A Globo estreou esta semana sua primeira novela vertical, Tudo por uma Segunda Chance, exibida em Globoplay e redes sociais como TikTok, Instagram e YouTube. Com capítulos de até três minutos, o projeto segue a lógica dos microdramas asiáticos, pensados para consumo rápido em telas de celular. A iniciativa, inédita na teledramaturgia brasileira, gerou debate imediato sobre o “padrão Globo de qualidade”.
O crítico Thiago Stivaletti, na Folha de S.Paulo, afirmou que a produção “parece ter sido feita no SBT”, apontando precariedade de texto, cenários improvisados e a canastrice de Jade Picon como vilã. A comparação, longe de ser mero ataque, revela a estranheza de um público acostumado à antiga sofisticação técnica da emissora.
De fato, os primeiros capítulos condensam em poucos minutos veneno, coma e prisão injusta, elementos típicos de melodrama apresentados de forma acelerada e caricata.
Essa estética mais popular, porém, parece deliberada. O formato vertical exige impacto imediato: exagero, ritmo frenético e finais de episódio pensados para viralizar. O que soa como perda de refinamento pode ser entendido como estratégia narrativa. Ao abrir mão de cenários elaborados e apostar em atuações intensas, a Globo aproxima-se de uma linguagem direta, acessível e compatível com o ambiente digital.
Assim, a crítica de que “parece novela do SBT” ganha dupla leitura. Por um lado, aponta a ruptura com o padrão clássico da emissora. Por outro, evidencia que a Globo compreendeu que, no universo das redes, o exagero e a simplicidade são recursos estilísticos, não falhas. Tudo por uma Segunda Chance inaugura, portanto, um novo território para a teledramaturgia nacional: menos refinamento, mais intensidade, em sintonia com a lógica do consumo rápido.


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