
Uma vida boa sempre foi guiada por encontros fortes. Com pessoas, causas e a certeza de que cada ser humano é único e deve viver no todo e com o todo.
Eu encontrei a dança com cinco anos e ela nunca mais saiu de mim. O balé é muito mais do que uma atividade ou uma paixão; é sensibilidade, disciplina e convivência.
Na adolescência encontrei o ensino da dança. A “chefe” trazia crianças rotuladas como “difíceis” ou “chatas”. Só que, onde uns viam problema, eu via histórias e possibilidades. Isso perdura até hoje.
Então encontro com a Psicologia, que trouxe conhecimento técnico para entender melhor o ser humano. Mas foi o encontro com o Projeto TAMTAM, dentro dos muros da extinta “Casa dos Horrores”, que me transformou definitivamente!
Renato Di Renzo , ainda na década de 90 praticava inclusão, protagonismo e trabalho em rede. Ele fez de Santos uma referência mundial em Saúde Mental.
Encontro o ativismo, a atitude, o “defender sem ter pena” e a verdade nas relações humanas.
São 36 anos desses encontros fortes e potentes. Esse caminho é difícil e desafiador… Mas também é de uma beleza ímpar: abrir olhares limitados, romper preconceitos e enfrentar quem prefere o oportunismo à empatia. O encontro com o serviço público traz amplitude: construir pontes, aproximar pessoas e contribuir para que a cidade em que vivemos seja cada vez mais humana, acessível e saudável em todos os sentidos.
Esses encontros fortes e reais foram os responsáveis pelo encontro com a Câmara Municipal de Santos. Dias pautados pela acessibilidade, pela inclusão, pela pluralidade e pelo respeito. Ah… e pelo afeto também!
A autodescrição nas sessões, o fortalecimento da participação das pessoas com deficiência e projetos voltados à acessibilidade universal provocaram mudanças e abriram caminhos.
Existe um fio condutor em todas essas experiências: ninguém deve ser definido por limitações, diagnósticos ou estigmas. Pessoas são pessoas. Respeito continua sendo um dos melhores pontos de partida para qualquer sociedade que deseje ser verdadeiramente inclusiva.
Reconhecer e valorizar as diferenças, garante que cada pessoa ocupe seu lugar no mundo — onde quiser, como quiser e sendo exatamente quem é. Encontro uma conquista: a certeza que feliz-cidade não está em cargos ou títulos.
Está nas vidas que tocamos, nos caminhos que inspiramos e na coragem de deixar o mundo um pouco melhor.
Feliz-cidade é entender que viver sem limites nunca será sobre “eu”, sempre será sobre NÓS!


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