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Especialistas analisam nova queda de Dilma nas pesquisas

09/05/2014 Jornal da Orla
Especialistas analisam nova  queda de Dilma nas pesquisas | Jornal da Orla
A mais recente pesquisa Datafolha indica que a avaliação do governo Dilma Rousseff continua em queda, assim como as intenções de voto na presidente, que é candidata à reeleição. O mesmo levantamento aponta o crescimento dos candidatos de oposição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), o que aumenta a possibilidade de o pleito ser decidido no segundo turno. O Jornal da Orla ouviu dois especialistas em pesquisas eleitorais, o cientista político Alcindo Gonçalves, coordenador do IPAT (Instituto de Pesquisas A Tribuna), e o professor Iberê Sirma. 

Veja abaixo, como eles avaliam o atual quadro eleitoral:
Jornal da Orla – A mais nova pesquisa Datafolha revela que cresceram as chances de haver segundo turno na disputa presidencial. O que o sr. pensa a respeito?

Alcindo Gonçalves – Não há dúvida de que a avaliação do governo Dilma Rousseff vem caindo nas últimas pesquisas de todos os institutos. Logo, é natural que a intenção de voto nela também diminua, com o crescimento dos candidatos de oposição. Isso torna cada vez mais provável a ocorrência de segundo turno. 

Iberê Sirna – Devemos levar em conta que a pesquisa retrata o momento, porém para o partido que está no governo é a situação mais delicada e perigosa para os planos de continudade.

Quais são os principais fatores para as constantes quedas de intenção de voto em Dilma?

Alcindo – A avaliação negativa do governo Dilma Rousseff está ligada a várias questões: problemas econômicos (aumento da inflação, baixo crescimento econômico), sociais (deficiências nos serviços públicos que afetam a população) e políticos (em especial as denúncias de corrupção que envolveram a Petrobras).

Iberê – A dificuldade de compor um arco de alianças políticas, a volta anunciada da inflação, consequentemente a incerteza do capital internacional em novos investimentos no país, a desaprovação popular com os gastos com a Copa do Mundo, os problemas recentes na Petrobras. Por tudo isso, os eleitores pedem um novo modelo de gestão.

“O volta Lula”, estimulado por setores do PT, pode estar prejudicando Dilma?

Alcindo – Creio que não, até porque o movimento foi contido. O ex-presidente Lula deixou claro que não pretende ser candidato, enquanto a presidente Dilma assumiu claramente esta condição.

Iberê – A presidente Dilma está sendo prejudicada por falta de carisma e erros em suas políticas públicas.

O que pode influenciar mais na campanha: os escândalos envolvendo a Petrobras, a inflação ou um desejo de mudança mais amplo por parte do eleitorado?

Alcindo – Todos esses fatores se somam, sem que prevaleça um sobre o outro, e produzem o efeito negativo na avaliação do governo Dilma, e conseqüente perda na intenção de voto.

Iberê – Não há como hierarquizar os motivos. Todos ocorrem no mesmo momento e ambiente político.

Quem será o adversário mais provável de Dilma em um eventual segundo turno,
Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB)?

Alcindo – É difícil dizer. Por enquanto, é Aécio Neves, mas Eduardo Campos é pouco conhecido e pode crescer durante a campanha.
Iberê – É difícil fazer tal previsão. Existe uma tendência numérica para Aécio Neves.

Como o sr. avalia a eleição para o governo de São Paulo?

Alcindo – A eleição não esquentou em São Paulo. As atenções estão, por enquanto, apenas nas eleições presidenciais. Não há, portanto, como avaliar as chances reais do governador Geraldo Alckmin, que é candidato à reeleição, ou de seus opositores.

Iberê –  A eleição para governador também passa por um período de indefinição, pois dependem de alianças políticas, porém o que está colocado, segundo as pesquisas, é que o PMDB, o PT e o PSD, que já estão alinhados na esfera federal, sejam um grande empecilho para o governo do PSDB.

Um eventual racionamento de água na Capital poderá afetar a campanha de Alckmin?

Alcindo – Pode. O governo fará tudo o que puder para evitar o racionamento de água em São Paulo, já que esta seria uma medida extrema e que causaria problemas e transtornos para a população.

Iberê – As dificuldades enfrentadas pelos governantes prejudicam quem está no poder, porém a oposição terá de ter competência para explorar os fatos.

Quem será o principal adversário de Alckmin: Alexandre Padilha (PT) ou Paulo Skaf (PMDB)?

Alcindo – Ainda é cedo para dizer. O PT, entretanto, é um partido mais forte e articulado que o PMDB em São Paulo, e terá apoio do governo federal. E isso pode fazer a diferença.

Iberê – Tudo vai depender dos números das pesquisas e de como vão se comportar os candidatos.