Esportes

Terceira geração da família Moraes carrega o sangue boleiro dentro de campo

18/07/2026 Matheus Vieira
Fernando Yokota/Jornal da Orla

Filhos do Campeão da Champions, Bruno Moraes, crescem com destaque em base portuguesa

A família Moraes carrega o futebol nas veias. O patriarca é o ex-atacante Aluísio Guerreiro, que atuou por Santos e Flamengo e passou adiante sua paixão pelo esporte aos filhos Bruno e Júnior Moraes, ambos com passagens pelo Peixe. Agora, uma nova geração começa a trilhar esse caminho com os filhos de Bruno: Bruno Gonçalves Moraes e Maria Eduarda.

Bruno, o mais velho, tem 14 anos e vem se destacando nas categorias de base do Boavista FC, de Portugal. O jovem sonha em seguir os passos do avô, do pai e do tio.

“Eu gosto de jogar futebol. Tenho o sonho de um dia poder representar grandes clubes, como o Porto e até mesmo o Santos, onde meu pai jogou, mas também clubes de outras partes da Europa, como Inglaterra e Alemanha”, conta o jovem. “Tenho muita vontade de continuar jogando, sim. Até, se possível, chegar a vestir a camisa da seleção portuguesa.”

Já Maria Eduarda, de 12 anos, também se dedica ao esporte, embora ainda não tenha decidido se pretende seguir carreira no futebol.

“É cansativo, sim, mas dá para lidar. Jogar futebol é muito legal, mas eu ainda não decidi se vou fazer isso para o resto da vida”, relata. “Tenho muito apoio da minha família para fazer o que eu decidir. Eles estão sempre ao meu lado e foram muito importantes quando machuquei o joelho”, completa.

Coração de pai

O apoio aos filhos é incondicional por parte da família. Bruno descreve como “contraditória” a sensação de vê-los seguindo os mesmos passos no futebol. De um lado, a felicidade por acompanhar o interesse das crianças pelo esporte; de outro, o receio de influenciá-las em excesso.

“Eles ainda chegaram a ver jogos meus, ir ao estádio e sempre brincamos muito de futebol em casa. Ao mesmo tempo, sempre deixei eles livres para escolherem o que quisessem fazer, nunca forcei eles a jogar”, afirma. “A importância do esporte vem pela educação, pelos valores esportivos, e essa escolha deles pelo futebol foi algo natural. Meu papel foi incentivar e aconselhar”, conta.

Com experiência no futebol profissional, Bruno Moraes procura manter os pés no chão ao orientar os filhos. Revelado pelo Santos e campeão da Liga dos Campeões da UEFA pelo Porto, ele destaca a importância de administrar as expectativas.

“A gente quer sempre ajudar, queremos o melhor para o nosso filho, acho que todo pai quer isso. Mas, ao mesmo tempo, é preciso entender que tipo de jogador ou jogadora eles são. Isso para não colocarmos uma expectativa muito alta. O que buscamos fazer é nos mantermos realistas, gerir as expectativas e trabalhar na prevenção de algumas situações indesejadas para que eles possam ter a melhor experiência no esporte”, disse.

Após enfrentar diversas lesões ao longo da carreira, especialmente durante sua passagem pelo Porto, Bruno admite que reviveu esse sentimento quando a filha sofreu uma lesão no joelho.

“O caminho do esporte tem esse ônus. Eu também fui muito castigado pelas lesões. Mas tento sempre passar para eles o lado bom, não da lesão, mas da paixão pelo esporte, que não pode ser abalada por um momento ruim. A gente cai e levanta, esporte é assim. É o maior legado que tento deixar para eles. Ficamos muito preocupados, sim, mas nunca vou impedi-los de jogar pelo medo de lesões”, finaliza.

Aluísio, ídolo do Santos, afirma sentir orgulho ao ver os netos dando continuidade à tradição familiar no futebol.

“A vida continua e é sempre dos mais jovens. São quatro netos no futebol. Os filhos do Júnior também estão buscando seu espaço no esporte. E quem tem uma família para orientar sempre tem um privilégio”, diz. “O sonho é deles. Nós, enquanto experientes, temos que orientar. É muito legal ver que eles estão dando continuidade nisso. Mas a nossa maior felicidade, como pai e avô, é vê-los estudando, tendo uma boa educação, e o apoio vem independentemente do que escolham fazer. Tenho uma filha, por exemplo, que jogava futebol, mas decidiu seguir a Psicologia. Hoje é muito boa no trabalho dela, é renomada. Faz parte”, completou.

Aluísio também lamenta as mudanças no acesso ao esporte ao longo dos anos.

“Na minha época, o futebol era o esporte da oportunidade. Hoje, acabou até virando um esporte de rico. Isso é triste, porque vemos diversos garotos e garotas perdendo o acesso ao esporte e sem poder seguir esse caminho”, afirma.

Por outro lado, ele destaca os avanços na inclusão feminina.

“Na época da minha filha, o futebol feminino ainda era muito pequeno. Hoje é muito maior, muito mais inclusivo. E, no ano que vem, teremos a Copa aqui no Brasil, que pode apresentar o esporte para muitas meninas.”