, quando se estabeleceu no calendário um período para nos conscientizarmos sobre a importância do aleitamento materno. E o “Agosto Laranja”, que tem como objetivo informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla, uma doença de causa desconhecida, mas que envolve um ataque ao sistema imunológico contra uma bainha que envolve os nervos. 

 

De evolução gradual, em geral, a esclerose múltipla acomete pessoas de 20 a 40 anos de idade, sendo mais comum em mulheres, causando problemas de visão e formigamentos, dor, ardor e coceira nos braços, pernas ou face, além de movimentos cada vez mais fracos e desajeitados. A doença não tem cura, mas cerca de metade das pessoas não chegará a sofrer restrições motoras graves e um diagnóstico precoce permitirá que a pessoa acometida pela doença tenha a oportunidade de viver com melhor qualidade de vida. 

 

Pessimista ou otimista, com bom gosto ou desgosto, este não deixa de ser mais um mês marcado por fatos importantes que devem nos trazer a reflexão sobre os caminhos que construímos para nós, individualmente, e para a humanidade.