Cena

Renato Machado: o adeus a um jornalista raro e que marcou época

17/07/2026 Gustavo Klein
Divulgação

Renato Machado fazia parte de um grupo cada vez mais raro dentro do jornalismo: o dos profissionais que estabelecem uma relação de confiança com o público. Sua morte, aos 83 anos, representa a despedida de um dos nomes mais elegantes e respeitados do telejornalismo brasileiro, dono de um estilo que jamais precisou do exagero para conquistar credibilidade.

Durante décadas, Renato esteve presente na rotina de milhões de brasileiros. No comando do Bom Dia Brasil, como correspondente internacional ou em coberturas históricas, demonstrava uma qualidade que parece simples, mas exige enorme talento: fazer o jornalista desaparecer para que a notícia ocupasse o centro da cena. Sua postura discreta, a voz serena e a precisão das informações transmitiam segurança.

Em uma época em que a velocidade muitas vezes supera a reflexão e a opinião invade o espaço da informação, Renato simbolizava outra escola do jornalismo. Compreendia o peso da responsabilidade de estar diante das câmeras. Não buscava protagonismo nem transformava a notícia em espetáculo.

Foram mais de quatro décadas na Globo, participando da cobertura de acontecimentos que ajudaram a explicar o Brasil e o mundo para diferentes gerações. Recebeu o respeito dos colegas e o reconhecimento do público justamente por nunca permitir que sua imagem fosse maior do que o trabalho realizado.

Seu legado permanecerá vivo na memória de quem acompanhou seu trabalho. Mais do que um excelente apresentador, Renato Machado foi um jornalista completo, daqueles que fizeram da credibilidade, da sobriedade e do compromisso com a informação os maiores valores de uma carreira exemplar.