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Osmar Santos, o Pai da Matéria e suas Copas do Mundo

14/06/2026 Eduardo Silva
Arquivo Pessoal

Quem acompanhou a carreira de Osmar Santos não ouviu apenas um grande locutor esportivo, mas um verdadeiro showman, que transformava uma partida de futebol em espetáculo. Osmar narrava com velocidade, dicção impecável e introduziu no rádio esportivo uma linguagem moderna, repleta de gírias e bordões que revolucionaram as transmissões a partir do início da década de 1970.

Sua genialidade era complementada por vinhetas e efeitos especiais produzidos por sonoplastas talentosos. Um dos primeiros foi Chico Vieira, que ajudava a dar ainda mais brilho ao estilo marcante do “Pai da Matéria”, como o narrador ficou conhecido.

Osmar era a principal voz das equipes por onde passou, mas também se destacou como chefe de equipe. Soube valorizar os profissionais ao seu redor e contribuiu para a renovação do rádio esportivo. Aproveitou a experiência de comentaristas, repórteres, produtores e operadores de áudio, formando grupos de trabalho que se tornaram referências.

O jovem que deixou o interior de São Paulo para mudar o cenário das transmissões esportivas alcançou projeção nacional na Rádio Jovem Pan. Em 1974, já estava na Alemanha para cobrir sua primeira Copa do Mundo. O sucesso consolidou uma nova identidade para a emissora comandada por Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, e Fernando Vieira de Mello.

A rádio, que já era reconhecida como uma escola de jornalismo, passou também a ser lembrada pela inovação nas transmissões esportivas. Bordões como “Ripa na chulipa”, “Pimba na gorduchinha”, “É fogo no boné do guarda” e o inesquecível “Iiiiiii que goooooool” tornaram-se marcas registradas de Osmar Santos.

Inspiração, criatividade e irreverência definiam sua forma de trabalhar. Ele deu ainda mais vida ao futebol com um estilo informal e envolvente. Três anos após narrar sua primeira Copa pela Jovem Pan, foi contratado pela Rádio Globo. O anúncio da contratação mobilizou uma ampla campanha de divulgação, com chamadas na TV Globo, nas rádios e nos jornais do grupo.

A Copa do Mundo de 1978, na Argentina, foi a primeira de Osmar pela Rádio Globo. Nesse período, ele contou com a parceria do jornalista Edison Scatamachia, profissional que trouxe ao rádio a credibilidade e a inovação adquiridas no Jornal da Tarde.

A emissora reunia uma geração de talentos, com nomes como Osvaldo Maciel, Reinaldo Costa, Oscar Ulisses, Antonio Edson, Jorge de Souza, Carlos Aymard, Loureiro Júnior, Fausto Silva, Juarez Soares, Henrique Guilherme, Márcio Bernardes, Roberto Carmona, Sylvio Ruiz, Fernando Schwartz e Silvio Filho, entre muitos outros.

Com Osmar à frente daquela equipe, a Rádio Globo alcançou resultados históricos de audiência. Durante a Copa do Mundo da Espanha, em 1982, a emissora superou a tradicional Rádio Bandeirantes nas transmissões dos jogos da Seleção Brasileira.

 

Quatro anos depois, já consolidado também na televisão graças à sua participação no Globo Esporte, Osmar narrou sua primeira Copa do Mundo pela TV Globo, em 1986, no México. Em 1990, na Itália, assumiu a condição de principal narrador esportivo da Rádio Record. Já em 1994, retornou ao Sistema Globo de Rádio para transmitir aquela que seria sua última Copa do Mundo, encerrada com a conquista do tetracampeonato pela Seleção Brasileira.

Em dezembro do mesmo ano, um grave acidente automobilístico comprometeu sua fala e interrompeu uma trajetória que ainda tinha muito a oferecer às transmissões esportivas.

Osmar Santos marcou época não apenas pelas Copas do Mundo que cobriu, mas por toda a sua carreira, especialmente no rádio. Foi mais do que um grande narrador. Tornou-se uma referência para gerações de radialistas que passaram a sonhar em seguir seus passos. Também ajudou a aproximar milhões de torcedores do futebol, transformando estádios em grandes palcos de entretenimento.

Em suas transmissões havia espaço para música, poesia, humor e até comentários sobre o momento vivido pelo país. Sempre inovador, destacou-se no rádio e na televisão e teve participação marcante na cobertura do movimento Diretas Já, período em que o Brasil lutava pela retomada das eleições presidenciais diretas.

Longe dos microfones, revelou outra faceta artística. O craque das narrações deu lugar a um pintor sensível, que passou a expressar emoções por meio de telas expostas em diversas mostras pelo país.

A locução esportiva é uma paixão nacional. O Brasil teve inúmeros profissionais talentosos ao longo de sua história, mas Osmar Santos construiu um estilo próprio, moderno e revolucionário. Por isso, seu nome permanece associado a uma das mais importantes transformações já vividas pelo rádio esportivo brasileiro.