
Gosto de ver mulheres com mais de 60 anos se divertindo com amigas ou amigos em bares e restaurantes, na academia em busca de um estilo de vida mais saudável, nos cafés, em cursos variados, nos cinemas, teatros, nos bailes da vida. Felizmente ficaram para trás os tempos em que as mulheres evitavam sair sozinhas ou ficavam à espera de convites para a diversão.
Quando converso com amigas solteiras, divorciadas, separadas ou viúvas na faixa dos 60 e 70 anos, o comentário é sempre o mesmo: “Não dá para esperar companhia masculina romântica nessa altura da vida. Os homens que estão bem investem nas mais jovens e os que estão caídos, deprimidos ou à procura de quem cuide deles, ninguém quer.
Observando à minha volta, vejo que essa realidade traz outro elemento que aprofunda a dificuldade de relacionamentos maduros: os homens se acham muito melhores do que as mulheres. Para eles a barriguinha, a careca, as rugas e a flacidez não interferem na autoestima, seguem firmes e têm mais facilidade em achar a metade da laranja por aí, mesmo que quebrem a cara.
As mulheres mais velhas, no tema romance, desistem antes de começar. Muitas se acham sem graça, gordas, feias e… velhas, mesmo que estejam fisicamente bem, sejam inteligentes e criativas. O tal “melhor mal acompanhada do que só”, que antes era comum, hoje está mais raro. Muitas, que aceitavam relacionamentos ruins e desgastantes apenas para ostentar companhia, mudaram o modo de pensar com a passagem do tempo.
As mulheres da minha geração também são pioneiras nesse envelhecer que é diferente para cada uma. Estão aprendendo a se cuidar, a se gostar, a procurar atividades que trazem alegria e entusiasmo. Estão aprendendo que amigos são essenciais para os bons e maus momentos. Estão aprendendo que a idealização romântica pode ficar para trás, mesmo com alguns olhares saudosistas para o passado. E estão aprendendo que, apesar da desconfiança, o amor ainda pode dar certo.
Um amigo disse outro dia “eu ajo por demanda” e a frase me indignou. Achei absurdo ficar tão confortável no comodismo. Só que pensei que, na questão do romance, muitas mulheres também estão agindo assim. São incapazes de convidar um homem que se interessaram para sair porque não querem ser invasivas ou oferecidas, e sempre fantasiam que ele tem outras opções melhores. Será mesmo? Melhor se recolher e nem tentar?
Ainda bem que viver é aprender. Quando sei de histórias de casais maduros que estão aproveitando uma segunda chance, bato palmas para a coragem de enfrentar as diferenças, os preconceitos e as limitações da idade.
Acredito que tanto as mulheres, quanto os homens, querem ser felizes em qualquer idade. E quando se aceitam e deixam de lado modelos idealizados, têm mais liberdade para encontros e desencontros que fazem parte de qualquer fase da vida.
Dica de filme inspirador
Alguém Tem Que Ceder

Uma comédia deliciosa com atores incríveis. Harry Sanborn (Jack Nicholson) é um executivo que trabalha no ramo da música e que namora Marin (Amanda Peet), que tem idade para ser sua filha. Harry e Marin decidem ir até a casa de praia da mãe dela, Erica (Diane Keaton), para visitá-la. Aos poucos Harry percebe que está se interessando cada vez mais por Erica, mas tenta esconder seus sentimentos. E ainda tem Julian (Keanu Reeves), um jovem médico local que se encanta com Erica.



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