
Hoje (26), às 18h30, a Câmara Municipal de Santos realizará uma Sessão Solene em homenagem a Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, importante personagem da história brasileira e símbolo da luta por justiça, igualdade e dignidade. Cabo negro do Exército no período do império português, Chaguinhas liderou um motim militar em Santos, iniciado no Primeiro Batalhão de Caçadores, reivindicando o pagamento dos soldos atrasados — a remuneração dos militares da época. A situação era agravada pela discriminação sofrida pelos soldados brasileiros, em sua maioria negros e indígenas, que recebiam salários inferiores aos dos militares portugueses e enfrentavam atrasos que frequentemente ultrapassavam seis meses.
A trajetória de Chaguinhas representa a luta antirracista e a defesa dos direitos dos trabalhadores. Mas sua história também está profundamente ligada ao processo de independência do Brasil. Ao se insurgir contra as injustiças impostas pelo sistema colonial português, Chaguinhas e seus companheiros contribuíram para o fortalecimento das reivindicações por emancipação nacional, alcançada em 1822, apenas um ano após sua execução.
Após a repressão ao movimento, Chaguinhas e seu companheiro Joaquim José Cotindiba foram condenados à morte e levados à forca no então Largo da Forca, atual Praça da Liberdade, em São Paulo. Cotindiba morreu na primeira tentativa de enforcamento. Já com Chaguinhas ocorreu um fato que entrou para a história: a corda rompeu-se por três vezes consecutivas.
Pela legislação vigente, após sucessivas falhas na execução, as autoridades deveriam suspender o cumprimento da pena e solicitar autorização ao rei Dom João VI para prosseguir. Entretanto, essa norma foi ignorada. Chaguinhas acabou sendo morto de forma brutal, transformando-se em mártir popular. Há interpretações históricas que apontam que setores da burguesia escravocrata brasileira não admitiam que um homem negro se tornasse protagonista de uma luta que ajudava a pavimentar o caminho para a independência do país.
Entre as autoridades envolvidas no processo que levou à sua condenação estava Martim Francisco Ribeiro de Andrada, integrante da Junta Provisória do Governo de São Paulo e irmão de José Bonifácio, que teve atuação decisiva e inflexível no caso.
A Sessão Solene ocorre graças à Lei Municipal nº 4.474, de autoria do vereador Chico Nogueira, sancionada em abril de 2024, que incluiu a homenagem a Chaguinhas no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas de Santos. Esta será a terceira edição da solenidade.
Mais do que recordar um personagem histórico, o evento representa um ato de reparação e reconhecimento aos heróis da Revolta dos Soldados de Santos: o soldado Joaquim José Cotindiba, o sargento José Corrêa, o furriel Joaquim Roriz, o soldado José Maria Ramos, o soldado José Joaquim Lontra, o cabo Floriano Peres e o cabo Francisco José das Chagas, o Chaguinhas.
Ao resgatar suas memórias, Santos reafirma o compromisso com a valorização da história do povo negro, dos trabalhadores e daqueles que lutaram por um Brasil mais justo, livre e soberano.
Valorizar a nossa história é fundamental para a construção de uma sociedade antirracista.


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