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A representatividade política de São Paulo: está em crise ou fez voto de silêncio e discrição?

08/05/2026 Bruno Oliveira
A representatividade política de São Paulo: está em crise ou fez voto de silêncio e discrição? | Jornal da Orla

A discussão sobre a qualidade da nossa representação política ganhou força após o prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella, criticar abertamente a inércia da bancada paulista no Senado. A resposta não foi um debate, mas sim sua expulsão do Partido Liberal, a pedido do senador

Marcos Pontes, que justificou a medida como questão de disciplina partidária. O episódio, no entanto, vai muito além de uma questão interna: ele expõe uma dificuldade clara em lidar com críticas e revela o que muitos já suspeitam: que São Paulo parece não ter a voz ativa que merece na capital federal.

É bom deixar um detalhe registrado de forma clara: se houve a expulsão do prefeito por uma questão de crítica à representatividade política do estado, não dá para classificar de outra forma que não seja censura. Isso porque, até onde eu vejo, não houve citação ao nome de ninguém.

E um detalhe que precisa ficar registrado de forma clara é o seguinte: a crítica na verdade se trata, na minha opinião, de um recado para o futuro, para aquele que deseja ser senador por São Paulo, no caso o ex secretário de segurança pública Guilherme Derrite, que já anunciou sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo. E uma vez que o discurso do prefeito se deu num evento na presença de Derrite, essa é a minha interpretação do fato, no qual eu posso estar errado. Mas é preciso defender sim o direito a qualquer pessoa ter seu pensamento divergente da corrente majoritária em qualquer lugar, dentro de um cenário onde se diz que existe democracia.

No meu entender, a Lei Eleitoral 9.504/97 tem alguns pequenos detalhes a serem corrigidos. Eu vou citar alguns como exemplos: o fato de permitir que qualquer pessoa seja candidato apenas por uma circunstância eleitoral por um estado que não é de sua origem é um exemplo que precisa ser mudado. Para ilustrar, a própria pré-candidatura da ex-ministra Simone Tebet. Para que essa candidatura seja válida, na minha opinião, ela deveria estar vivendo em São Paulo por pelo menos oito anos, ou seja, duas eleições.

Na minha opinião também já se faz necessária a discussão do voto facultativo. E, principalmente, a adoção do sistema de mandato rotativo. Para mim, o modelo ideal é o que existe nos Estados Unidos, através da Vigésima Segunda Emenda, que limita claramente o poder. Entendo que a nossa Constituição tem uma falha jurídica gravíssima ao não estabelecer esse limite. No meu entender, dois mandatos consecutivos é um período suficiente, ou então um mandato único de seis anos. O poder precisa ser rotativo para não se transformar em poder absoluto.

E eu entendo que a política precisa chamar a população para discutir um novo modelo de representação eleitoral. Passou da hora de fazer isso. O sistema atual já deu sinais claros de que precisa ser renovado, e o povo tem que ser parte dessa mudança.

Eu vou continuar analisando algumas coisas que me chamam atenção. Se a gente for verificar o quórum que rejeitou o nome do Advogado Geral da União Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal, por 42 votos não e 34 votos sim, ou seja, 7 votos de diferença a favor da rejeição. A gente pode verificar que houve 79 senadores presentes na sabatina e votação. E eu não vou discutir, pelo menos agora, os motivos dessa rejeição. Eu quero entender porque me chama atenção onde estava o senador Marcos Pontes na hora da votação em plenário no Senado. Votar ou não para aprovação do nome do indicado eu considero uma questão de foro íntimo. O que eu constato é especificamente sua ausência, porque houve 79 votos com duas abstenções, já que nós temos 81 senadores, certo? O que me causa curiosidade é a sua ausência, senador astronauta Marcos Pontes?

É importante dizer que o voto tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário foi secreto. Então, em tese, não havia problema nenhum em votar.

Fica mais estranho você não aparecer no plenário para votar do que votar pela rejeição ou aprovação do nome de alguém, porque fica a impressão de que seu voto seria positivo pela aprovação do indicado do Presidente da República para vaga deixada pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso. Não se trata de opinião, o que eu tô tentando trazer são os fatos.

