Economia

Quaresma ‘fresca’: preços de frutas caem 10% em um mês

25/03/2026 Da Redação
Quaresma ‘fresca’: preços de frutas caem 10% em um mês | Jornal da Orla

A queda nos preços dos alimentos frescos no início de 2026 trouxe um alívio direto ao consumidor e coincidiu com um período em que cresce a busca por refeições mais leves. Durante a Quaresma, quando parte da população reduz o consumo de carnes, a maior oferta de frutas, legumes e tubérculos ajudou a tornar esse tipo de alimentação mais acessível.

Levantamento do Índice de Preços dos Supermercados, feito pela Associação Paulista de Supermercados, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mostra que os produtos in natura ficaram, em média, 2,94% mais baratos em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a retração chega a 3,22%.

As frutas puxaram esse movimento. Em fevereiro, a queda foi de 9,97%, com recuo de 5,51% em um ano. Manga, mamão, banana e laranja aparecem entre os destaques, com desvalorizações expressivas em diferentes regiões do país. No Vale do São Francisco, por exemplo, a manga registrou perdas acumuladas superiores a 45% desde fevereiro, reflexo direto do aumento da oferta. A laranja também teve preços pressionados, especialmente pela menor demanda externa, o que ampliou a disponibilidade no mercado interno.

Outros itens acompanharam essa tendência. Batata e mandioca tiveram deflação de 3,09% no mês e de 2,05% em 12 meses. Além de mais baratos, esses alimentos são versáteis e fazem parte da base da alimentação brasileira.

O principal fator para a queda é a maior oferta. Boas safras e aumento da produção elevaram a disponibilidade, enquanto a redução nas exportações, em alguns casos, direcionou mais produtos ao consumo interno.

A demanda também teve influência, com períodos de menor procura contribuindo para o recuo dos preços. Esse cenário ocorre em um momento estratégico. A Quaresma costuma incentivar mudanças nos hábitos alimentares, com maior presença de preparações leves, frutas e legumes no dia a dia. Com preços mais baixos, esses itens passam a ocupar espaço ainda maior na rotina, sem pressionar o orçamento doméstico.

Além do impacto financeiro, o movimento reforça uma tendência de valorização de alimentos naturais. A combinação de oferta elevada e preços mais acessíveis cria condições para que o consumidor mantenha uma alimentação equilibrada, com mais variedade e menor custo ao longo do período.