Metrópole

Ponto de Cultura Indígena será inaugurado domingo em Santos, com extensa programação

21/11/2025 Da Redação
Divulgação/ochamadodajandaia

Com o objetivo de aproximar o conhecimento da ancestralidade indígena da população santista e de turistas que frequentam a cidade, um evento cultural e ambiental celebra, neste domingo (23), a consolidação do Ponto de Cultura Indígena em Santos, com a inauguração oficial do Observatório Indígena “Caminho do Céu”. A instalação – espaços ´desenhados` com pedras de onde se “lê o céu”, na tradição indígena, já pode ser vista no Quebra-mar (Emissário do José Menino); mostra a relação sagrada dos povos originários brasileiros, entre céu e terra. O evento é gratuito e recomenda-se que as pessoas levem cadeiras, cangas e proteção para o sol.

A programação começa às 9 horas, com uma ação de limpeza da praia, aberta ao público, liderada pelo Instituto EcoFaxina. Às 12h30, acontece a roda de conversa “Sabores e Saberes Indígenas”, que mostrará a influência da culinária ancestral no nosso dia a dia, além de manifestações culturais indígenas. Entre os participantes da roda de conversa, que será mediada por Jandé Potyguara, estão importantes lideranças indígenas como Awa Popygwa, Catharina Apolinário, Guaciane Gomes, Itamirim, Juá Jacarandá, JùpïRã, Karol Kaysá, Kuaray O’ea, Ronildo Guarany Amandios e Wescritor. Também haverá apresentações artísticas e culturais, como o Coral Mensageiros de Tekoá Paranapuã, grafismo indígena de Awa Popygw dança ancestral contemporânea de Jandé Potyguara, música de Kuaray e Wescritor; além da presença de integrantes das aldeias Paranapuã, Tabaçu, Tapirema e Piaçaguera, unindo tradição e expressão contemporânea em uma celebração da diversidade. (Confira a programação, abaixo)

IMERSÃO CULTURAL

A iniciativa é do multiartista indígena Jandé Potyguara e da produtora cultural Estela Vajda, em parceria com o Instituto EcoFaxina. O Observatório Indígena “Caminho do Céu” propõe uma imersão única no universo astronômico indígena, unindo a cosmovisão dos povos originários, tradição, sabedoria, arte e educação ambiental.

“Antigamente, os povos indígenas observavam o movimento das estrelas como um GPS, para se orientar nas trilhas, definir épocas de plantio, colheita e caça, os ciclos da natureza. O observatório funciona como um marcador do espaço-tempo, revelando como os povos indígenas compreendem a leitura do céu e das estrelas, interpretando as constelações. O observatório atual é uma reconstrução contemporânea desse conhecimento ancestral, feita com pedras vindas de várias partes do Brasil, dispostas de forma a indicar direções e momentos do tempo e do céu. É também um espaço vivo de espiritualidade, de conexão entre o céu, a terra e as pessoas”, explica Jandé Kodo Potyguara

Nascido em Fortaleza e residente há 15 anos de Santos, Edvan Monteiro Jandê-Kodo é indígena descendente do povo Potyguara do Ceará. É bailarino, performer, dramaturgista, professor de dança, coreógrafo, fotógrafo, videomaker, editor e cenógrafo de práticas ancestrais. É diretor da Cia Etra junto com Ariadne Fernandes, fundada em 2001 e, em 2006, lançou o Canal OitO, realizando produções audiovisuais com foco na documentação e fomento da videodança no Brasil, com programas e experimentos em videodança.

O artista explica que criou o observatório a partir de suas próprias origens, pesquisa com diferentes lideranças indígenas e também com o resgate cultural local de Santos, um vasto território ancestral ocupado por diversas etnias indígenas. A ideia é que o Observatório Indígena seja um ponto de acolhimento e troca de saberes entre lideranças indígenas da Baixada Santista e de todo o Brasil, fortalecendo redes de cooperação, resistência cultural e diálogo interétnico. “O projeto destaca temas urgentes como a consciência ambiental, a valorização dos saberes ancestrais que foram apagados ao longo do tempo, e uma reflexão simbólica sobre o porquê de não vermos mais tantas estrelas nas cidades — um convite para nos reconectarmos com a natureza, o céu, a terra e com a nossa própria história. Nossa proposta é que se torne um local de encontros, eventos e manifestações culturais”, conta Estela Vadja, idealizadora do evento que fixa o ponto de cultura indígena no calendário da cidade.

MEIO AMBIENTE E ANCESTRALIDADE

Para William Schepis, biólogo marinho e presidente do Instituto EcoFaxina, unir o conhecimento ancestral com a valorização do meio ambiente é ponto principal para que os visitantes do observatório entendam como estamos integrados e que fazemos parte do que nos cerca. “A Integração da ação voluntária EcoFaxina à programação reforça a urgência de restaurarmos nossa relação com a natureza, unindo o cuidado com o território ao respeito pelos ciclos da vida. Já no plano cultural e social, o evento amplia o diálogo entre povos indígenas, sociedade civil e poder público, fortalecendo laços de cooperação, inclusão e reconhecimento da diversidade que compõem nossa identidade litorânea. Sem dúvida, uma contribuição duradoura para a educação ambiental, a valorização da cultura indígena e o fortalecimento da cidadania em Santos e no litoral paulista”, finaliza.

PROGRAMAÇÃO

Inauguração do Ponto de Cultura Observatório Indígena Caminho do Céu

  • 9 horas – Ação Voluntária EcoFaxina: Mutirão de limpeza no entorno do quebra-mar com a participação de indígenas e do público presente.
  • 12h30 – Roda de Conversa “Sabores e Saberes Indígenas”: Espaço de troca de saberes, experiências e histórias entre os indígenas e o público.
  • 14h30 – Manifestações Culturais Indígenas: Coral Aldeia Paranapuã, Música, dança e grafismo.
  • 16h30 – Distribuição de mudas nativas com orientações de plantio.
  • 17 horas – Cerimônia de encerramento.