Novamente, eu não quero entrar no mérito de quem está certo ou está errado; não sei porque esse assunto me chama atenção, na verdade.

Não se trata de mérito individual ou julgamento de mandatos. Cada ser humano é único: nem todo mundo precisa ser espalhafatoso para ser firme; há quem atue no silêncio, sem gostar de conflitos. O mandato de Pontes, eleito em 2022, vai até 2030 — sua representatividade será discutida lá. Ainda assim, o caso ilustra descompassos, como ausência na votação de Jorge Messias ao STF, devolução de emendas por falta de projetos e foco em pautas nichadas que fogem de segurança, economia e infraestrutura básica. A imagem técnica confronta dados práticos: eleitores sentem um representante distante, que se comunica por notas formais enquanto municípios clam por ação.

Esse cenário não é isolado, mas reflexo de uma postura defensiva comum entre autoridades. Há tendência de figuras públicas se blindarem contra críticas, esquecendo que, em democracia, servem ao povo e prestam contas permanentes. Punir quem aponta falhas só aprofunda o abismo entre Brasília e as prefeituras.

A crise tem raízes históricas no segundo turno de 2014, quando o embate Dilma-Aécio rompeu o pacto de diálogo e polarizou o país. A ausência da social-democracia tradicional, que abriu mão de sua base desde a redemocratização, criou vácuo para novos fenômenos. Bolsonaro emergiu como resposta ao modelo inercial, demandando representatividade direta e menos burocrática. O conservadorismo renasceu nos últimos oito anos, não como modismo, mas força permanente — eleitores se definem assim conscientemente.

Vejo, porém, o oportunismo: figuras se aproximam de ondas eleitorais por conveniência, sem compromisso orgânico com as bases. O eleitor conservador de hoje exige mais, percebendo quando mandatos são burocráticos, sem enfrentar o ônus real da representatividade.
Na verdade, este é o ponto central da crítica: a representatividade política de São Paulo passa, teoricamente, pelos três senadores que nos representam.

Como eu disse anteriormente, a discussão sobre a representatividade ou não do senador Marcos Pontes vai se dar na eleição de 2030. O que nós vamos discutir este ano é a representatividade ou não da senadora Mara Gabrilli, essa sim termina seu mandato, e do senador Giordano.

A senadora Mara Gabrilli é filiada hoje ao PSD de São Paulo, e a informação que tenho é de que ela não é candidata à reeleição ao Senado; é pré-candidata a deputada estadual. Se o mandato termina agora em 2026, o próprio fato dela não querer disputar a reeleição para o Senado já é um indicativo de que existe um desgaste da imagem pública dela nos últimos anos. A gente pode entender também que ela entende que já tem o seu dever cumprido junto à população de São Paulo em âmbito federal. Mas, em uma análise mais profunda, a pré-candidatura dela a deputada estadual significa um rebaixamento político.

Agora, não é querer pegar no pé de ninguém, mas vamos falar uma coisa discutível: o caso do senador Giordano.
Não é só pelo fato de ele ter se envolvido na polêmica da blitz policial. O principal ponto é que ele é um cara desconhecido para a maioria da população de São Paulo. E vamos combinar uma realidade: a maioria das pessoas não se preocupa nem em pesquisar quem são os seus próprios representantes. Muitos votam e depois não sabem nem em quem votaram.

Para contextualizar com dados precisos: trata-se de Alexandre Luiz Giordano, filiado ao Podemos (PODE). Ele assumiu o mandato em março de 2021 como primeiro suplente da chapa do saudoso senador Major Olímpio, que veio a falecer em decorrência da COVID-19. Seu mandato, portanto, é o mesmo da eleição de 2018 e se encerra neste ano de 2026. Empresário de formação, ele tem uma atuação considerada bastante discreta no Senado e baixo reconhecimento público, o que reforça essa impressão de “desconhecido” para grande parte da população.

