
Em entrevista ao programa Jornal da Orla na TV, o advogado e comentarista político Roberto Mohamed bate duro no governo petista e diz que o Brasil vai perder uma década em razão de “escolhas erradas”. Para ele, o grande responsável pela crise atual (política e econômica) é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nível local, Mohamed também faz críticas ao prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): ele tem de parar de ouvir “puxa-saco no gabinete” e colocar ” mais cabelo branco no governo dele, mas cabelo branco que preste”. Para Mohamed, se o prefeito não mudar, corre o risco de entregar a cidade para “um aventureiro, um idiota”. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Como o senhor vê o momento político do Brasil e a crise econômica? Como está o governo do PT?
Roberto Mohamed – Eu acho que nós vamos pagar o preço de escolhas erradas e não adianta colocar a culpa na Dilma. Tudo o que está acontecendo hoje, nós estamos pagando o preço daquilo que o Lula fez para que aquela crise internacional fosse uma ‘marolinha’. Ele não foi um competente gestor, ele empurrou tudo para debaixo do tapete. Gastou o que não podia, inchou a máquina de tal forma que essa tal base aliada é formada na base da compra e venda. Está aí o mensalão, que se mostrou como foi criado e, hoje, nós estamos pagando a conta. Eu, infelizmente, sou bastante pessimista em relação aos rumos do país. Eu acho que nós vamos pagar um preço muito alto por tudo isso.Não são eles que vão pagar, somos nós.
Serão algumas gerações?
Mohamed – Eu acho que o Brasil vai perder uma década tranquilamente. Estão desmontando a indústria nacional e logo essa crise vai chegar na agricultura também. Esse aparelhamento do Estado trava tudo.
O mais grave talvez tenha sido esse aparelhamento do Estado…
Mohamed – O governo do PT substituiu a meritocracia na formação da burocracia estatal por gente filiada a partido. Então destruiu a Embrapa, que era uma empresa de ponta reconhecida no mundo todo. Eles destruíram todos os institutos de pesquisas no Brasil, canalizando para que aquilo que ideologicamente eles consideram correto, destruíram a educação no Brasil. Porque essa história de dizer que eles investiram, investiram nada, eles destruíram a educação no Brasil.
E arruinaram a Petrobras, a maior estatal do país…
Mohamed – A Petrobras sempre foi roubada historicamente e hoje é endêmico o negócio. O problema é que eles geraram uma situação na Petrobras em que quem rouba não é só o político.
Mas, felizmente, nós temos a Polícia Federal atuando fortemente e o Ministério Público também.
Mohamed – O problema é que a Polícia Federal já está sendo investigada pela própria Polícia Federal. Este governo usa os mesmos métodos da ditadura militar. Quem é contra ele acaba sendo perseguido, tem seus direitos perdidos. Eles não usam a força das armas, eles usam a força do dinheiro e da informação e, principalmente, da calúnia, da difamação. Não é preciso ler o livro do Romeu Tuma para poder entender como esse governo age. O que eles estão fazendo com o juiz Sérgio Moro e com os delegados da Operação Lava Jato, em um país sério, já tinha colocado todo mundo na cadeia.
Qual a saída para isso?
Mohamed – A saída para isso é o país criar vergonha na cara e as pessoas criarem vergonha na cara. Que eu entendo, por exemplo, pessoas que eu respeitava e se venderam por carguinho público no governo federal por R$5 mil por mês. A dignidade das pessoas tem preço, e muitas vezes é barato.
As manifestações de dois anos atrás surgiram a partir de um reajuste de R$0,20 nas tarifas de ônibus. Hoje nós temos um ajuste fiscal que está assaltando o povo brasileiro, os trabalhadores, os empresários, os comerciantes e não acontece nada. Por que essa contradição?
Mohamed – Não acontece nada porque você vê que o carioca elegeu o Eduardo Cunha, o alagoano elege o Renan Calheiros e o Fernando Collor de Mello, nós elegemos as coisas que elegemos aqui em São Paulo e que não precisamos citar nomes. O que acontece é que nós temos um Congresso péssimo, que acabou resultando em um STF aparelhado e num Governo que aparelha o Estado. Vai ser muito difícil sair, esse é o pior tipo de ditadura que existe.
Em nível regional, como você vê a situação das prefeituras?
Mohamed – O problema de São Vicente me preocupa muito porque pode ser o futuro de Santos. Em São Vicente, você tinha praticamente uma posse do Márcio França enquanto liderança política. O filho dele sai candidato, francamente favorito e perde para alguém que não tem a menor competência e a menor condição de ser prefeito de uma cidade. Eu não vou dizer que o Bili é um coitadinho, mas ele é incompetente, absolutamente incapaz de gerir uma cidade como São Vicente, cercado por oportunistas.E, em Santos, nós estamos vivendo isso. Há muito tempo não nasce uma liderança nova, e tem várias razões para isso. Você acabou com programas de debates, com a discussão de política na cidade.
Mas o Paulo Alexandre surgiu como uma liderança nova, ganhando uma eleição no primeiro turno de feras da política de Santos…
Mohamed – O Paulo Alexandre veio com uma campanha milionária, buscando apoios em todos os lados e direções e buscando apoios com base em troca. Tanto que depois faltou vaga para dar emprego e cargo para todo mundo que ele tinha prometido e nós sabemos que isso foi um grande problema. Esse comprometimento foi tão grande que resultou em um secretariado patético, um secretariado péssimo. Você tem dois ou três secretários que funcionam, como o chefe de Gabinete, e aí eles são sobrecarregados porque são os caras que funcionam. E você tem como resultado disso a seguinte situação: o Paulo é considerado imbatível, já reeleito. Isso é péssimo quando um governo começa a se sentir assim porque ele desvincula da necessidade de dar satisfação para o eleitorado. Só que o povo costuma reagir de uma forma confusa, às vezes vai aparecer um palhaço como candidato, alguém que não tem conteúdo, alguém que não tem seriedade e é capaz de levar como voto de protesto. Quando você faz voto de protesto para deputado já é um problema. Agora quando você faz voto de protesto para prefeito é olhar para São Vicente. Então eu acho isso muito perigoso.
Qual é o conselho que o senhor dá para o prefeito de Santos?
Mohamed – Eu acho que o prefeito de Santos tem que começar a colocar mais cabelo branco no governo dele, mas cabelo branco que preste. Eu acho que ele tem que começar a fazer uma reforma administrativa e parar de ouvir puxa-saco no gabinete. O puxa-saco vai sempre dizer que está tudo certo e você acredita que está tudo certo. Esse foi o problema do Papa no segundo mandato dele. Esse negócio que ele vai aos bairros, me parece um teatro muito bem montado. Eu quero ver realmente ir para a rua e ouvir as pessoas, ouvir os formadores de opinião, reunir um grupo de pessoas uma vez por mês e ouvir o que essas pessoas pensam. Não é só ouvir os construtores, os empreiteiros, ele tem que ouvir as pessoas que produzem cultura, educação, trabalhos acadêmicos que vivem a realidade da cidade. Enquanto ele não fizer isso, ele não vai conseguir chegar em ponto algum. Aí ele abre a possibilidade que me lembra muito a época em que Dom João VI falou para Dom Pedro I: que se o país tiver que se libertar de Portugal que seja contigo, que me há de respeitar do que algum desses aventureiros. O Paulo tinha que se lembrar dessa lição e tê-la em mente porque ele pode acabar jogando a Prefeitura no colo de um aventureiro, de um “idiota”.
Confira a entrevista completa no Orla TV:




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