
Trocar a Globo pela Rede TV! representa, necessariamente, um retrocesso para um profissional?
Após 23 anos lendo notícias em vários telejornais globais – incluindo o canal Globonews – Mariana Godoy pediu demissão. Convidada pela Rede TV!, topou o desafio de encarar um talk show que leva seu nome.
O programa (sexta, 23h15), feito ao vivo, estreou dia 8 de maio. Após quatro edições, dá pra afirmar sem medo de errar: a jornalista deu um passo à frente em sua carreira.
Além de matérias interessantes, a atração traz um convidado por semana. E as entrevistas têm mostrado uma profissional que o público “desconhecia”: desenvolta, segura e com perguntas pertinentes – o que não é fácil num programa ao vivo. Tudo na medida certa, permitindo ao convidado se sentir à vontade. Quem imaginaria, por exemplo, ver na telinha o sinistro presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tocando bateria?
À Folha de S.Paulo, Mariana Godoy disse estar muito contente na nova casa, especialmente por desfrutar de algo que, segundo ela, inexiste na Rede Globo: liberdade.
“Não me conheciam. Na Globo, todas as perguntas que você vê um apresentador fazer, incluindo o William Bonner, é o Ali Kamel que escreve”, afirmou, citando o nome do diretor geral de jornalismo da emissora.
Qual jornalista não se sentiria feliz ao se ver livre das amarras, podendo desenvolver um projeto de boa qualidade?
Justiça seja feita – A Rede TV! costuma ser alvo de muitas piadas (às vezes com razão) por conta de atrações de gosto duvidoso, mas deve-se reconhecer que seu jornalismo melhorou consideravelmente depois que Franz Vacek assumiu a superintendência do departamento, em agosto do ano passado.
Exemplo disso, inclusive destacado nesta coluna foi o ótimo trabalho na cobertura das eleições gerais. Que continue assim.
Intolerância – Impressionante a reação agressiva nas redes sociais contra o comercial do Boticário para o Dia dos Namorados. A campanha é extremamente discreta e bem feita – a máxima demonstração de afeto mostrada são pessoas se abraçando, sendo algumas do mesmo sexo. Mas tem gente que encara isso como “falta de respeito” e quer que a propaganda seja retirada do ar. Há ainda quem defenda um boicote à empresa.
Bem, nesse último caso, para seguir a sugestão à risca seria preciso também parar de consumir produtos de outras companhias que apóiam a causa LGBT, como Apple, Microsoft, Coca-Cola, Pepsi, Visa, Mastercard, Nike, P&G, McDonalds, Renault, Fiat, Starbucks…



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