Metrópole

Festa de Portugal supera expectativas e lota Centro de Santos

08/06/2026 Marcos A. Ferreira
Fernando Yokota/Jornal da Orla

Mesmo sem ter o balanço oficial, a 17ª Festa de Portugal superou as expectativas da organização e foi encerrada neste domingo (7), com a estimativa de que cerca de 40 mil pessoas tenham participado dos dois dias de evento na região do Valongo, Centro Histórico de Santos. “O movimento de público foi surpreendente. O feriado contribuiu, o clima foi perfeito, a ampliação da praça de alimentação funcionou bem, assim como a parceria com o Gran Bazar”, afirmou José Augusto do Rosário, diretor do Escritório Consular de Portugal na cidade e presidente da Escola Portuguesa.

Para ele, o volume de público vai “superar bem os 35 mil visitantes do ano passado”. Com otimismo, José Augusto adianta que o planejamento da edição de 2027 da festa já está em andamento. “Já estamos com uma lista enorme de ações”, diz.

Foram dois dias de festa, com comida (doces e salgados), bebida e atrações culturais típicas portuguesas, além da feira de produtos artesanais. De acordo com José Augusto, parte da renda é destinada à Escola Portuguesa, que atende 120 crianças da região do Mercado Municipal e Paquetá.

SABOR E EMOÇÃO

No sábado e no domingo o público pôde ver e ouvir ranchos folclóricos, fado e danças portuguesas, em um grande palco em frente à Igreja do Valongo. Na área dos Arcos do Valongo, uma grande área de alimentação. Ali, Flávia Pereira, comerciante santista de 52 anos, se emocionava – “é sempre assim” – com as lembranças saboreadas em doces e salgados.

“Todo ano é assim: cada sabor traz uma lembrança e não seguro as lágrimas. Assisti a vários shows do Roberto Leal, no antigo restaurante Boi Bom, em Praia Grande. Meu pai é português, cresci em festas da colônia, nos ranchos, sempre ao lado dele e da minha mãe que, apesar de ser paulista, parecia portuguesa legítima, fazia um bolinho de bacalhau delicioso. Então, tudo isso aqui me remete à infância, à família”, declara, enxugando as lágrimas.

Flávia contou que, mesmo após a morte da mãe, há dois anos, o pai participa das festas – “é outro chorão”, conta ela –, mas este ano ficou em casa, pois se recupera de cirurgia.

Ela estava acompanhada de Alan Silva, 48 anos, servidor público e morador da Praia Grande, que frequentava a festa pela terceira vez. “Não tenho descendência portuguesa, mas gosto da comida, do ambiente. E é gostoso ver com a Flávia, de fato, se emociona. É sempre assim mesmo”, reitera.

O casal Rui Barbosa de Souza, 70 anos, e Maria Barreto, 61, aguardava para saborear sardinhas e bolo de bacalhau. “Tudo é excelente: comidas que a gente gosta, além de poder experimentar outros sabores também. É muito bom”, diz.
Mas tem algo que não agrada aos dois, que moram na Ponta da Praia, em Santos, e costumam passear pelo Centro. “Está muito abandonado. O bondinho passa por lugares com prédios caindo aos pedaços. Precisa ter um olhar mais cuidadoso para essa região”.

Apesar de elogiar a comida e a necessidade da promoção de eventos como a Festa de Portugal, da qual é frequentador, o advogado César mendes, 40 anos, também fez questão de ressaltar que “a infraestrutura ao redor deixa muito a desejar”. Ele reclamou também do valor do estacionamento, R$ 40, preço fixo.