
Em entrevista ao Programa Jornal da Orla na TV, o cientista político Jairo Pimentel Júnior, responsável pela pesquisa realizada em Santos sobre a avaliação dos governos federal, estadual e municipal, afirma estar convencido de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff é uma possibilidade real. Pimentel também abordou as principais preocupações e reivindicações reveladas pelos moradores da cidade. Abaixo, os principais trechos:
Como está a popularidade da presidente Dilma Roussef?
Jairo Pimentel Jr – A pesquisa aqui em Santos revelou que a presidente, de fato, está em baixa, assim como na pesquisa anterior com 5% de ótimo/bom na preferência do eleitorado e 82% de ruim/péssimo. Quer dizer, um percentual muito alto de reprovação e baixo de aprovação, assim como acontece no Brasil inteiro hoje por conta do ajuste fiscal, por conta de todos os problemas que a Dilma vem enfrentando com a crise política e econômica. A avaliação dela é muito negativa também em Santos.
Segue mais ou menos o resto do país?
Jairo Pimentel – Está nesse patamar, acho que em Santos ainda está um pouquinho mais baixo do que em nível nacional.
Ou seja, pior para a Dilma?
Jairo Pimentel – Pior para a Dilma, exatamente. Aqui, o santista está com um sentimento muito contrário a Dilma e ao PT, de uma forma geral. É o reflexo de toda essa situação, esse contexto econômico e político que o Brasil está vivendo hoje.
Para a Dilma parece um quadro de difícil reversão, pelo menos em curto prazo…
Jairo Pimentel – É muito mais provável que essa reversão ocorra em dois ou três anos. Ou seja, somente no final do mandato dela, com a retomada do crescimento econômico, mas é difícil saber se ela vai continuar até lá. Temos essa crise política, essa incapacidade de ela governar hoje tendo em vista que o presidencialismo de coalisão, ou seja, o presidencialismo formado por vários partidos, com a sua base aliada muito contra ela nesse momento. Por exemplo, agora ela vai tentar passar o retorno da CPMF, mas o PMDB, que é o principal aliado dela, se divide em relação a esse tema. O Congresso vai votar a volta da CPMF ou não, que é uma questão fundamental para ela tapar o buraco orçamentário. Se ela não conseguir isso, o Brasil vai sofrer ainda mais as consequências da crise econômica. É muito improvável que ela consiga passar essa CPMF.
O Congresso deve analisar também o pedido de impeachment, formulado pelo Hélio Bicudo, que foi um dos fundadores do PT. Já se fala muito na hipótese de o Michel Temer ser o novo Itamar Franco, ou seja, exercer o papel que o Itamar exerceu quando houve o impedimento do presidente Fernando Collor. Como o senhor analisa essa possibilidade?
Jairo Pimentel – É uma possibilidade real. Eu acho que o Michel Temer tem articulado com essa possiblidade de queda da Dilma, a possiblidade de ele assumir a presidência e parte do PSDB como fiador dessa transição. É claro que existem outros fatores legais a serem considerados nesse processo todo que nos deixam com uma certa imprevisibilidade se isso vai acontecer ou não. Enquanto isso não acontece, se Dilma cai ou não cai, ela governa de maneira muito insatisfatória porque o governo está rachado. Uma parte do PMDB querendo apoiar e outra não.
O senhor é doutor em Ciências Políticas, coordena pesquisas em várias regiões do país. Qual o seu sentimento em relação ao processo: a hipótese de impeachment é grande ou remota?
Jairo Pimentel – Ela é grande. Hoje, nós temos alguns elementos que podem levar ao impeachment. É uma possibilidade real, há pessoas articuladas e interessadas nesse impedimento e acredito que isso possa acontecer inclusive nos próximos dois ou três meses.
E como o santista avalia o governador Geraldo Alckmin?
Jairo Pimentel – Ele está bem avaliado. O governador tem investido bastante na Baixada Santista, como, por exemplo, no VLT, que é a maior medalha da administração aqui na Baixada, com maior visibilidade e está prestes a ser entregue. Em janeiro do próximo ano vai começar a circular de fato, em termos comerciais. A população também sente que há um investimento do governo em outras áreas como saúde, segurança e isso tem reverberado de forma positiva.
Qual é a taxa de aprovação do governador?
Jairo Pimentel – O governador está hoje com uma avaliação positiva de ótimo/bom, em torno de 45%. Na pesquisa anterior era 46%, não mudou muito.
E o prefeito Paulo Alexandre Barbosa? Como ele está perante o eleitorado da cidade?
Jairo Pimentel – Falando em termos de taxa de aprovação, o Paulo Alexandre está com uma aprovação ainda maior que o Geraldo Alckmin.
A pesquisa avaliou também as principais queixas dos santistas. Quais são elas?
Jairo Pimentel – Em primeiro lugar, assim como acontece em boa parte do Brasil, a questão da saúde. Saúde é um item primeiro citado como quando nós perguntamos qual é o principal problema da cidade de Santos. Então, a saúde que está muito relacionada, não só aqui, mas em vários lugares do Brasil, a falta de médicos, atendimento, falta de vagas, exames, medicamentos etc. Esse é um problema que atinge o Brasil como um todo, não é uma exclusividade de Santos. Ela talvez sofra mais por ser uma cidade polo regional. Muita gente de outras cidades migra para cá para buscar atendimento. Isso acaba pesando também para a cidade que tem que cuidar de munícipes de outras regiões.
E a segunda queixa dos santistas?
Jairo Pimentel – A segunda queixa foi a questão da segurança. Também é um problema bastante generalizado no Estado de São Paulo e no Brasil todo. A questão da segurança hoje é muito relacionada com a questão das drogas, do tráfico e envolvimento com drogas, isso leva à violência e isso foi crescente. Mas a sensação de insegurança como um todo é grande no Brasil inteiro.
Com o agravamento da crise, o fantasma do desemprego aparece?
Jairo Pimentel – Aparece com menos força do que a gente imaginaria. Aparece com 5%, 6%. É uma queixa relevante para uma parte da população porque o desemprego, de fato, tem crescido no Brasil inteiro por conta da crise econômica, mas ainda não atingiu patamares alarmantes como no passado. Enfim, ainda está num nível de 8, 9% no Brasil como um todo, níveis baixos se comparados com o passado. Ainda não é algo que aparece como um grande problema municipal. O terceiro problema, sim, que é um problema que pode ser mais local, é a questão da educação. Você tem a questão do atendimento infantil, a Prefeitura cuida do atendimento infantil. É obrigação da Prefeitura e isso foi relacionado como um dos principais problemas da cidade.
Confira a entrevista completa no Jornal da Orla na TV:




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