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Fosfoetanolamina

26/03/2016 Da Redação
Fosfoetanolamina | Jornal da Orla
Na história dos medicamentos, muitos fatos interessantes existem. Em todas as culturas há relatos da figura de um sábio dominador dos conhecimentos das plantas e dos animais sendo utilizados para o restabelecimento da ordem divina, tanto para o mundo quanto para a saúde dos membros da comunidade. Antigamente, havia a visão holística do mundo, quando todos os fenômenos físicos e orgânicos estão regidos pela vontade divina. 
 
Todos esses sábios dominavam não só a cura das doenças como também a condução para a morte. A palavra fármaco, ou medicamento, deriva do grego fármakon que tanto pode significar remédio quanto veneno. Paracelso, no século XVI, inova e introduz a ideia da ação química dos medicamentos, ultrapassando os conceitos da teoria dos humores de Hipócrates que, com variações, era a lógica para o entendimento da doença e da cura vigente por dois mil anos.
 
A interferência química negativa dos medicamentos ficou muito acentuada nos anos de 1960, com o uso da talidomida por mulheres grávidas resultando em uma geração de crianças com malformação. De lá para cá, as exigências de testes laboratoriais anteriores ao lançamento de um medicamento têm crescido. E, mesmo assim, muitos medicamentos são retirados do mercado após o lançamento, pela constatação de graves problemas à saúde que eles provocam.
 
Recentemente, o Senado aprovou um projeto de lei originado na Câmara dos Deputados, em requerimento de urgência e por acordo de líderes, no qual autoriza o uso da fosfoetanolamina, a chamada pílula do câncer. Essa aprovação contraria o decurso da história no qual aprendemos a necessidade de comprovar, primeiro, o real benefício de uma substância e, segundo, conhecer seus riscos inerentes. A aprovação de um fármaco não é um fato político, a despeito do clamor popular. Há de ser uma decisão técnica.
 
É sabido que, mesmo com todo o rigor técnico falhas surgem. A ciência não é infalível, mas é progressiva. A cada momento surgem novos fatos. É certo, também, que a estrutura técnica não é infalível e pode estar sujeita a interesses escusos, como estamos constatando em todos os setores da sociedade, tanto no plano nacional quanto internacional. Mas não podemos regredir 500 anos e voltar aos tempos obscuros da idade média. A ciência tem de prevalecer. Enquanto a fosfoetanolamina não tiver os seus efeitos comprovados e sua segurança atestada, não é possível aceitar sua aprovação por uma instância política e não técnica.
 
Se ainda tiver dúvidas, encaminhe-as para o Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM) do curso de Farmácia da Unisantos. O contato pode ser pelo e-mail [email protected] ou por carta endereçada ao CIM, avenida Conselheiro Nébias, 300, 11015-002.