Cena

Exposição no Museu do Café evidencia vivências estudantis

28/11/2025 Isabela Marangoni
Alana Pires/Divulgação Museu do Café

O Museu do Café inaugurou a mostra ‘Territórios de Memórias’, resultado do projeto Museu é Aqui, conduzido pelo Núcleo Educativo. Nesta edição, participaram alunos do 6º ano da UME Dr. José Carlos de Azevedo Jr., que produziram maquetes, trabalhos têxteis, desenhos, entrevistas, vídeos e cianotipias a partir de suas próprias vivências e do diálogo com moradores do bairro São Manoel e da comunidade da Ilha Diana.

Segundo Henrique Trindade, coordenador de Formação e Educativo, o caráter autoral é o eixo da montagem. “O público vai encontrar uma exposição construída coletivamente a partir do olhar e das vivências dos alunos”, afirma. Para ele, exibir uma mostra feita por estudantes é especialmente simbólico. “É extremamente significativo trazer ao Museu uma exposição que nasce da sensibilidade e da percepção desses jovens”.

Ao longo de oficinas, ações de educação patrimonial, saídas culturais e processos de escuta, as 30 crianças participantes refletiram sobre identidade, pertencimento e memória. O resultado é um conjunto de expressões visuais e simbólicas que traduzem como percebem o bairro onde vivem, São Manoel, e a Ilha Diana, visitada durante o percurso. As obras materializam esse processo coletivo de criação e o diálogo entre museu, escola e comunidade.

Acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos, Henrique destaca o impacto sobre os estudantes. “Foi um processo muito rico de troca, em que as crianças puderam ampliar repertórios e fortalecer vínculos com suas próprias histórias”. O Núcleo Educativo atuou diretamente na transformação das ideias em obras, estimulando os alunos a registrar memórias e experimentar diferentes linguagens artísticas.

Territórios pouco representados

Um dos destaques desta edição foi a escolha da Ilha Diana e do bairro São Manoel como territórios de investigação. “Em 2025, o foco esteve na aproximação com áreas historicamente pouco representadas”, explica. A decisão dialoga com o impacto das transformações urbanas e com a resistência cotidiana dessas comunidades frente às desigualdades sociais e à perda de referências culturais. A intenção foi evidenciar modos de vida, laços comunitários e saberes tradicionais desses locais.

A imersão gerou mudanças importantes no olhar dos estudantes sobre seus próprios espaços de convivência. “Essa experiência ajudou as crianças a reconhecer o valor cultural do lugar onde vivem e a fortalecer o senso de pertencimento”, diz o coordenador. Ao explorar o próprio bairro e conhecer a Ilha Diana, “elas passaram a compreender suas histórias como parte de um patrimônio coletivo”.

Museu social e plural

Valorizar memórias de grupos pouco representados, reforça Henrique, é fundamental para ampliar o alcance social do Museu e tornar suas narrativas mais plurais e inclusivas. As parcerias com outras instituições culturais também têm fortalecido o projeto, abrindo novas possibilidades de experiência para os participantes.

Desde sua criação, em 2019, o Museu é Aqui tem redefinido a relação do Museu do Café com a cidade. “De um espaço visitado, o Museu passou a atuar também como agente que se desloca até as escolas e se aproxima das comunidades”, observa o coordenador. Essa mudança ampliou o impacto das ações educativas e consolidou vínculos com diferentes territórios.

Ao colocar os estudantes no centro do processo, o projeto também os aproxima da função social dos museus. “Mostramos que o Museu é um espaço vivo, aberto à participação da sociedade na construção de suas narrativas”. No percurso, as crianças atuaram como pesquisadoras, entrevistadoras, criadoras e curadoras.

Próximos passos

O compromisso com inclusão e participação segue orientando o trabalho da instituição. “Nosso objetivo é fortalecer cada vez mais o Museu como um espaço de construção e compartilhamento de cultura aberto a todos os públicos”, afirma Trindade. O Núcleo Educativo mantém programas voltados a diversos perfis de visitantes — de pessoas em situação de vulnerabilidade a idosos e pessoas com deficiência — reforçando o papel social do Museu do Café.