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O que esperar da Seleção Brasileira após a Copa?

12/07/2026 Matheus Vieira
Rafael Ribeiro/CBF

Profissionais que acompanharam a campanha analisam os erros do Mundial

A dor da eliminação para a Noruega ainda incomoda quem acompanhou a trajetória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e ainda alimentava alguma esperança. Mesmo sendo a primeira competição de Carlo Ancelotti no comando de uma seleção nacional, o desempenho ficou bastante abaixo do esperado, assim como a convocação, marcada por diversos problemas.

Se levarmos em consideração todo o cenário até a chegada do treinador italiano, é possível observar um dos piores ciclos pré-Copa da história da Seleção Brasileira. Houve crises políticas, trocas de treinadores, mudanças na presidência da CBF e a queda de rendimento do principal astro do país.

Agora, porém, é hora de olhar para o futuro. Ancelotti tem contrato com a CBF até 2030 e, pela primeira vez, terá tempo para montar a equipe de acordo com suas convicções, sem precisar recorrer a uma convocação de segurança. Para avaliar as perspectivas da Seleção Brasileira para o próximo ciclo, consultamos cronistas esportivos que acompanharam de perto a campanha da equipe. Confira:

 

Foto: Arquivo Pessoal

“Nessa Copa, a trajetória foi muito aquém da história do futebol no Brasil, mas também não foi surpresa nenhuma. Todos sabíamos do ciclo extremamente conturbado, mas não dá para normalizar ser eliminado pela Noruega, que não tem tradição nenhuma no campeonato. O Ancelotti é o melhor técnico de clubes do mundo, sem dúvidas, mas essa foi a primeira experiência dele com uma seleção. Então, acredito que, em um ciclo completo, ele tem tudo para fazer um trabalho melhor do que esse. Para este ciclo, eu não manteria nenhum dos veteranos atuais. Mas, na próxima Copa, teremos novos veteranos que não vejo motivo para deixar de convocar, como o zagueiro Gabriel Magalhães. Douglas Santos é outro nome que ainda pode ser cogitado pela atuação nesta Copa. Mas Casemiro, Danilo e Neymar, por exemplo, não têm como permanecer. São ciclos encerrados. Acho que as laterais serão as posições mais complicadas de preencher para 2030. Acredito que o nome mais forte para liderar esse novo grupo é o atacante Rodrygo, que ficou de fora por lesão”, afirmou Anita Efraim, repórter do Canal GOAT.

 

Foto: Arquivo Pessoal

“Essa Copa foi consequência direta de todo o ciclo conturbado, mas, mesmo com esses problemas, acredito que poderíamos ter feito um trabalho melhor. A Seleção tem carências, desfalques, mas dava para fazer mais do que fizemos. A estratégia contra a Noruega foi errada, na minha opinião. A impressão que tenho é que eles sentiram a pressão de serem uma seleção favorita. É natural que, caso Ancelotti permaneça até o fim do contrato, faça um trabalho melhor. Sabemos que, no futebol, tudo depende de resultados e as coisas podem mudar. Mas ele terá mais tempo para estudar, fazer escolhas e entender o futebol brasileiro. Temos uma boa geração chegando, com Endrick, Estevão, Rodrygo e Rayan, além de outros jogadores que podem surgir. Nenhum dos veteranos tem justificativa para ser mantido até a próxima Copa; alguns nem deveriam ter participado desta. É preciso que o Brasil aproveite a oportunidade para se renovar. A linha defensiva será um problema, principalmente as laterais, mas acredito que temos mais opções de goleiros para serem observadas”, disse Vagner Frederico, do Canal Vagner Frederico.

 

“A trajetória na Copa foi um pouco vergonhosa. Eu imaginava uma postura diferente do Brasil, com mais vontade e raça, como, por exemplo, o Paraguai mostrou contra a França. Outra coisa que me frustrou foi a falta de protagonismo dos nossos jogadores. Com o Neymar no banco, faltou alguém assumir esse papel. O Vini Jr. tentou, mas, quando teve a oportunidade de consolidar isso, desperdiçou o pênalti. Com mais tempo, o Ancelotti deve fazer um trabalho melhor. Temos exemplos no futebol brasileiro de que, com organização, confiança no trabalho e um projeto de longo prazo, é possível colher frutos. Pensando nisso, podemos projetar o próximo ciclo. Eu já não contaria mais com Casemiro, Neymar, Danilo e Alex Sandro. As limitações são muito grandes. Por outro lado, temos veteranos que ainda podem ser aproveitados, dependendo do futebol apresentado, como Alisson e Marquinhos. O jogador com maior potencial para assumir a liderança desse novo grupo é o Vinicius Jr., mesmo que ele não tenha naturalmente essa característica. Tecnicamente, ele é o principal jogador da Seleção e, daqui a quatro anos, terá mais experiência para conduzir os novos atacantes”, avaliou Gabriella Souza, repórter da CBN Santos.

 

Foto: Arquivo Pessoal

“Eu nunca pensei que o Brasil fosse brigar pelo título, mas também não esperava que caísse tão cedo. Foi decepcionante. A Seleção não convenceu em momento algum. Teve atuações ruins contra equipes mais organizadas e só jogou bem diante de seleções muito mais fracas. Contra a Noruega, que tem um jogador extraclasse, o Brasil pipocou. Quatro anos é bastante tempo para o Ancelotti montar uma seleção, e acredito que ele possa fazer um bom trabalho. A preocupação que fica é a renovação. Não vejo muitos jogadores com potencial para ocupar posições que já são carentes no time. Além disso, ele precisa mudar o próprio discurso, porque dizer que fizemos uma boa Copa após sermos eliminados nas oitavas de final não faz sentido. Neymar, Danilo, Alisson, Casemiro e outros já deram o que tinham para dar — e deram pouco. Eu não manteria nenhum deles nem para os amistosos que vêm por aí. Para a próxima convocação, a crise é geral. Laterais, meio-campo, gol e até ataque apresentam carências. Precisamos de uma renovação completa. E, infelizmente, entre os que devem permanecer, não vejo muitos jogadores com perfil de liderança. Talvez o Bruno Guimarães. Pelas entrevistas, parece um homem muito maduro, mas ainda não o vejo como líder. Até nisso estamos carentes”, concluiu Regis Querino, repórter de A Tribuna.

 

Palpites

Entre os cronistas, o palpite é unânime: França campeã do mundo em 2026.

“O futebol sempre pode nos surpreender. Tem de se respeitar a Argentina e Inglaterra, mas a França leva”, diz Anita.

“São os favoritos desde o começo, eles têm conjunto, individualidade e trabalho longevo”, analisa Vagner.

“É um time de craques, com um técnico que entende o funcionamento do time. É difícil tirar a taça deles”, afirma Gabriella.

“A Argentina tem o Messi, sim, não tem o que falar disso. Mas o potencial francês é maior. Inglaterra e Espanha correm por fora”, comenta Regis.