Velho, eu?

Por ser novo, deve ser esperado

27/12/2025 Ivani Cardoso
Arquivo Pessoal

Gosto muito de celebrar o Ano Novo ao lado de pessoas que são importantes na minha vida. Com o envelhecer, parece que estar junto com os amigos atrai bons fluídos para o ano que vai começar.

Gosto de pensar que aproveitei oportunidades que apareceram, estive ao lado da família e dos amigos, consegui realizar o desejo de lançar um livro. Gosto de manter outros projetos para colocar em prática em 2026, tentando me manter ativa, saudável e feliz. Nem sempre é uma conquista, está aí o destino que pode mudar os planos, mas acredito que, se pensar positivo, sempre é possível melhorar.

Gosto de escolher uma roupa nova, acredito na cor do ano para o meu signo, nas 12 uvas, nas três tâmaras e um banho de mar na véspera para limpar o corpo e a alma. Só fica difícil pular as 7 ondas com o meu joelho teimando em revelar que o corpo não acompanha tão facilmente o pensamento.

Gosto da palavra recomeçar, ela faz parte de nossas vidas. Quantas vezes caímos e recomeçamos para sair de situações que já deveriam ter sido descartadas há tempos? Retomar o caminho com liberdade, soltar todas as minhas vozes para cantar o presente mais afinado com minhas escolhas, fechar os olhos e saber que os pesadelos reais ficaram para trás.

Gosto de imaginar que encontrarei lugares para conhecer e redefinir os limites impostos no ano que vai terminar. Surfar nas melhores ondas para equilibrar os medos e as inseguranças depois da arrebentação.

Gosto de contemplar o céu e agradecer por tantas bênçãos, saúde e alegrias. E se antes eu pedia amor, saúde e dinheiro; agora, no envelhecer, não preciso pedir nada. É só a espera de insondáveis futuros que não dá para apregoar, só viver e continuar a aprender, enquanto estamos por aqui.

E gosto de me perdoar pelos desacertos, escapar das culpas e das certezas e aceitar os fatos consumados. Mapear sem melancolia a saudade de quem se foi e construir respostas para as perguntas que nunca me fizeram.

Tudo bem se você prefere ficar sozinho no seu canto, temos direito a escolher o que queremos, mas já pensou que essa passagem poderia ser mais bonita se compartilhada? Ver os fogos, abrir um espumante, trocar abraços e beijos têm muito valor. E as conversas, então… Lembrar de fatos significativos, mesmo que tristes, tudo faz parte da vida.

Se eu tivesse o dom de emoldurar novas paisagens para todas as velhices, gostaria de poder suavizar os caminhos de quem ainda está preso apenas à sua jornada. A receita para construir um cotidiano melhor em 2026 inclui partilhar amor, bondade, gentileza e solidariedade.

E vamos esperar sim, um Feliz Ano Novo!