No episódio da blitz, ocorrida pela manhã, por volta das 8h17, na Alameda Afonso Schmidt, bairro de Santana, Giordano foi flagrado conduzindo um veículo sem placas, com CNH vencida há mais de dois anos e utilizando luzes estroboscópicas de forma irregular. Durante a abordagem, ele se recusou a apresentar documentos inicialmente, se identificando apenas como autoridade, chegou a ameaçar os policiais e tentou fugir do local, invadindo a calçada e colocando agentes em risco. Embora tenha sido autuado por infrações de trânsito, a situação gerou a abertura de investigações para apurar possível abuso de autoridade e desacato, com acompanhamento do Ministério Público.

O que eu quero dizer é que cada estado da federação tem o seu problema particular a ser resolvido. A gente não tem que ver a questão da representatividade como um problema local; é um problema sistêmico. Na verdade, se você quiser analisar com profundidade uma questão como essa da representatividade política, a cultura política é a seguinte no Brasil: a autoridade acaba usando a política em benefício próprio. Eu não preciso dar exemplos disso, mas vamos exemplificar o que eu tô falando. Não é querer pegar no pé novamente, mas esse fato ilustra bem o que a gente tá falando: a blitz que envolveu o senador Giordano é um exemplo básico que ilustra bem o que o Brasil vive na sua cultura política — o uso do cargo político em benefício próprio.

Vale ressaltar que, até o momento, a assessoria de comunicação do senador Giordano manteve postura de silêncio oficial. Não foram emitidas notas públicas, esclarecimentos ou defesas formais sobre as irregularidades encontradas ou sobre a conduta durante a fiscalização daquela manhã em Santana, deixando as imagens e os registros policiais como as únicas fontes oficiais do fato.

A mesma postura foi adotada pela direção nacional do partido Podemos. Até o fechamento desta análise, a legenda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mantendo um silêncio institucional que contrasta com a grande repercussão negativa do fato na imprensa e nas redes sociais, demonstrando uma aparente falta de posicionamento da sigla diante da conduta do seu parlamentar.

É natural e necessário que se faça uma análise sobre a representatividade de qualquer autoridade eleita; portanto, nenhuma autoridade está imune a crítica, muito menos o senador Marcos Pontes. Nesse sentido, tenho a tendência a concordar com a crítica apresentada pelo jornalista Alexandre Pitolli, da Rádio Auriverde de Bauru.

E vamos lá de novo: vamos pegar o próprio eleitorado do senador Marcos Pontes.

Foram mais de 10 milhões de votos para senador, não é mesmo? Mas isso hoje não significa absolutamente nada. Porque aquele eleitor que votou nele em 2022 pode estar insatisfeito hoje e simplesmente não votar novamente. O mandato de qualquer pessoa depende 100% do seu eleitor.
O voto, na prática, funciona como uma procuração: é o documento que o cidadão entrega à autoridade para que ela o represente. Se o representante não corresponde, se some ou não trabalha, essa procuração não é renovada na próxima eleição.
Porém, é preciso analisar o cenário: essa crítica pontual acaba ajudando quem está no campo político oposto ao do senador Marcos Pontes.

Eu particularmente não costumo considerar pesquisa eleitoral como verdade absoluta, afinal a campanha ainda não começou e nada está definido. Mas tem gente que acredita nesses números e, segundo elas, se a eleição fosse hoje, os dois candidatos que sairiam vitoriosos seriam a ex-ministra Simone Tebet e o ex-governador Márcio França, este último representando a corrente progressista e de esquerda. Ou seja, a percepção de ausência ou inércia acaba pavimentando o caminho para quem está na oposição.

E uma última coisa que eu preciso dizer: uma autoridade política, seja ela quem for, não precisa dar mídia criticando para desgastar a imagem pública que ela tem. Sabe por quê? Eu vou te dizer, é uma questão muito simples: ela mesma se queima sozinha de acordo com seu comportamento. Muito provavelmente, quando chegar a vez de discutir a representatividade política do senador astronauta Marcos Pontes, só para citar como exemplo, lá em 2030, é grande a chance do seu eleitorado cair de 10 milhões para alguma coisa a tal, dele não conseguir a sua reeleição, se é que sua imagem está realmente queimada perante o eleitor paulista. Mas isso a gente só vai descobrir na próxima eleição, em geral em 2030.

