Política

“Santos tem um DNA inovador”, afirma o prefeito Rogério Santos

25/01/2026 Marco Santana
Marco Santana

Às vésperas das comemorações dos 480 anos da cidade, o prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos), acredita que é o momento para se pensar em como o município estará quando completar 500 anos. “Vinte anos passam rápido”, avisa. Nesta entrevista, ele faz um balanço do primeiro ano de seu segundo mandato, avalia os impactos da reforma tributária e defende reforma na lei das licitações.

Gostaria que o senhor fizesse um balanço deste primeiro ano do segundo mandato. O senhor não pode reclamar do antecessor…
Exatamente. O segundo mandato começa com alguns desafios, como as mudanças climáticas. Não dá para dizer que pegaram as pessoas desprevenidas. Os projetos foram deixados de lado, pensando que esse momento nunca chegaria. E chegou. Em Santos, temos pontos sensíveis, principalmente as áreas de morro. A gente vem trabalhando de maneira constante com obras de contenção, com monitoramento da Defesa Civil. Na orla, há perda de areia na praia, o assoreamento dos canais, isso requer obras de infraestrutura. É o trabalho que a gente vem fazendo, em parceria com os governos do Estado e Federal. E colocamos como prioridade o enfrentamento à desigualdade social, principalmente no que tange à habitação. São mais de 1500 unidades entregues e, até o fim do mandato, teremos mais de 4.050 unidades. Vamos entregar agora a primeira etapa do Parque Palafitas, conseguimos R$ 180 milhões do PAC para revitalização do São Manuel, além dos projetos para a região central.

Quais as prioridades para 2026?
Faremos entregas importantes na área da educação, as escolas Edson Arantes do Nascimento e Irmã Dolores, a reforma escola Dino Bueno e o CAIS Santista. Vamos entregar também o Mercado Municipal, que vai receber o nome de Centro Cultural Plínio Marcos. Tivemos um bom verão, batendo recordes. O réveillon foi um sucesso. Aumentamos o número de turistas em mais de 17%.
A cidade vem se desenvolvendo no aspecto econômico, batendo recordes em arrecadação, por exemplo, do ISS e do ICMS, que são dois impostos econômicos ligados à atividade econômica. Somos a quinta cidade que mais arrecada ISS no Brasil. Isso mostra o poder econômico. Também estamos entre as 15 cidades do estado que mais empregaram em 2025. E a expectativa é 2026 continuar dessa mesma forma.

O Tecon Santos 10 vai provocar um impacto muito positivo na economia do Brasil de modo geral, mas também trará consequências negativas. Quais as providências que a prefeitura está tomando para atenuar esse impacto? E o que a Prefeitura vai exigir dos vencedores dessa concorrência?
Desde o meu mandato anterior, a gente já vem trabalhando nesse aspecto, inclusive com o apoio do deputado Paulo Alexandre Barbosa, nas contrapartidas e nos pontos que a prefeitura não abre mão, a cidade não abre mão. Então, para que o STS10 funcione na sua plenitude, precisamos ter um novo viaduto de entrada para a Perimetral, dois viadutos na Alemoa, obras de remodelação na entrada de Santos e investimento também no modal ferroviário. E também a proteção do trabalhador portuário avulso e das empresas de Santos. É um terminal de extrema importância, mas ele tem que ser bom também para os trabalhadores e a população santista.

Prefeito, algumas obras da cidade estão atrasadas, outras até paralisadas porque as empresas que ganharam a licitação não conseguiram cumprir o contrato. Quais providências a prefeitura está tomando para evitar esse tipo de situação, sem descumprir a lei das licitações?
O poder público municipal fica restrito às exigências do processo licitatório. Hoje, qualquer empresa de Manaus, por exemplo, por meio de sistema eletrônico, participa da licitação sem ao menos saber quanto custa o saco de cimento aqui na região Sudeste. Então, é necessário sim que hajam restrições de qualidade, porque o menor preço não significa economicidade (menor custo), pelo contrário, significa maiores prejuízos. E essa lei tem que ser revista. A última revisão não melhorou a lei, ela precarizou a lei, pois retirou uma série de possibilidades que os municípios podiam colocar em termos de restrições.

Já deu para perceber os primeiros impactos da reforma tributária?
Ainda não. É um processo que vai se dar ao longo de mais três ou quatro anos. O importante é o Brasil não ficar do jeito que está, restrito apenas ao agronegócio. Perdemos as indústrias. É importante a reindustrialização do Brasil, trazer capital do exterior, e para isso a reforma é importante. Nada vem de maneira cômoda. Os municípios, todos nós temos que trabalhar para tirar o máximo possível dessa lei, dessa reforma tributária. Santos está preparado. A lei prevê um histórico dos últimos seis anos de arrecadação e esse histórico é altamente positivo para Santos.

Vários prefeitos reclamam que aumentou a demanda por serviços públicos oferecidos nas cidades e os demais entes federativos não fazem o devido repasse. Como reequilibrar este pacto federativo?
Precisamos de representantes com a visão municipalista. As coisas devem ser resolvidas na cidade, que é onde as pessoas moram. Anos atrás, o governo federal ficava responsável por 70% dos gastos com a saúde e o município 30%. Hoje é o inverso. Ficamos 10 anos com a tabela SUS congelada. O pacto federativo tem que ser repensado. Para isso precisamos ter coragem e determinação. O Congresso tem que ser formado por pessoas que pensem o país, que deixem as pautas de comportamento de lado e pensem no Brasil, no emprego, em tirar as pessoas dos programas sociais para que possam ter independência. Os programas sociais são importantes, mas precisamos de portas de saída, com cursos de qualificação e a reindustrialização do Brasil.

Santos completa 480 anos, mas a prefeitura já está organizando o projeto Santos 500 anos. O que é, exatamente?
É um marco, 500 anos! Uma das cidades mais antigas do país, ‘mas jovem’. Sempre foi inovadora, desde o primeiro hospital pro Brasil, a Santa Casa, uma das primeiras cidades a ter iluminação pública, bondes, VLT… Santos tem esse DNA inovador, a primeira cidade a ter um plano urbano moderno, que são os canais de Saturnino de Brito. Santos vai nessa direção, uma cidade tradicional, com uma cultura muito forte, mas aberta para o mundo, uma cidade portuária. Planejar esses 500 anos é pensar em sustentabilidade. É algo que tem que ser tratado de forma imediata dentro do tripé do desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente. A gente precisa discutir com a sociedade justamente quais são as prioridades, para desenvolvê-las junto com a população e as instituições públicas. É um projeto aberto, não é um projeto exclusivamente da prefeitura, qual a cidade que queremos daqui a 20 anos. E 20 anos passam rápido.