
Não chega a ser decepcionante a entrevista que o deputado federal Marcelo Squassoni (PRB) deu ao jornal A Tribuna, porque do Parlamento brasileiro não dá para esperar muita coisa, mesmo. Mas a resposta que ele deu sobre a eventual cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é de chorar!
Veja o que disse o deputado Squassoni: “Eu não acho que ele tenha de ser cassado agora, só se o Conselho de Ética apurar que ele realmente cometeu crimes e as provas apresentadas forem eficientes para torná-lo incapaz de continuar no cargo”.
Alô, Alô, Marciano…
Como dizia a música cantada por Elis Regina, Alô, alô, Marciano, aqui quem fala é da Terra…
Ou Squassoni vive em Marte ou acha muito natural um presidente da Câmara ter contas secretas na Suíça, dinheiro proveniente de propina do assalto à Petrobras, e mentir ao Parlamento. Todas as provas já foram apresentadas, com foto do passaporte diplomático de Cunha, inclusive, e parte do dinheiro já foi bloqueada, com as delações premiadas etc. Na linguagem policial, tem o crime, o cadáver, a arma do crime e o autor do disparo. Só Squassoni não quer ver.
De duas, uma: ou o deputado vive em Marte, como na música de Elis, ou nunca lê jornais, revistas ou escuta rádio e vê televisão.
Justiça seja feita, Squassoni não é o único parlamentar a defender Cunha: a maioria dos colegas permanece no silêncio comprometedor. Enfim, Squassoni é o retrato do Parlamento brasileiro. Uma pena.
Vai pra cova junto?
Em Brasília, há um ditado que diz quando um político é pego com a boca na botija, o colega pode até chorar no velório dele, pode ajudar a carregar o caixão, abraça a viúva, mas nunca se atira na cova com o cadáver.
A questão é: com a situação de Cunha se agravando a cada dia, Squassoni vai só carregar o caixão e chorar no ombro da viúva, ou pretende ser o primeiro a se jogar na cova?
Aguardemos.



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