
O volume de carga movimentada no Porto de Santos continuará crescente e deve saltar das cerca de 196,7 milhões de toneladas, em 2025, para 253,6 milhões, em 2030, chegando a 291,1 milhões de toneladas em 2035. Nesse mesmo período, a capacidade operacional projetada passará de 250,6 milhões (2025) para 309,1 milhões de toneladas (2035), ou seja, praticamente atingido o limite disponível para absorver a demanda. Na proa desse crescimento está o aumento da pressão sobre os gargalos da infraestrutura, principalmente dos acessos ao cais, e sobre a malha urbana de Santos, Guarujá e Cubatão.
Essas são as principais conclusões do estudo Santos 10+, divulgado nesta terça-feira (23) pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp). “O objetivo não é dar soluções, mas apresentar um diagnóstico e chamar a atenção para a necessidade de começarmos a discutir agora o que fazer para não chegarmos em 2035 com problemas semelhantes aos atuais”, afirma Ricardo Molitzas, diretor executivo do Sopesp.
O levantamento considerou apenas o acesso rodoviário para o canal – o diretor explica que, no caso do modal ferroviário, “o novo contrato de investimentos foi assinado há dois anos, já prevendo solução para dez anos”. Foram oito meses de estudos, com 20 entrevistas e sete grupos de carga analisados. As simulações consideraram as obras previstas em três áreas: Valongo-Saboó, Outeirinhos e Guarujá/Rua do Adubo. Câmeras foram instaladas em 29 pontos, para contagem e análise do fluxo de veículos durante 48 horas.
“Mesmo com todas as obras previstas, vamos continuar com o sistema pressionado na rede Valongo-Saboó”, diz Ricardo Molitzas. Por exemplo, naquela região circulam, atualmente, 730 caminhões por hora. O estudo do Sopesp projeta crescimento para mais de 1.400 caminhões/hora até 2035.
O diretor executivo da entidade ressalta, ainda, que as projeções da Ecovias para 2035 apontam um aumento de 20% no fluxo de caminhões para o Porto. “As simulações do nosso estudo mostra um crescimento de até 136%, no mesmo período”.
RODOVIAS
O estudo também projetou cenários com base nas obras da terceia pista da Rodovia dos Imigrantes e do túnel Santos-Guarujá. “Até 2035, sem a terceira pista da Imigrantes e sem o túnel, a gente para. Com a terceira pista, mas sem túnel, o novo trecho da rodovia já nasce com nível alto de ocupação. A Rodovia Piaçaguera (Cônego Domênico Rangoni) continuará com nível preocupante. A realização das duas obras vai aliviar a condição”, destaca o diretor do Sopesp.
Uma versão do estudo será impressa e distribuída a órgãos públicos (federal, estadual e municipais) e lideranças políticas e empresariais. “Não é um documento acabado. A ideia é, a cada 12 meses, nós olharmos para ver o que aconteceu, principalmente considerando que temos as obras da poligonal na margem esquerda, a expansão do terminal de grãos e o Tecon 10”.
ACESSOS
Não há novidade na afirmação do presidente do Sopesp, Régis Prunzel. Desde o final dos anos 1980, quando se começou a discutir mais intensamente os impactos das atividades portuárias nas cidades – principalmente Santos, Guarujá e Cubatão –, os gargalos no acesso e os impactos negativos no espaço urbano estão no centro dos debates. Mas ele ressalta que o estudo técnico sinaliza os pontos a serem atacados.
“O Porto vai continuar crescendo depois de 2035 e quem vier depois terá o grande desafio de acomodar a situação também. Mas a gente precisa de ações de Estado, não ações de governo. O nosso estudo é técnico. Ele é imparcial do ponto de vista se vamos ter um governo de Fulano ou Beltrano. Nós queremos mostrar que, tecnicamente, temos um desafio. Você falou do final dos anos 1980, nós estamos falando de 30 anos. Acho que a gente precisa mudar um pouco essa questão de o que fazer. Nós estamos sinalizando onde nós temos que atacar, olhando esses pontos, esses gargalos que a gente tem”, diz.
De acordo com ele, as projeções do estudo também consideraram a movimentação diária de carros, motocicletas, ônibus, “tudo que é o trânsito urbano que utiliza principalmente as perimetrais, tanto aqui na margem direita (Santos), quanto na margem esquerda (Guarujá). Justamente para que a gente tenha uma relação mais fluida, tranquila, a gente precisa de investimento em infraestrutura”.
Ele destaca que a preocupação é que o porto não atrapalhe a cidade. “Fazendo esses investimentos, temos aqui a terceira pista da Imigrantes e o túnel Santos-Guarujá, vamos ter uma acomodação dessa movimentação apesar do crescimento do porto. Mas precisamos que essas obras aconteçam. Então, tem meio que um gatilho de dependência, tem que ter o acesso, tem que ter a infraestrutura e a melhora nela”, afirma.


Deixe um comentário