Cena

‘A Odisseia’ vale as três horas em frente à tela

24/07/2026 Thaís Lima
Divulgação

Sempre tive um carinho especial pela mitologia grega. Essas histórias sempre me fascinaram pela capacidade de transformar dilemas humanos em grandes aventuras, repletas de deuses, monstros e heróis inesquecíveis. E é justamente esse universo que Christopher Nolan decide trazer às telas em A Odisseia.

Nessa jornada, o diretor reúne um grande elenco. Matt Damon, Anne Hathaway e outros nomes de peso embarcam nessa adaptação. E como se isso já não bastasse, Nolan ainda faz história ao realizar o primeiro longa-metragem inteiramente filmado com câmeras IMAX, elevando a experiência cinematográfica e fazendo o espectador sentir a grandiosidade dessa jornada.

Hoje, falar em spoiler de A Odisseia chega a ser engraçado. Afinal, o poema de Homero está aí há mais de dois mil anos. Mesmo assim, Christopher Nolan consegue transformar uma história que praticamente todo mundo conhece em uma experiência que te prende do começo ao fim.

Mais do que apresentar criaturas mitológicas e batalhas grandiosas, Nolan encontra espaço para explorar o peso que a guerra deixa em Odisseu. A passagem pelo submundo e os encontros ao longo da jornada mostram que a maior batalha do herói nem sempre acontece contra ciclopes ou deuses, mas contra os fantasmas que ele carrega.

O mesmo acontece no encontro com Circe e, principalmente, nos diálogos com Penélope. São momentos que fazem uma história escrita há mais de dois mil anos soar surpreendentemente atual. É impossível não enxergar, nessas conversas, dilemas que continuam fazendo parte da nossa sociedade.

A narrativa acompanha três núcleos: a jornada de Odisseu tentando voltar para Ítaca, Penélope enfrentando a pressão dos pretendentes que disputam o trono e Telêmaco vivendo o dilema de assumir o legado do pai sem sequer saber se ele ainda está vivo. Nolan alterna essas histórias com muita naturalidade, criando uma narrativa envolvente que nunca se torna cansativa.

Em meio a paisagens deslumbrantes e uma fotografia impecável, Christopher Nolan entrega uma obra que faz jus à grandiosidade do poema de Homero. “Absolute Cinema”. E pode acreditar: você não vai se arrepender de passar quase três horas sentado na sala. Minha única dica é: compre um baldão de pipoca… sem refrigerante.