Claro! Aqui está o parágrafo já com a correção e a separação clara das ideias, exatamente como você pediu:
Aproveitando a possibilidade da candidatura da ex-senadora por Mato Grosso do Sul e ex-ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Simone Tebet, eu quero deixar aqui bem específica uma defesa que faço há muito tempo: para mim, o sistema político eleitoral proporcional deveria ser de 50% para cada gênero, não como hoje, que é na prática de 70% para os homens e 30% para as mulheres no sentido das candidaturas efetivas a cargos eletivos.

Eu vou dizer mais uma vez: São Paulo não pode ser representado por alguém que entende São Paulo como uma circunstância eleitoral pura e simplesmente. E eu não tô falando da possível candidatura dela, nem quero que pareça que é uma questão de gênero. A minha crítica tem um ponto central: é o tratamento dado a São Paulo por uma corrente política que trata o nosso estado como uma mera circunstância eleitoral. Eu tô falando do “gênio da lâmpada” que teve essa brilhante ideia de convencer ela de que São Paulo seria um colégio eleitoral mais fácil para que ela fosse eleita aqui.

O jogo aqui é diferente. Eu não preciso falar quem é, todo mundo sabe quem é, é só juntar (2+2 =4) que todo mundo chega no resultado. O eleitorado paulista é inteligente.

Especificamente, faço uma crítica ao fato da ex-ministra Simone Tebet ser candidata ao Senado por São Paulo.

É bom deixar claro que não tem nada a ver com a questão de gênero, ou seja, o fato de ser mulher. Tem a ver sim com o fato da legislação eleitoral permitir que uma pessoa que não pertence a um determinado estado seja candidata por qualquer estado da federação, simplesmente por uma questão de circunstância eleitoral.

Eu não estou aqui para levantar polêmica, nem especulação, e muito menos para falar em teoria da conspiração. Mas é um fato que, na política, eu não duvido de absolutamente mais nada.

Para finalizar, reforçando a ideia central

Eu vou dizer novamente que o modelo ideal que se aplica para a Presidência da República, na minha opinião, é aquele que está na Vigésima Segunda Emenda da Constituição norte-americana, que diz o seguinte: o Presidente da República norte-americano tem direito a duas eleições consecutivas e, ao final do segundo mandato, ele é aposentado automaticamente da vida pública.

Acredito eu que o problema do nosso sistema político não seja o instituto da reeleição, porque é natural que se o ocupante do cargo executivo entende que faz um bom governo, ele tem o direito a sua reeleição; isso é uma questão natural.

Como eu disse anteriormente, eu entendo que o sistema político brasileiro precisa amadurecer a ideia de discutir a adoção do voto facultativo. Na minha opinião, o modelo de representação política no Brasil precisa se aproximar mais do eleitor, porque hoje a representação política no nosso país está muito distante de quem é, ou de quem pelo menos deveria ser, o personagem principal da democracia, que é o eleitor. A vida acontece no município, então tem que trazer o município para a discussão, municípios e os estados.

Mas de fato, o que o Brasil precisa é da criação do cargo de primeiro-ministro, tornando assim o Presidente da República o Chefe de Estado e criando o cargo de Primeiro-Ministro, fazendo com que ele seja o Chefe de Governo. O Brasil precisa ser uma República Semi-Presidencialista com o Parlamentarismo.

Eu repito: para mim, o instituto da reeleição não é o problema central da República brasileira. Mas se você quiser discutir o fim da reeleição, você precisa dar um mandato de 6 anos para o Presidente da República, mandato único, com a unificação das eleições, porque hoje nós temos as eleições municipais separadas das eleições gerais, fazendo com que a eleição seja a cada dois anos.