TV em Transe

A TV Cultura agoniza

13/08/2015 Christian Moreno
A TV Cultura agoniza | Jornal da Orla
Domingo foi postado no Youtube um video intitulado “Eu quero a TV Cultura viva!”.

Nele, ex-apresentadores da casa citam programas que foram cancelados nos últimos anos, como Mosaico, Letra Livre, Zoom, Entrelinhas, Cocoricó, Cartãozinho Verde, Turma da Cultura, Vitrine, Pé na Rua, Teatro Rá-tim-bum, Quem Sabe Sabe, Era uma Vez um Quintal e Viola Minha Viola.

Luciano Amaral, ator de No Mundo da Lua e Castelo Rá-tim-bum, diz no vídeo que “a melhor emissora pública do Brasil está acabando e precisa de ajuda”.

Faz muito tempo – pelo menos uma década – que a palavra “crise” acompanha a TV Cultura. Não bastassem os problemas administrativos na Fundação Padre Anchieta, com a direção constantemente trocada pelo governo de São Paulo, há um processo longo de carência de investimentos, com verbas reduzidas.

Para se ter uma ideia, em 2010 o orçamento foi de R$ 230 milhões. Em 2011, passou para R$ 221 milhões. Em 2014, R$ 218 milhões. E desabou para R$ 172,9 milhões em 2015. 

Vale lembrar que, entre 2009 e 2013, vigorou um contrato de gestão imposto pelo governo que previa aumento da captação publicitária, diminuindo a participação estatal. 

Hoje, não se vê por parte do poder público nenhum tipo de movimento para tentar mudar este quadro, nenhuma ação para salvar uma emissora que já foi referência televisiva em termos de qualidade. A TV Cultura agoniza, vítima de incompetência e do descaso. 
 
Na madruga – De que adianta comprar algumas da mais badaladas séries americanas e exibi-las de madrugada, depois do Programa do Jô? A Globo fez isso com The Flash e Gotham – melhores que a maioria dos programas que a rede exibe. 
Ficariam melhor, por exemplo, num sábado de tarde. Que tal no domingo, antes do futebol? Ou após o Fantástico? Horários apropriados não faltam.  

O Pai da Matéria – Maravilhoso o documentário “Vai garotinho que a vida é sua”, produzido e exibido pela ESPN, sobre a vida do genial Osmar Santos – o melhor locutor esportivo que vi e ouvi. Mais um trabalho primoroso da emissora, que segue dando aulas de jornalismo em sua programação.

Além do enorme talento, Osmar teve a coragem de usar as transmissões esportivas para lutar pela democracia em plena ditadura militar, peitando até a própria empresa para a qual trabalhava na época – a Rádio Globo.

Osmar Santos completou 66 anos recentemente e tem se dedicado à pintura desde o acidente automobilístico do qual foi vítima em 1994, que o deixou com problemas motores e limitou sua capacidade de comunicação.