
Poucos pratos conseguem reunir tantas pessoas em volta da mesa quanto a pizza. Seja em um encontro entre amigos, um jantar em família ou para matar a vontade de comer algo gostoso, ela segue entre as preferidas dos brasileiros e ocupa um lugar especial na memória afetiva de muita gente. Presente em momentos de celebração e no dia a dia, a pizza cria lembranças e acompanha diferentes gerações sem perder a essência.
Embora cada pizzaria tenha sua identidade, há um ponto em comum: uma boa pizza começa muito antes de chegar ao prato. A escolha dos ingredientes, o cuidado com a massa e o respeito ao processo de produção fazem toda a diferença.
Para Américo Vieira Júnior, proprietário da Cantina Babbo Américo, o segredo está em respeitar todas as etapas do preparo.
“Independentemente do estilo, o importante é respeitar os processos. Uma boa fermentação deixa a massa leve e crocante, e ingredientes de qualidade fazem toda a diferença”.
Na Casato Pizzeria, o proprietário Eduardo Marques compartilha da mesma visão. Para ele, três elementos são indispensáveis: uma boa massa, um bom molho e um bom queijo. “Trabalhamos com farinha italiana tipo 00, molho de tomate San Marzano e queijo fior di latte. Esses ingredientes dão um toque especial no resultado final”.
Já para Lucas Macedo, sócio da DiPalu Pizzaria, a técnica precisa caminhar ao lado da dedicação de quem prepara cada receita. “Uma boa pizza é aquela que carrega qualidade, bons ingredientes e que seja feita por uma pessoa capacitada. Mas, acima de tudo, por alguém que goste do que está fazendo. Quando a comida é feita com carinho, isso chega até quem está do outro lado da mesa”.
Mesmo com propostas diferentes, as pizzarias preservam características que ajudam a construir suas identidades. Na Babbo Américo, a pizza de champignon, criada pelo fundador Américo Vieira, se tornou um símbolo da casa e continua entre as preferidas dos clientes. “Quando as pessoas lembram da nossa pizzaria, lembram da pizza de champignon. Ela nasceu aqui, tem uma história e acabou virando um sabor muito ligado à cidade”, conta Américo Jr.
Na Casato, a inspiração vem da tradição napolitana. A massa de longa fermentação e os ingredientes italianos são a base da proposta da casa, que tem na Margherita o sabor mais pedido, seguida pelas versões de mortadela com pistache e pesto genovese com burrata. “Cada fase tem um sabor que conquista mais o público”, observa Eduardo.
Na DiPalu, os sabores clássicos, como muçarela, calabresa e portuguesa, continuam entre os favoritos. Ao mesmo tempo, a pizza de alho-poró com atum e cream cheese conquistou espaço no cardápio, inspirada muitas vezes pelas sugestões dos clientes. “Procuramos ouvir muito quem frequenta a pizzaria. Quando percebemos que uma ideia faz sentido para a nossa proposta, ela pode acabar virando um novo sabor”.
A renovação dos cardápios acontece sem deixar de lado as tradições. Na Babbo Américo, uma das criações que representa essa combinação é a pizza Cremona, preparada com muçarela de búfala, abobrinha grelhada, queijo brie e amêndoas laminadas. Muitas ideias surgem de viagens e experiências gastronômicas. “Às vezes experimento um risoto ou outro prato durante uma viagem e penso: isso pode virar uma pizza”, conta Américo Jr.
Nos bastidores, manter o padrão de qualidade exige atenção constante. Na Babbo, os processos são adaptados conforme as características dos ingredientes frescos ao longo do ano. Na Casato, um dos diferenciais é a fermentação lenta da massa, que chega a quase 48 horas e contribui para uma pizza mais leve.
Eduardo também explica uma dúvida comum de quem pede pizza por delivery. Segundo ele, ao sair do forno e ser fechada na caixa, a pizza produz vapor, reduzindo parte da crocância durante o transporte. Por isso, recomenda aquecê-la por alguns minutos no forno antes de servir.
Na DiPalu, a massa, o molho de tomate e diversos ingredientes são preparados na própria casa. Para Lucas, o desafio é manter essa essência ao longo dos anos. “Não trabalhamos apenas com preço, trabalhamos com valor. Tudo é pensado para entregar a melhor experiência possível”.
Além do sabor, os três empresários concordam que a pizza vai além da gastronomia. Ela faz parte de encontros, comemorações e momentos marcantes. Na Babbo Américo, pedidos de namoro e celebrações familiares fazem parte da rotina. Na DiPalu, um cliente chegou a pedir que um bilhete de desculpas acompanhasse a entrega da pizza. “Ela está ligada à família, aos amigos, às comemorações. Parte da magia da pizza é justamente reunir as pessoas”, resume Américo Jr.
Lucas compartilha da mesma percepção. “Mais do que escolher um sabor, vale procurar um lugar que entregue qualidade e compromisso. A pizza tem esse lado afetivo, de dividir bons momentos. É isso que procuramos oferecer todos os dias”.
Seja em uma receita tradicional, napolitana ou autoral, a pizza continua ocupando um lugar cativo na mesa dos brasileiros, aproximando pessoas e transformando encontros em boas lembranças.


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