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Herdeiro dos ringues: Ruan “Jones” Melo conquista título brasileiro de kickboxing

Fernando Yokota/Jornal da Orla

A água da Baixada Santista é diferente. Tem que ser. Essa é a única explicação para a região ser o berço de tantos talentos esportivos em diversas modalidades. O brilho agora veio dentro do ringue, com a conquista do Campeonato Brasileiro de Kickboxing pelo jovem Ruan “Jones” Melo, na categoria até 57 kg do Point Fight, modalidade que valoriza a qualidade técnica para a pontuação.

Com apenas 17 anos, ele competiu contra cerca de 1,6 mil atletas de todo o Brasil e venceu um adversário do Espírito Santo para garantir a medalha de ouro e o título brasileiro. “Foi uma alegria gigante. Eu já tinha disputado esse campeonato antes e, infelizmente, perdi. Mas, para esta edição, voltei determinado a garantir uma medalha”, declarou o atleta. “Eu perdi a primeira luta, mas não desanimei. Foquei no meu trabalho e, durante a luta final, conseguia ver a pontuação. Ali eu percebi que poderia ganhar. Fiquei na frente durante todo o confronto. Dei uma vacilada por um momento e o adversário encostou, mas consegui manter a vantagem e sair campeão”, contou.

Ruan é treinado pelo pai, Wellington de Oliveira, conhecido como Tom Jones, de quem também herdou o apelido. O atleta afirma que a presença do pai foi essencial em sua formação dentro e fora dos tatames. “Desde pequeno, eu sonhava em ser igual ao meu pai. Eu não sabia o que era ser um lutador profissional, claro, mas queria lutar igual a ele”, disse. “Ele me ensinou tudo o que eu sei no ringue. Sei que vão existir momentos em que vou discordar dele, mas, até agora, confio no que ele me aconselha. É uma honra muito grande herdar esse apelido. Eu me inspiro nele e também no Jon Jones”, completou.

A inspiração também influencia o planejamento da carreira. Ruan pretende consolidar seu espaço no kickboxing antes de migrar para o MMA. “A curto prazo, quero me firmar no kickboxing, acumular mais vitórias e me manter no topo. A longo prazo, quero entrar no MMA”, revelou. Apesar da meta, o jovem reconhece que ainda precisa evoluir em alguns aspectos. “O ponto fraco é o chão. Eu venho da luta em pé e ainda não tenho essa base, então vou ter que melhorar isso. O kickboxing me dá a mentalidade de sempre andar para frente, ser analítico e preciso. Acho que isso vai me ajudar muito no MMA”, afirmou.

 

Legado

Dividindo as funções de treinador e pai, Tom Jones diz que acompanhou a conquista do filho com orgulho. “Foi muito legal vê-lo ser campeão também. Ele sempre me acompanhou, me viu conquistar títulos, e agora eu posso vê-lo galgando esse espaço. Como pai e treinador, tenho que cuidar das duas partes da vida dele: as críticas, os treinos, a alimentação, a disciplina. Dentro do ringue, ele é como qualquer outro atleta meu”, afirmou.

Tom também destacou a dedicação do filho aos treinamentos, iniciados ainda na infância. “Nunca precisei chegar para ele e dizer: ‘Filho, você tem que ir treinar.’ Ele sempre levanta disposto, empolgado. A luta sempre esteve presente na vida dele. Foi uma escolha dele, e eu apenas o apoiei.” Com a experiência adquirida como ex-atleta, Tom procura orientar o filho para construir a carreira de forma gradual. “Eu falo para ele que a luta é como um prato de sopa: você tem que ir comendo pelas beiradas. A vida de atleta é assim. É preciso ter calma, conquistar espaço e criar uma base sólida para depois arriscar”, explicou.

O treinador também projeta voos mais altos para Ruan. Desde que o kickboxing recebeu o reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional (COI), em 2021, a modalidade passou a ser cotada para integrar futuras edições dos Jogos Olímpicos de Verão. “O kickboxing cresceu muito nos últimos anos e já está presente nas Olimpíadas Universitárias, nos Jogos Mundiais Militares, entre outros eventos. Pensamos nessa ascensão em um futuro próximo. O foco agora é transformá-lo em um atleta profissional e fazer essa migração do kickboxing para o MMA. Mas, caso a modalidade chegue às Olimpíadas, teremos um atleta em idade e nível para representar o Brasil”, concluiu.